Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Jaguaruana


A data da sua Criação é 4 de Setembro de 1865. Foi instalada em: 4 de Março de 1866. Toponímia: Onça Preta.

Chamou-se primitivamente, Catinga do Góes, União e finalmente o nome atual. Suas origens remontam às primeiras décadas da segunda metade do Século XVIII, quando em 1771, D. Feliciana Soares da Costa, viúva de Simão de Góes, doou terras para construir a primitiva capela. Com essa doação, além da capela, geraram-se em torno de sua liderança precedentes gregários dos quais se formaria o Município de Jaguaruana. 



As primeiras notícias sobre a origem da formação da atual cidade de Jaguaruana datam de
1761, quando Dona
Feliciana Soares da Costa, viúva de Simão de Góis, fez doação de terras para constituírem o patrimônio da capela que mandara levantar sob a invocação de Nossa Senhora Santana.

A escritura foi lavrada no Cartório de Aracati, presumindo-se, todavia, que a capela tenha
sido erigida três ou quatro anos antes, em virtude de, em 1760, ter-se realizado ali o casamento do médico José Baltazar Augery.

Primitivamente, a localidade denominava-se Caatinga do Góis, pelo fato de ter pertencido a Simão de Góis o sítio ou fazenda onde se formou o arraial e depois povoação desse nome.
O distrito de paz foi criado pela Câmara Municipal de Aracati, em 1832, não sendo, porém, efetivado. Sobrevindo a execução do Código de Processo Criminal, promulgado a 29 de novembro de 1832, aquela Câmara, em sessão de 17 de maio de 1833, manteve o distrito de Giqui, criado anteriormente, no qual ficou compreendido o território do distrito de Caatinga do Góis, implicitamente suprimido. Em 1858, entretanto, a sede do distrito de paz foi transferida de Giqui para Caatinga do Góis.

Antônio José de Freitas, estabelecido no povoado desde 1846, primeiro subdelegado do
distrito policial, criado em 1862, fundou, nesse mesmo ano, uma sociedade civil denominada 
União, composta de 33 membros, que se propunha à luta pela emancipação da Caatinga do Góis. 

Em 1863 foi instituída a Freguesia de Santana, inaugurando-se em meio a grandes festividades, aos 31 de janeiro do ano seguinte.

O Município surgiu dois anos mais tarde com território desmembrado do de Aracati e com
o nome de União. Posteriormente passou a chamar-se Jaguaruana


O Distrito foi criado com a denominação de União, pela lei provincial nº 1083, de 04-12-1863, 
subordinado ao município de Aracati. 
Elevado à categoria de vila com a denominação de União, pela lei Provincial nº 1183, de 
04-12-1865, desmembrado de Aracati. Sede na antiga povoação de Catinga do Góes. Instalado em 04-03-1866. Elevado à condição de cidade com a denominação de União, pelo decreto estadual nº 66, de 
11-09-1890. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito 
sede. 
Pelo ato estadual de 21-08-1913, é criado o distrito de Passagem de Pedras e anexado ao
município de União. 
Pelo decreto estadual nº 1156, de 04-12-1933, é criado o distrito de Borges e anexado ao 
município de União. 

Praça da Matriz

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município União aparece constituído de 4 distritos: União, Borges, Giqui e Passagem de Pedras.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas 31-XII-1936 e 31-XII-1937. 
Pelo decreto estadual nº 448, de 31-12-1938, o distrito de Passagem de Pedras passou a 
denominar-se Itaiçaba
Pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 30-12-1943, o município de União Tomou a denominação de Jaguaruana. 


No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 4
distritos: Jaguaruana (ex-União, Borges, Gigui e Itaiçaba). 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1955. Pela lei estadual nº 3338, de 15-09-1956, desmembra do município de Jaguaruana o distrito de Itaiçaba. Elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960 o município é constituído de 3 distritos: 
Jaguaruana, Borges e Gugui. 
Pela lei estadual nº 6876, de 13-12-1963, é criado o distrito de São José e anexado ao 
município de Jaguaruana. 


