Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Aratuba - Antiga Vila de Coité


Aratuba em 1945 - Arquivo Aratuba Online

Na serra de Guaramiranga, entre cimos e contrafortes com alguns vales mais ou menos profundos, de terra férteis, formou-se o núcleo populacional de Aratuba. Seu primitivo nome foi Coité, árvore da família das Bignomiaceas, produtora de fruto do qual serrando-se ao meio, se fazem cuias de muita utilidades doméstica. Chamou-se depois Santos Dumont, homenagem ao “PAI DA AVIAÇÃO”.

O Distrito foi criado com a denominação de Coité, pela lei provincial nº 2062, de 10-12-1883. Foi elevado à categoria de vila com a denominação de Coité, pelo decreto estadual nº 35, de 01-08-1890. Instalado em 16-08-1890. Pela lei estadual nº 550, de 25-08-1899, a Vila de Coité é extinta, sendo seu território anexado ao município de Baturité.
É elevado novamente à categoria de município com a denominação de Coité, pela lei estadual nº 602, de 06-08-1990, desmembrado de Baturité.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de 3 distritos: Coité, Pindoba e Tope. Pelo decreto estadual nº 1156, de 04-12-1933, o município de Coité é extinto, sendo seu território anexado ao município de Pacoti. Pelo mesmo decreto-lei estadual é criado o distrito de Santos Dumont, com terras do extinto município de Coité e anexado ao município de Pacoti. 

Pracinha de Aratuba


Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Distrito de Santos de Dumont figura no município de Pacoti. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.

Pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 30-12-1943, o distrito de Santos Dumont passou a denominar-se Aratuba.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o distrito já denominado Aratuba permanece no município de Pacoti.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1955. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Aratuba, pela lei estadual nº 3563, de 29-03-1957, desmembrado de Pacoti. Sede no antigo distrito de Aratuba. Constituído do distrito sede. Instalado em 31-03-1957.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído do distrito sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2003. 
Pela lei municipal nº 173, de 27-12-2001, é criado o distrito de Pai João e anexado ao município de Aratuba.

Em divisão territorial datada de 2005, o município é constituído de 2 distritos: Aratuba e Pai João.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.


Revista Aratuba Online


As terras nos arredores de Aratuba eram habitadas por índios de origem tupi-guarani, como os canindés.
Sua formação como núcleo urbano aconteceu lentamente a partir do século XVIII, com as catequeses dos jesuítas e com pessoas oriundas de Baturité e de outras regiões, notadamente do semiárido cearense, atraídos pelo clima e condições frutícolas.

Referindo-se a Aratuba, o historiador cearense Gustavo Braga disse: "Suas cachoeiras e sua paisagem bucólica são locais de lazer para uma profunda reflexão de vida".

Aratuba tem origem na língua tupi e significa "ajuntamento de pássaros", através da junção dos termos gûyrá ("pássaro") e tyba ("ajuntamento").


Os desfiles estudantis

Desfile estudantil da CNEC - Arquivo Aratuba Online

A CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade) não criou os desfiles estudantis no município de Aratuba, mas o elevou a um patamar cívico popular. Historicamente, o primeiro desfile estudantil aconteceu no tempo da Escola Pública da Dona Júlia de Barros no 2º paroquiado de Pe. Gerardo Plácido Broders de agosto de 1928 a abril de 1930. Porém para muitas pessoas os desfiles de Aratuba terminaram quando a CNEC deixou de existir. Os desfiles bonitos e com aquela “rivalidade” CNEC e Escola Joacy onde ninguém queria ficar na “rabada” e cada um queria mostrar o melhor. Ajuntava multidões nas ruas da cidade. Fazia parte do contexto histórico da época à importância que os livros de história destacavam os atos heroicos e os personagens da história brasileira: D Pedro I e o grito do Ipiranga, a Princesa Isabel e a libertação dos escravos; alunos pintados de alcatrão chupando cana, representando a escravidão; Tiradentes e tantos outros pelotões. A pedagogia da CNEC era libertadora e paradoxalmente tradicional, ensinava o respeito, a cidadania e a moral mas como toda escola, tinha seus momentos difíceis motivados por comportamentos inadequados de alunos. Certa vez José Oscar sofreu para acalmar alunos que arrancavam flores do jardim e quebraram o filtro por causa das baixas notas de recuperação. Ao longo do tempo a CNEC foi acusada de ser politicamente esquerdista e não podia ser diferente, afinal seu padre fundador foi o introdutor das CEBs no município e seu sucessor na paróquia expandiu-as além de Aratuba. Refiro-me aos párocos José Maria e Moacir Cordeiro Leite. 