Em divisão territorial datada de 31-XII-1963 o município é constituído de 4 distritos:,
Jaguaruana, Borges, Gigui e São José. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1997. 
Pela lei municipal nº 0279, 28-04-1998, é criado o distrito de Saquinho e anexado ao 
município de Jaguaruana. 
Pela lei municipal nº 287, de 24-06-1998, criado o distrito de Santa Luzia e anexado ao 
município de Jaguaruana. 
Em divisão territorial datada de 2001, o município é constituído de 6 distritos: Jaguaruana,  
Borges, Gigui, Santa Luzia, São José do Lagamar (ex-São José) e Saquinho
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007. 

Mercado Público

Alteração toponímica municipal 

União para Jaguaruana, alterado pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 3-12-1943.
Evolução Política

Durante cerca de setenta anos, são escassas as referências sobre a evolução desse reduto, o que, entretanto, não exclui o seu crescimento que o colocaria em estágio de progresso. Com o advento da Lei Geral de 1830, que autoriza a criação de Distritos de Paz na Província, a povoação de Catinga de Góes figura no elenco das que seriam contempladas. Como forma de dar cumprimento ao disposto contido na Lei Geral, tem-se como instrumento de execução a Lei de 3 de dezembro de 1832, originária da Câmara Municipal do Aracati, ficando a instalação na dependência de autorização governamental. Essa autorização, no entanto, deixaria de ser expedida, considerando para tanto estar curada a capela da povoação, conforme se deduz de Ofício Presidencial datado de 23 de janeiro de 1833.

Igreja matriz Nossa Senhora Santana

Igreja: As primeiras manifestações de apoio eclesial datam do ano de 1761, quando da doação do patrimônio respectivo, feita por D. Feliciana Soares da Costa. Essa doação consta de escritura pública, lavrada no Cartório de Lázaro Lopes Bezerril, Tabelião do Aracati (06/10/1761). A capela, que terá sido edificada cerca de quatro anos antes do registro cartorário, a expensas de D. Feliciana, tem como padroeira Nossa Senhora Santana. Tem-se como instrumento de criação da Freguesia, a Lei nº 1.083, de 4 de dezembro de 1863, e canonicamente sacralizada a 19 de dezembro do mesmo ano. Consta como seu primeiro vigário o padre Alexandre Corrêa de Araújo Melo, natural do Aracati e empossado a 31 de janeiro de 1864.


Carnaval

O carnaval de Jaguaruana é sem dúvida a manifestação cultural que mais traz pessoas para o município. Onde os eventos mais tradicionais são: Mela-mela: é realizado na avenida e praça central do município, os festejos acontecem com bandas de axé, onde os foliões utilizam para sua diversão spray de espuma, farinha de trigo ou mesmo maisena. Festa no Rio Jaguaribe: acontece no período da manhã a beira do único rio que banha o município: O Rio Serafim, agitado por bandas de axé e as clássicas marchinhas carnavalescas no trio elétrico.
Em 2010 teve início a primeira micareta de Jaguaruana com o nome de Jaguar Fest.



Fontes: IBGE, http://www.ceara.com.br, Wikipédia, DB City.com e ajaguaruana

domingo, 14 de outubro de 2012

Cascavel


Rua principal de Cascavel do livro Terra Cearense 1925

Em 25 de fevereiro de 1694, DOMINGOS PAES BOTÃO e seu cunhado, JOÃO DA FONSECA FERREIRA, adquiriram uma DATA DE SESMARIA que denominaram SÍTIO CASCAVEL. A data de sesmaria era um pedaço de terra, às vezes de grande extensão, que o cidadão requeria ao Governo para plantar e criar. Botão e Ferreira habitavam o médio Jaguaribe, e perseguido pelos índios resolveram mudar-se para o litoral, onde não havia conflito entre os habitantes nativos (índios) e o colonizador português.

Rua Padre Valdevino

Foram estes dois homens - Domingos Paes Botão e João da Fonseca Ferreira, acompanhados de pequeno grupo de outros bravos pioneiros, os responsáveis pela primeira e real investida de colonização portuguesa das terras cascavelenses, por assentamento.

É verdade que outros aventureiros já haviam andado por aqui, mas não fizeram morada. Passaram realizando apenas o reconhecimento das terras, procurando saber se tinham boas condições de aproveitamento, se serviam para plantar e criar. Estes exploradores não se instalaram com suas famílias.


Barracões da rapadura e das frutas

Com Domingos Paes Botão e João da Fonseca Ferreira, porém, foi diferente. Eles aqui fixaram residência e permaneceram por algum tempo, até que transferiram suas terras para os parentes MANOEL RODRIGUES DA COSTA e sua mulher, FRANCISCA FERREIRA PESSOA, irmã de João da Fonseca Ferreira, construtores, em 1710, da Capela de Nossa Senhora do Ó.

Assim foi iniciada a colonização das terras de Cascavel. Mas, por que este nome? Por que CASCAVEL?

Certamente você vai gostar de saber como e por que os primeiros colonizadores puseram este nome, não? Logo o nome de uma cobra venenosa!

Por esta razão quiseram substituí-lo! Primeiro insistiram em São Bento, o santo protetor contra as picadas do perigoso ofídio. Não deu certo e, a não ser popularmente, jamais teve esta denominação, embora sua feira semanal, por alguns, ainda seja chamada de Feira de São Bento.


Matadouro Público

Também propuseram a mudança para Visconde do Rio Branco, Paranaguaçu e Piranji.

Como topônimo, isto é, como nome de lugar, Cascavel surgiu, oficialmente, pela primeira vez no Ceará, na sesmaria do citado Domingos Paes Botão e seu cunhado, João da Fonseca Ferreira.

Segundo seus mais antigos e idosos moradores, o nome teria surgido de viajantes e comboieiros, em suas travessias do Porto do Aracati para Fortaleza, ou vice-versa, que se arranchavam sob a copa de frondosos cajueiros existentes no meio da caminhada. Foi nesse local, antes mesmo da chegada de Domingos Paes Botão e João da Fonseca Ferreira, que algumas pessoas teriam encontrado um ninho de cobras cascavéis, ficando como ponto de referência para encontros, com a expressão "LÁ NA PARAGEM DA CASCAVEL" ou "LÁ NO NINHO DA CASCAVEL". Este fato teria levado os fundadores a adotar o nome de Sítio Cascavel para as suas terras.



Há quem afirme, porém, que o nome teria surgido por causa de uma cascavel que dava entrada à sesmaria de Manuel Rodrigues Bulhões e que seria ponto de encontro de comboieiros (hipótese mais provável). A cascavel é uma porteira de sítio, formada por dois mourões (estaca de madeira) perfurados, fincados no chão, distantes três ou quatro metros um do outro, com paus na horizontal, atravessando os furos dos dois lados, fechando a passagem.

Capela de Nossa Senhora do Ó em Cascavel - CE, tal como era 1859. Construção de pura alvenaria, típica do Ciclo do Gado. É sobremodo curiosa a ingenuidade dos calçamentos do frontão e do campanário lateral. Erguida em fins só século XVIII.

Evolução Política

Quase Século e meio decorrido sem que se alterasse o primitivo conceito de povoado, surgiu a Resolução do Conselho de Província, instrumento segundo o qual se deu sua elevação à categoria de Distrito (06/05/1833), constando sua instalação de 17 de outubro do mesmo ano. Sua elevação à categoria de Município ocorreu segundo Lei n° 2.039, de 2 de novembro de 1883.

O município de Cascavel localiza-se no litoral leste do Estado do Ceará, na Região Metropolitana de Fortaleza (desde 2009), constituída por 15 municípios.

Regionalização

Região Administrativa: 9

Microrregião de Planejamento: Litoral Leste/Jaguaribe

Mesorregião: Norte Cearense

Microrregião: Cascavel


Rua Direita e Praça da Matriz

Área

Cascavel ocupa uma extensão territorial de 837,421 km² (IBGE).

Posição geográfica

Latitude: 4° 07' 59" sul. São 459,3 km para o equador terrestre.

Longitude: 38° 14' 31" oeste.

Altitude

33,70m (nível do mar).

Ponto culminante: Serra do Brito – 246m.

Limites

Ao norte: Oceano Atlântico, Pindoretama e Aquiraz;

Ao sul: Beberibe e Ocara;

A leste: Beberibe;

A oeste: Pacajus, Horizonte e Chorozinho.

Distância da capital: 60 km pela CE-040 e 50 km em linha reta.

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH – 2000): 0,673.

Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM – 2008): 34,94.

PIB per capta: R$ 5.537,00 (IBGE/IPECE 2008).

PIB anual: R$ 370.996.000,00(IBGE/IPECE 2008).