CNEC e Joacy - Arquivo Aratuba Online

Ambos tiveram relação direta com a história cenecista aratubense, sendo que o último teve grande influência e divergência com a política partidária local. Mas não é possível negar que a CNEC tinha sua bandeira política até porque era visível e assim conflitou com outros interesses partidários existentes no município. Dentro da sala de aula no Monsenhor José Barbosa se ensinava Português, Matemática, Ciências, História, Geografia, por certo tempo, OSPB e Educação Moral e Cívica, Religião e depois a introdução do Inglês no 1º Grau e muitas vezes se recebia livros didáticos. A dificuldade maior era no 2º Grau(Ensino Médio) com ausência de livros e dependência total do professor copiando o conteúdo no quatro para o aluno dificultando o aprofundamento do assunto. No 2º Grau Científico as disciplinas eram Português, Matemática, História, Geografia, Física, Química, Programa de Saúde, Biologia, Inglês, Literatura e Arte. 

Desfile CNEC 1980- Arquivo Aratuba Online

Alguns professores eram leigos, pois não tinham nível superior e outros que eram formados não possuíam formação específica e pedagógica para atuar em sala de aula. Desafios que a CNEC ia vencendo do jeito que podia. Sem contar que a “rivalidade” CNEC e Joacy não ficava apenas no âmbito dos desfiles estudantis, infelizmente se estendia ao conhecimento acadêmico. Os alunos do Joacy faziam um exame de admissão para entrarem no ginasial e na CNEC tal exame não existia e disso se concluía que o ensino da CNEC era inferior ao da Escola Estadual. E com todas as dificuldades da CNEC os alunos se envolviam nos trabalhos, gincanas, desfiles, folclore, formação de grêmios e nas festas de colação de grau e religiosas. 

Desfile estudantil da CNEC - Arquivo Aratuba Online

Numa época sem transporte, docentes leigos, sem material didático suficiente, sem FUNDEB, mas com muita garra, principalmente dos professores, muitos que passavam o dia trabalhando e à noite corriam ao Monsenhor José Barbosa para ensinar com um salário atrasado e sem dia certo para receber, mas eles estavam lá para dar o melhor de si. 

Desfile estudantil da CNEC - Arquivo Aratuba Online

Em Aratuba o “corpo” da CNEC deixou de existir mas a “alma” cenecista está muito presente. Como disse um aluno e professor da CNEC e hoje Diretor de Escola Nucleada, Jerly dos Santos: “Quem foi aluno da CNEC, hoje é autônomo e seguro de si, penso que esta é uma característica de um cenecista.” A força cenecista foi vista nos últimos anos durante os festejos do aniversário dos 39 anos do município em 1998 quando aconteceram várias competições de jogos, maratonas, ciclismo, salto em altura e distância entre as escolas Monsenhor José Barbosa, Escola Maria Júlia e Escola Joacy Pereira. E no quadro final a CNEC desbancou as Escolas Joacy Pereira e Maria Júlia com 3 troféus e 23 medalhas, entregues na própria quadra da CNEC. 

Valber (Aratuba Online)


As fontes de água de Aratuba fazem parte das bacias Metropolitana e do Rio Curu, sendo as principais fontes os rios do Aracaju, dos Tavares, o Rio Putiú (afluente do Rio Aracoiaba) e o Rio Pesqueiro, que deságua no Açude Pesqueiro (com barragem em Capistrano), bem como riachos tais quais o dos Barros, Bom Jardim, do Cedro, Esterteal, Furna da Onça, da Lagoa Nova e Salgadinho.

Aratuba em dia de muita chuva

Aratuba localiza-se no Maciço de Baturité, a uma altura média de novecentos metros acima do nível do mar, possuindo o núcleo urbano mais alto do estado do Ceará (a sede do município localiza-se a 945 metros de altura). Possui relevo bastante acidentado, sendo a principal elevação o Serrote da Benedita.


O ecoturismo é uma importante fonte de renda do município, devido às suas atrações naturais como a Reserva Ecológica de Aratuba e Reserva do Brejo.
Outra atração é a arquitetura da cidade, com as capelas do Tope e de Santa Rita, a Igreja Matriz São Francisco de Paula, a Casa de Cultura, a Casa Paroquial, o Engenho da Pindoba e a Mansão da Família Pereira.