Igreja da Matriz com o Cruzeiro

População

De acordo com o senso demográfico de 2010 (IBGE), a população do município é de 66.142 habitantes, com uma densidade demográfica de 79 hab/km². Com situação domiciliar urbana 56.157 habitantes (84,90%), e rural 9.985 (15,10%). Sendo 32.887 habitantes homens (49,72%) e 33.255 mulheres (50,28%). Taxa de crescimento populacional 2000-2010: 1,48%. É o 19º município cearense mais populoso.

Gentílico: cascavelense

Eleitores

No município de Cascavel estão cadastrados 51.476 eleitores distribuídos em 165 seções eleitorais (TRE/CE, 2012).


Praça do Poço - atual Praça do Hospital

Distritos

Quando o Município de Cascavel foi criado, em 1833, era constituído por quatro distritos: Cascavel, Lucas (hoje Beberibe), Sucatinga e Pedro de Sousa. Depois foram criados outros distritos: Pitombeiras (1876), Guanacés (1890), Baixinha, depois Pindoretama (1894) e Jacarecoara (1910).

De lá para cá sofreu várias alterações. Atualmente, tem a seguinte composição: Cascavel (sede), Cristais, Guanacés, Jacarecoara, Caponga e Pitombeiras.

CRISTAIS

Localiza-se no extremo sul do município, a 78 km da sede e à margem esquerda do rio Pirangi. É cortado pela BR-116. Por abundância de minerais (cristais) que afloram no solo, os moradores batizaram o lugar com esse nome. É o mais jovem distrito de Cascavel. Foi desmembrado do distrito de Pitombeiras em 20 de maio de 1993.

GUANACÉS

Localizado a oeste do município, a 11 km da sede, foi criado em 20 de outubro de 1890. O lugar Bananeiras, em 1943, recebeu novo nome em homenagem aos índios Anacés, Guanacé e Wanacé que habitaram o Vale do rio Choró e o litoral cearense. Por duas vezes, em 1963 e 2009, a população mobilizou-se, sem sucesso, no processo de autonomia municipal. A CE-253 corta a sede do distrito. A indústria JBS – Couros está instalada entre este distrito e o município de Pacajus.


Praça do Mercado

JACARECOARA

Localiza-se a leste à margem esquerda do rio Choró, a 9 km da sede. Significa jacaré exposto (quarando) ao sol, alusão que os antigos moradores faziam aos jacarés que predominavam na foz do rio Choró. Foi criado em 25 de janeiro de 1910. Na praia da Barra Nova, no século XIX funcionou o Porto Cozinha ou Porto Pilão.

CAPONGA

Localiza-se ao norte, no litoral a 14 km da sede. Origem do Tupi Ka' á põga – pequeno lago de água doce formado no solo arenoso do litoral; ou linha de pescar com a bola na ponta, em vez de anzol (cf. : HOUAISS). O distrito de Caponga foi criado em 22 de novembro de 1951. Em 2009, a população mobilizou-se, sem sucesso, num processo de autonomia administrativa.

PITOMBEIRAS

Localiza-se no sul do município a 82 km da sede. No povoamento da região fazia-se referência a um "pé de pitombeira", lugar onde se arranchavam comboieiros e outros viajantes a caminho do sertão ao litoral. Foi criado em 25 de agosto de 1876 (Fonte: Cascavel Didático).


Câmara Municipal

Economia

O município era essencialmente agrícola até bem pouco tempo, situação que mudou com a implantação da Companhia Industrial de Produtos AlimentíciosCipa e da Cascavel Castanha de Caju Cascaju, empresa de beneficiamento da castanha de caju (importante item de exportação do Ceará), implantada pelo cascavelense Edson Queiroz e inaugurada em 1969.

Outras indústrias – setor secundário – de grande porte instalaram-se no município para o beneficiamento do couro: Bermas (1999-2007), Bracol (2007-2010), Eagle Ottawa (2007) e JBS – Cascavel Couros Ltda. (2011). Há também microempresários na confecção de roupas, que abastecem o mercado local, sul do país e até o mercado internacional. Há um grande incremento no setor terciário da nossa economia: comércio, bancos, escolas, administração, saúde. Lojas de eletrodomésticos, roupas e supermercados vêm incrementando o comércio no município.

Na fruticultura o município produz: abacaxi, abacate, acerola, ata, banana, cajá, caju, cana-de-açúcar, ciriguela, coco, goiaba, graviola, limão, mamã, manga, mangaba, maracujá, melancia, murici, pitomba, sapoti, tamarindo, entre outras.