Foto de 2008

O primeiro instrumento de apoio eclesial, preponderantemente destinado a reunir na povoação as características sociais de urbanismo, nasceu com a ideia de se erigir no reduto a sua capela. Houve como preferente hierático São Francisco de Paula. Essa ideia prosperou, reuniu adeptos, de sorte que em 1883, edificava-se a primitiva capela. No ano seguinte, graças ao florescente progresso religioso, criou-se a Freguesia cuja instalação data de 8 de janeiro de 1884, tendo como órgão subordinante o bispado de Fortaleza.

2008

O Governo Estadual tem no município os seguintes postos: Centro de Saúde Aratuba (Clínica médica), Posto de Saúde do Pai João (ambulatório para atendimento básico), Posto de Saúde de Jardim, (ambulatório para atendimento Básico), Posto de Saúde Serra Verde (ambulatório p/ atendimento básico), Posto de Saúde Mundo Novo, Posto de Saúde Cantinho. Há também o Ambulatório mantido pelo Sindicato do Trabalhadores Rurais de Aratuba, e o Ambulatório da LBA/ SOC/ de proteção à criança pobre de Aratuba.


Fontes: http://www.ceara.com.br, Wikipédia, IBGE e  Site Aratuba Online

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Parabéns Ceará



O Estado do Ceará comemora 214 anos de autonomia da Capitania de Pernambuco nesta quinta-feira, 17. Para celebrar a data, a Secretaria de Cultura (Secult), realiza uma série de ações durante todo o dia. A programação será realizada simultaneamente em Aquiraz, que foi a primeira capital do Estado, e Fortaleza.

O primeiro ato ocorre às 9h, na Praça da Matriz, em Aquiraz, com a presença do governador em exercício, Domingos Filho, e do titular da Secult, Francisco Pinheiro. 

Dia do Ceará - 17 de Janeiro de 2013. 

Aquiraz

9h00  -- Abertura oficial da programação alusiva ao Dia do Ceará
              - Hasteamento das bandeiras
             - Apresentação da Banda Música de Aquiraz – Execução do Hino de Aquiraz
             - Apresentação da Banda de Música da Polícia Militar – Execução Hino do Ceará
              - Apresentação artística de Rodolfo Forte – Execução, com acordeon, do Hino Nacional
           -  Pronunciamentos do Secretário de Cultura de Aquiraz - do Prefeito Municipal – do Secretário de Cultura do Estado e do Governador do Estado
10h00 - Visita guiada as obras de restauração da pintura do forro da Capela Mor da Igreja de São José de Ribamar
9h00 às 17h00 - Visitas guiadas ao Museu Sacro de Aquiraz
                             – Exposição de trabalhos produzidos em marchetaria pelo artista Sílvio Rabelo com temas sobre o Ceará do jangadeiro, Ceará religioso e literato. Anexo do Museu de Aquiraz
18h30 - Missa na Igreja São José de Ribamar
Festa de São Sebastião (Padroeiro de Aquiraz)


Fortaleza

Museu do Ceará

18h30 – Roda de Toré com os Índios Tapeba
19h00 – Mesa de abertura: Cristina Holanda (Museu do Ceará), Sílvia Barbosa (ADELCO – Associação para o Desenvolvimento Local Co-produzido) e Leno Farias (RENAFRO – Rede Nacional de Religiões de Matriz Africana e Saúde)
19h30 – Apresentação das exposições fotográficas “Echaporã” (Mayara Melo) e “Festa de Terreiro” (Salvino Lobo)
20h20 – Coquetel de abertura das exposições “Echaporã” e “Festa de Terreiro”. Apresentação do Afoxé Oxum Odolá.

Sobrado Dr. José Lourenço

09h00 às 17h00 - Visitas mediadas às exposições "Goiabeiras - Outros Mares" , do fotojornalista Dário Gabriel e "Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti", do fotógrafo Jarbas Oliveira.
10h00 – Oficina: Confecção de porta-retratos artesanais com Geórgia Viana
14h00 – Cine Clube Especial Dia do Ceará -
- A Arte Encantada de Luiz Hermano
- Perfil Sérvulo Esmeraldo
- Com o Oceano Inteiro para Nadar - Leonilson
- Grandes Personagens: Efraim Almeida
16H00 – Cafe Fotográfico em celebração ao Dia do Ceará com Dario Gabriel e Jarbas de Oliveira