O município produz ainda: milho, batata-doce, cera da palha da carnaúba, feijão, jerimum, macaxeira, mamona, mandioca e tem um representativo rebanho de bovinos, equinos, asininos, muares, suínos, caprinos, ovinos além da produção de leite, aves domésticas, frangos e ovos de granjas que abastecem outros mercados.

As praias, com hábeis jangadeiros, são abundantes em peixes de grande variedade, lagostas (segundo item de exportação do Ceará) e mariscos dos mangues.

Para o aproveitamento de alguns produtos, existem pequenas fábricas de aguardente, de farinha de mandioca e de rapadura. Os principais recursos minerais são o diatomito (fabricação de tijolo branco, tijolo industrializado com furos e telhas), o berilo o caulim (CASCAVEL DIDÁTICO, 2012). 



Rua Direita e o Prédio do Cinema

Artesanato e cultura

Visitando Cascavel não deixe de conhecer a Feira Livre de São Bento, segunda maior do Brasil, perdendo apenas para a de Caruaru no Pernambuco. Mais de 800 feirantes reúnem-se todos os sábados de manhã no centro da cidade. Lá você encontrará de tudo: do hortifrutigranjeiro a rapadura, da confecção a galinha viva, do eletrodoméstico ao artesanato local. Atualmente a prefeitura, em parceria com o BNB, está modernizando e padronizando as barracas da área destinada ao artesanato, mas com o tempo essa melhoria irá se estender a toda a feira.

O artesanato é um forte destaque de Cascavel. Na cidade, mais de 200 pessoas vivem da produção do artesanato de barro. No Sítio Boa Fé, distrito de Moita Redonda, 15 famílias produzem as mais variadas peças de cerâmica em uma técnica passada de pai para filho. As peças são vendidas em todo o Brasil e em países como Itália e Portugal. A família Muniz é uma das mais conhecidas, principalmente depois que passou a incrustar desenhos de renda nas peças. O barro utilizado como matéria-prima provém do rio Choró. O diferencial de qualidade nas peças produzidas em Moita Redonda, segundo contam, é o alisamento com a semente da Mucunã praticado pelos artesãos locais. Um dos frutos do artesanato da comunidade é a Orquestra de Barro, grupo musical formado só com instrumentos feitos do material.

Já na Comunidade da Bica, a arte é a confecção de móveis e objetos de decoração com o cipó-de-fogo. As peças são produzidas em sua maioria pelos homens, e o destaque na localidade é a família Silva. A atividade nasceu da produção de móveis e caçuás para os próprios moradores, e é hoje procurado por turistas brasileiros e estrangeiros. A produção inclui ainda jarros, objetos natalinos, porta-retratos, potes, luminárias, entre outros. O Polo de Artesanato de Cascavel está localizado no trevo da CE 040.

O casario colonial da cidade, datado do início do século passado, conta um pouco da história do próprio Ceará.



Fontes: Cascavel Didático - Edições Colégio Cascavelense e http://www.cascavel.ce.gov.br

domingo, 16 de setembro de 2012

Último "Presidente" do Estado do Ceará durante a República Velha (1889-1930) - Dr. Matos Peixoto