Theatro José de Alencar

09h00 - Abertura de Portas com audição do Hino do Ceará
09h00 – 10h00 – 11h00 – 12h00 – 14h00 – 15h00 – 16h00 – 17h00 – Visita guiada ao TJA * No horário das 15h00 o guia é o bailarino Hugo Bianchi
09h00 às 17h00 – Saguão do TJA: Ceará em livros – Para consulta no local, publicações da SECULT
14h00 – Palco principal – Projeto Respeitável Público apresenta Teatro: “Heróis do Papelão", do Grupo Formosura
15h00 – Palco principal: Projeto Respeitável Público apresenta Dança “Primavera Flamenca” do Grupo Tablado
16h00 - Jardim do TJA – Projeto respeitável Público apresenta Música -"Grupo Quinteto Agreste”
18h00 – Saguão do TJA – Hora do Angelus – Tenor Franklin Dantas canta Ave Maria
18h10 – Palco principal – Violonista Marco Leonel Fukuda inicia temporada de lançamento do seu segundo CD “Jornada”


Fonte: Edimar Bento e Secult

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Lampião de Iguatu



Férias escolares. Entre meus 13 e 15 anos de idade. Viajava com tio Joanito. Ele inspecionava serviços de seu trabalho em cidades do Interior e eu aproveitava para conhecer novas terras, gentes e costumes. Certa feita, o destino foi o Açude Poços de Pedras, em Campos Sales, com permanência de três dias no Iguatu.

Durante o labor de tio Joanito, minha estada deu-se na casa de outro tio - o Pedrinho -, funcionário do Ministério da Agricultura e responsável pelo escritório do Campo Experimental de Irrigação do Bugi. Zé Humberto, um dos primos e de minha idade, em férias do Seminário do Crato, fez-se cicerone. De batina preta do pescoço aos pés, sob um Sol abrasador, desmanchando-se em suor, alegrava-se por ser meu guia. Vestir trajes não clericais, nem pensar. Seminaristas locais o denunciariam. E adeus ao sonho do papado. Batemos pernas por todo o centro da cidade. Aqui e acolá, ele me mostrava os principais locais públicos. Igrejas, praças, casas comerciais, de diversões e de serviços. Conheci a única alfaiataria. Propriedade de Mané Magro. E uma história ali passada. Caboclo rude, com alforje descosturado, entra e diz que seu patrão queria o reparo já, já. Informou haver ele cuspido no chão e, antes do cuspe secar, queria-o de volta, com o apetrecho consertado. Mané disse-lhe ser alfaiate, não sapateiro. E que seu patrão mandou-o bater em porta errada. "Pois isso! Dou o recado de vosmicê a Seu Belchior!".  Ao ouvir, Mané, de pronto, falou: "Homi de Deus! Pru que não disse logo de quem? Pra seu Belchior faço inté gibão! Decá a incumenda!". Belchior era tido e havido como o Lampião de Iguatu.

Geraldo Duarte
(Advogado e Dicionarista )

Imagem Cariri Cangaço

sábado, 8 de dezembro de 2012

Baturité



Baturité antiga - Vista parcial da cidade - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Região habitada por diversas etnias como os Potyguara, Jenipapo, Kanyndé, Choró e Quesito, recebeu a partir do século XVII diversas expedições militares e religiosas. Com a expulsão dos holandeses, a coroa portuguesa iniciou o processo de ocupação definitiva das terras cearenses que intensificou-se através da ocupação missionária pelos Jesuítas, a doação de sesmarias, busca de metais preciosos e a implantação da pecuária do Ceará.

Vista parcial da cidade - Foto mais recente que a primeira - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Em 1755, Baturité, ou melhor, Missão de Nossa Senhora da Palma, surge neste contexto como uma missão tendo como finalidade aldear os índios da região. Em 1759, com a expulsão dos Jesuítas, a missão foi elevada a condição de Vila com o nome de Monte-Mor o Novo d'América. Em 1791, nesta vila foi reunido aos Kanindé, Jenipapo um contingente de índios oriundos de missões em conflitos, como: os Jucá da Vila de S. Mateus, os Paiacu da Vila de Monte-Mor-o-Velho e da Vila de Portalegre.

 Local em frente a Escola Salesiano. Alunos da Escola Salesiano desfilando - Acervo do Historiador Artur Ricardo

Por causa do clima ameno e da água em abundância, Baturité e outros municípios vizinhos serviram de refúgio para populações sertanejas de cidades como Canindé e Quixadá, que ali se abrigaram durante a Seca dos Três Setes (1777 a 1793). Um marco da presença católica no município é o grupo de igrejas, conventos e mosteiros que ainda resistem ao tempo e alguns deles convertidos em hospedarias nos dias atuais.

Pintura da Avenida Proença - Atual Dr. João Paulino - Acervo do Historiador Artur Ricardo


Em 1824, Manoel Felipe Castelo Branco trouxe do Pará para Baturité, mudas de café, fato que trouxe transformações na atividade econômica e vida social local.

Na metade do século XIX, Baturité tinha como principal atividade econômica a cultura do café, chegando na época a deter 2% de toda a produção brasileira. Há relatos de que o café de Baturité era um dos mais apreciados nas cafeterias francesas. Com o crescimento da cultura do café surge a necessidade de uma via mais rápida de escoamento da produção para o Porto de Fortaleza, que era feita através das precárias estradas da época. Neste contexto, em 1870, um grupo de comerciantes lança a proposta de construir a primeira ferrovia no estado, constituindo juridicamente a Estrada de Ferro de Baturité e um porto em Fortaleza. Em 1882, é inaugurada a Estação Ferroviária de Baturité, pela qual o café foi transportado diretamente ao Porto de Fortaleza. Em 1921, com a expansão da estrada de ferro, Baturité recebe mais uma estação ferroviária, mais precisamente no povoado do Açudinho (hoje Alfredo Dutra).


Procissão Religiosa passando pela avenida Proença - Atual Dr. João Paulino - Acervo do Historiador Artur Ricardo

A cultura do café, entre 1870 até a superprodução e a superoferta de 1929, impulsiona a economia e a vida social de Baturité, bem com a modernização da cidade. A partir do início do século XX, Baturité vivenciou fortemente o movimento religioso da Ação Católica, principalmente com o vigário local Monsenhor Manoel Cândido e seu pupilo Ananias Arruda. Desse movimento católico surgiram vários prédios religiosos na cidade como: 

  • O Colégio Nossa Senhora Auxiliadora (1934)
  • O Colégio Salesiano Domingos Sávio (1932);
  • O Círculo Operário Católico de Baturité (1924);



 Avenida 7 de Setembro - Acervo do Historiador Artur Ricardo

  • A Escola Apostólica dos Jesuítas (1927)
  • 1882 - Inaugurada a Estação de Baturité da Estrada de Ferro de Baturité (marco no desenvolvimento da cidade);
  • A Central de Abastecimento de Água de Baturité pela firma Catão e Pinto - realização do Major Pedro Catão e do Cel. José Pinto do Carmo (30 de março de 1917);
  • O serviço de luz elétrica de Baturité (2 de junho de 1918), realização de Horácio Dutra. Em 1921 esta empresa foi transferida para o Cel. José Pinto do Carmo;
  • Em 1896 nasceu o Major Antônio Couto Pereira que, ainda jovem, foi morar com alguns familiares em Curitiba e em 1916 filiou-se ao Clube de Futebol Coritiba. Em 1926 foi presidente do clube pela primeira vez. O nome do estádio do time é em homenagem ao ilustre Antônio Couto Pereira. Ele é tio-avô do técnico em edificações e historiador cearense Gustavo Braga.

Praça Waldemar Falcão - Acervo do Historiador Artur Ricardo


O topônimo Baturité apresenta várias hipóteses etimológicas:


  • Para Paulino Nogueira, este vem do decomposto do Tupi BU (sair, rebentar, sair da fonte), TY (água) e ETE (boa) e significa sair água boa, uma alusão às inúmeras fontes de água cristalina que jorram da serra; ou uma corrutela do IBI (terra), TIRA (alta), ETÉ e significa serra;



  • Para José de Alencar, este vem de Baturieté (narceja: uma ave ilustre), que composta por Batuira e Eté, nome que honra o chefe Potyguara e na linguagem figurada significa valente nadador;



  • Para Von Martius vem da corrutela de Epo (por ventura) e ITA-ETË (aço) que significa certo aço;



Local onde seria construído a Escola Apostólica dos Jesuítas  - Acervo do Historiador Artur Ricardo


  • Para Pedro Catão, vem de Batu (monte serra) e Ete (desinência superlativa) e significa verdadeira serra, serra por excelência;



  • Antônio Martins Filho e Raimundo Girão diferenciam-se da versão de Paulino Nogueira apenas nos termos Tira, que seria Itira ou Atira (o monte, o monte), pois na análise fonética YBY, Y representa-se por I ou U, o que resultou para os portugueses IBI ou UBU e de ATYRA resultou ATURA. Compondo ficou IBATURA, BATURA com a queda da vogal inicial átona, fenômeno muito comum na acomodação portuguesa do Tupi. Desta forma BATURA (montão, monte de terra ou serra) e os índios juntaram o sufixo ETÉ (principal, a verdadeira ou real) e ficou BATUETÉ (serra verdadeira ou real). Para estes, a expressão Serra de Baturité é pleonástica, pois Baturité já significa serra.

  
Construção da Escola Apostólica dos Jesuítas  - Acervo do Historiador Artur Ricardo

Suas denominações originais eram Aldeias das Missões, Missão de Nossa Senhora da Palma, Palmas, depois Vila Real Monte-Mor o Novo da América e, desde 1858, Baturité.

Escola Apostólica dos Jesuítas - Acervo do Historiador Artur Ricardo

A cidade possui um clima bastante peculiar para esta região do Brasil. As máximas podem ultrapassar os 35°, chegando aos 37° nos dias mais quentes ou não passando de 30° em dias com muita nebulosidade. No entanto, o que faz a diferença são as mínimas, que podem chegar aos 18° nos meses mais frios (entre junho e agosto), sendo que a média mínima registrada nesse período é de 22°. A variação climática também é bastante expressiva, podendo ocorrer variações de 15° entre o período da manhã e da noite.

Rua 15 de Novembro - Baturité - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

A pluviometria média é de 1.088 mm com chuvas concentradas geralmente no final do ano (em dezembro) e duram até março sendo que neste último mês são registradas as maiores precipitações chegando a ocorrer tempestades com ventos fortes e raios. Porém, como em toda a Região Nordeste, as chuvas também são irregulares podendo ocasionar seca e racionamento de água, como o registrado entre os anos de 1998 e 1999 quando o principal reservatório de abastecimento da cidade, a Barragem Tijuquinha, chegou ao nível zero.

Curso de Esperanto de Baturité - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Relevo e solos

Localizado no Maciço de Baturité, tem relevo na sua grande parte montanhoso formado de maciços residuais e depressões sertanejas, tendo como a maior elevação localizado na serrota de São Francisco, cerca de 874 metros acima do nível do mar.

Recursos hídricos

O rio Putiú e rio Aracoiaba, juntamente com a Barragem Tijuquinha, são as maiores fontes de recursos hídricos para o abastecimento de água para o município. 
Os riachos como: das Lajes, do Padre, da Panta, da Pedra Aguda, Mucunã, Nilo, Pilar, Salgado, Santa Clara, Sinimbu, Supriano, completam os recursos hídricos deste município e juntamente com o rio Putiú,desaguam suas águas no rio Aracoiaba.

Vegetação

Caatinga arbustiva densa, floresta subcaducifólia tropical, floresta úmida semi-perenofólia, floresta úmida semi-caducifólia, floresta caducifólia e Mata Ciliar. Aqui existe uma APA (Área de Proteção Ambiental).


Vista da casa grande do sítio Bela Vista dos Maciéis, hoje o local deste sítio
        é Aratuba - 1908 - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Economia

Atualmente a economia de Baturité baseia-se principalmente na exploração do setor terciário da economia (comércio e prestação de serviços), na extração vegetal e em culturas de algodão, banana, arroz, milho, feijão, café e cana-de-açúcar, porém, assim como na maioria dos municípios cearenses (com exceção do café), esta ainda é feita com técnicas agrícolas rudimentares fazendo com que o solo empobreça e a produção seja insignificante em termos nacionais. Ainda assim, Baturité se destaca na sua região sendo um importante centro consumidor e abrigando sede de muitas empresas regionais. Com um comércio forte, base da economia do município, a cidade vem conseguindo muitos avanços na qualidade de vida da população e na modernização da cidade.
Ainda é importante destacar o cultivo do café, que embora tenha diminuído muito após a crise de 29 e outras crises na economia brasileira, vem crescendo, atualmente, utilizando-se a técnica do cultivo sombreado e 100% orgânico. Esse tipo de cultivo fez com que o café baturiteense ganhasse destaque nacional e internacionalmente por ser um produto de alta qualidade e saudável.


Sobrado dos Maciéis localizado próximo a Praça Santa Luzia, no centro.

Turismo

Outra fonte de renda do município é o turismo, com um grande potencial, mais que ainda precisa ser melhor explorado. Baturité possui uma APA (Área de Proteção Ambiental) nos remanescentes de Mata Atlântica existente no município, trilhas, cachoeiras, áreas propícias para prática de esportes de aventura e um grande acervo cultural espalhado por toda a cidade como museus, monumentos e edificações centenárias. 


Antiga estação de Baturité - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Antiga estação de Baturité - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel
  

Dentre esses podemos destacar:



  • Igreja Matriz;
  • Prédio da Cultura (hoje a sede da Sec. de Saúde);
  • Pelourinho (marco da fundação da cidade);
  • Palácio Entre Rios (antiga cadeia municipal e hoje sede da Prefeitura);
  • Museu Comendador Ananias Arruda;
  • Estrada de Ferro juntamente com a Estação Ferroviária (onde expõe obras de Olavo Dutra Alencar);
  • Via Sacra Pública de Baturité (com 365 degraus);
  • Imagem de Nossa Senhora de Fátima (exposta no alto do Morro da Via Sacra, a maior Imagem da Santa no mundo);
  • Igreja de Santa Luzia (inaugurada em 1879);
  • Antiga Escola Apostólica dos Jesuíta (atualmente conhecida como Mosteiro dos Jesuítas, funciona como casa de retiros, encontros religiosos, congressos, hospedagem e descanso. O prédio lembra um castelo medieval);
  • Mirante do Cruzeiro (magnífica obra de uma Cruz com 25m de altura sobre uma montanha. Monumento recém inaugurado).

Parador dos Jesuitas - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Estação de Ferro de Baturité - Arquivo Pessoal de Clóvis Acário Maciel

Cultura

Um dos principais eventos culturais da cidade são as Festas de Nossa Senhora da Palma, padroeira do município, que se realiza a partir do dia 15 de agosto e a Festa de Santa Luzia que se realiza a partir de 13 de dezembro. A feira livre, sempre realizada aos sábados, também já é um marco cultural na cidade e reúne feirantes da cidade e de regiões vizinhas. Espalhados pela cidade, principalmente pela região central, encontram-se casarões em estilo colonial construídos em meados do século XIX, época da fartura do café, alguns poucos tombados. Estátuas e bustos de baturiteenses notórios, como Ananias Arruda e Valdemar Falcão, estão expostos em praças que levam seus nomes. A influência da igreja católica na cultura da cidade é bastante expressiva. O monumento erguido à Nossa Senhora de Fátima, trazido de Portugal, pode ser visto de praticamente toda a cidade e muitos se aventuram em chegar lá vencendo seu acesso que possui 365 degraus. A bi-centenária igreja de Nossa Senhora da Palma, construída em 1762 no estilo bizantino com predominação no Barroco, é a única nesse estilo no Brasil e já serviu como depósito de pólvora na época da Confederação do Equador. No entanto, denota-se atualmente, a destruição progressiva de vários casarões e até monumentos históricos para ceder lugar a prédios comerciais. Não existem políticas de conscientização ou para restringir a degradação do patrimônio histórico de Baturité, que findará em breve.


Março/2005 época chuvosa. Nota-se vegetação verdejante e céu nublado. Acervo de Anderdavid

Outubro/2005 época de seca. A vegetação torna-se marrom, o clima quente e seco e o céu com poucas nuvens. Acervo de Anderdavid



Crédito: Wikipédia, Clóvis Acário Maciel e Artur Ricardo/Ana Margarida Furtado Arruda

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Praça de Iracema - Ipu



Monumento Iracema - Acervo Prof. Francisco Mello

A Praça de Iracema foi inauguração no dia 07 de setembro de 1927, pelo primeiro Prefeito eleito de Ipu, Cel. Felix Martins de Sousa, que na época a chamou de "Jardim de Iracema", localizado entre o Banco do Brasil e o prédio da antiga Telemar. 

Praça de Iracema - Ipu/Ce - Acervo Prof. Francisco Mello

"Sempre morei defronte a Praça de Iracema. Em minha infância, vivenciei a 1ª geração, a qual eu considero a mais bela de todas. Lembro-me das árvores, plantas, flores, das sementes e frutos que caíam ao solo, dos bancos de cimento e da calçada colorida recordo até das rachaduras. Lembro-me da linda Índia Iracema ao centro, cercada pela natureza.

 "Jardim de Iracema" - Acervo Prof. Francisco Mello

A 3ª geração é a que estamos vivenciando e que foi construída na gestão (2004-2008) da ex-prefeita Corrinha Torres. Após receber a praça em ruínas a transformou em uma nova praça.
Já a da 2ª geração tenho lembranças muito tristes. Foi na época da administração de Toinha Carlos (2000-2004). 


Monumento Iracema - Acervo Prof. Francisco Mello

Na década de 80 (86-87), a praça da 1ª geração foi destruída pelo prefeito a época, o sr. Flávio Mororó, e no local fora construída outra cheia de labirintos. Uma verdadeira aberração! Em 84 fui morar no RJ e ao retornar em 88, tomei um grande susto ao avistar a Praça de Iracema de cara nova, pois as minhas lembranças da 1ª geração haviam sido destruídas.


Acervo das fotos: http://www.netcina.com.br

Cruzar a Praça de Iracema durante a noite era perigoso, por causa da escuridão, cheia de labirintos e esconderijos. Os galhos das árvores não eram poupados, existiam grandes arbustos que servia de esconderijo de marginais. Havia um ponto de venda de drogas e usuários fumavam ali mesmo, por isso, surgiu o nome de "Praça da Maconha". A "Maria Homi", que praticamente morava na praça, mantinha ali mesmo os seus encontros amorosos com o "Scania" e outros parceiros que não recordo o nome. A praça virou um ponto de prostituição. Foi da janela de casa que presenciei tudo o que estou relatando e ficava recordando da 1ª geração: - Tão bela e maravilhosa que era a nossa praça!

Acervo da foto: http://www.netcina.com.br

Hoje, são com essas tristes lembranças da Praça de Iracema, que uma dia recebeu o nome de "Praça da Maconha", das ruas cheias de lixo e esburacadas e dos prédios públicos abandonados, que sinto repudio só em pensar que aqueles que participaram daquela triste e vergonhosa administração querem retornar ao comando de nossa cidade. Quem ama o Ipu não esquece!

Luiz Fernando Lopes

Estátuas do Guerreiro Branco e da Índia Iracema
(Personagens do Romace de José de Alencar)
Praça de Iracema - Centro da Cidade de Ipu
Reformada no ano de 2006. Acervo: Ipunoticias.net

Acervo: Viviane da Silva Nobre

"Plantada entre o Banco do Brasil e a Telemar, ainda hoje existe o Jardim de Iracema depois de passar por várias modificações desde a sua formação primeira até hoje quando é portadora de uma arquitetura das mais esdrúxulentas já acontecida na história administrativa deste município. A sua inauguração se deu no dia 07 de setembro de 1927, pelo primeiro Prefeito eleito de Ipu, Cel. Felix Martins de Sousa, que no ato inaugural pronunciou as palavras: “ESTÁ INAUGURADO O JARDIM DE IRACEMA”. Na sua forma arquitetônica inicial foi, arvorado um Coreto que servia para apresentações artísticas e outras mais. Outras modificações aconteceram, sendo construída no local do Coreto um Lago feio e sujo com uma Garça bem no centro que servia para os vândalos exercitarem as suas pontarias. Em seguida veio a terceira reforma, foi edificada com todas as pompas a Iracema, o nosso mito maior a única do mundo, foi destruída por um Prefeito que não sabe o que é crueldade e nem malvadeza e nem muito menos tem conhecimento de Cultura, é um estranho na terra de ninguém, um escatológico sem precedentes. Não sabe o que é Patrimônio Histórico, será um vândalo? Ou aquele produtor de cataclismo que aqui se instalou neste Ipu de todos nós. E assim foi realizado pelo inópio Prefeito a quarta reforma, sem planejamento sem uma sequência de passeios ou avenida ou até mesmo um local de lazer, mas está bem parecido com um local de esconderijo propiciando a marginalização e muito especialmente a prostituição. Quinta Reforma. Sofreu mais uma vez toda descaracterização parecendo mais um calçadão para passeios outros. As duas estátuas de Iracema e do Guerreiro Branco é um destaque aparte. Os Bancos sem uma originalidade sem igual. O jardim está bonito."

Prof. Francisco Mello


Créditos: Professor Francisco Melo, http://www.semaiipu.blogspot.com/ Luiz Fernando Lopes e www.netcina.com.br