Dr. José Carlos de Matos Peixoto - Foto do Arquivo Nirez

Em uma quarta-feira, 12 de março de 1884, nasceu em Iguatú (antiga Telha), no Ceará, José Carlos de Matos Peixoto, filho do advogado provisionado Miguel da Silva Peixoto e da professora (particular) Isabel de Matos Peixoto. Viveu a sua primeira infância na cidade vizinha de Icó, aprendendo a ler, contar e escrever, em casa, com sua mãe. Ainda ali, cursou o primário.
Transferiu-se para Fortaleza, iniciou e concluiu o curso secundário no afamado Ginásio Cearense, do professor Anacleto Queiroz, a quem acompanhou, como docente, em sua viagem a Manaus, quando aquele educador, a convite de Constantino Neri, presidente do Amazonas, foi fundar naquela capital o Instituto Amazonense.
Em 1904, voltou ao ceará, fixando-se em Fortaleza, onde durante alguns anos, ensinou no Instituto de Humanidades, do professor Joaquim Nogueira. Por essa época, matricula-se na Faculdade de Direito do Ceará, sob a direção do Dr. Antonio Pinto Nogueira Acioli, Bacharelando-se em 8 de dezembro de 1909.
Apesar de ser aluno muito esforçado, ainda encontrava tempo para trabalhar como censor de sua antiga escola, o Ginásio Cearense. Advogado recém-formado lecionou, a partir de 1911, Português no instituto de Humanidades; Latim e Português, no Colégio Nossa Senhora do Carmo. Em 1914, foi nomeado catedrático de direito civil da Faculdade de Direito Ceará.
Em 1924, estreou nas letras, publicando A reforma da Constituição Cearense.
Poliglota, exímio latinista, ganhou notoriedade jurídica como advogado civilista e constitucionalista. Dentre seus clientes, merecem menção a South American Company Limited, com sede em Londres e arrendatário da Estrada de Ferro de baturité, e The Ceará Tramway Light and Power, Company Limited.
Esta experiência lhe forneceu subsídio suficiente para, em 1926, publicar o seu segundo trabalho jurídico: A natureza do Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica.
O Dr. José Carlos de Matos Peixoto foi eleito membro da Academia Cearense de Letras, ocupante da cadeira número 10, que tem como patrono o filósofo Raimundo de Farias Brito.
Convidado a compor a equipe de trabalho do sobralense Desembargador Presidente do Ceará José Moreira da Rocha, tomou posse da secretaria de interior e justiça em 12 de junho de 1924. Ao secretário José Carlos de Matos Peixoto o povo cearense deve, dentre outra ações:


a)
A nova reforma da Constituição do Estado do Ceará, promulgada em 24 de setembro de 1925, na qual ficou consagrada, numa primazia do Ceará, a instituição do voto secreto no Brasil;
b)
A execução da lei que determinava a escolha dos prefeitos municipais por meio do voto popular;
c)
A instalação do Conselho Penitenciário;
d)
A reforma na Organização Judiciária; e
e)
A melhoria das Colônias Correcionais Agrícolas.

Em 15 de novembro de 1926, assumiu a Presidência da República, o fluminense ex-presidente do Estado de São Paulo (1920-1924), Washington Luis Pereira de Sousa, em viagem pelo país, visitou o Ceará, desentendendo-se com o presidente estadual, Matos Peixoto a propósito de sua intenção de adotar o modelo político de seu antecessor, Artur da Silva Bernardes (1922-1926), com tendência oligárquica, cerceando a liberdade de imprensa e a negativa de anistia aos revolucionários tenentistas exilados.
Acometido de grave enfermidade, o presidente desembargador José Moreira da Rocha transferiu a presidência do estado ao Presidente da Assembléia, Eduardo Henrique Girão, em 19 de maio de 1928. Ato continuo, todo o secretariado entregou o cargo. José Carlos de Matos Peixoto aproveitou, então, para dedicar-se à sua candidatura a presidência do estado.
Eleito Presidente do Ceará, pelo acordo de todos os partidos, o Dr. Matos Peixoto assumiu o cargo, juntamente com seu vice-presidente Demóstenes Alves de Carvalho, em 12 de julho de 1928, um mês e vinte e quatro dias depois de haver deixado a Secretaria de Interior e Justiça do Estado.
O Presidente Matos Peixoto iniciou a sua administração enfrentando as agruras de uma seca parcial que resultou na imigração de 4.128 cearenses pelo Porto de Fortaleza. Em 15 de novembro de 1928 promoveu as eleições municipais do seu estado, cercado das mais eficientes garantias, o direito do voto.
Atento a repressão ao banditismo, sancionou a lei nº 2.673, de 23 de julho de 1928, criando a Secretaria de Polícia e Segurança Pública, melhorando o nível da policia militar, através da cooperação de instrutores do exército, e transformando a guarda civil em guarda cívica, dando aos seus membros o mesmo aperfeiçoamento adotado na policia militar, fazendo-o, porém, com instrutores civis graduados em direito e em medicina.
Em 1929, o caos. Em consequência de uma crise internacional remanescente da I Guerra Mundial, a Bolsa de Nova York quebrou. Os capitais privados aplicados no Brasil, principalmente em indústrias têxteis e oleaginosas, voltaram a seus países de origem. O algodão, a mamona, a oiticica e a cera de carnaúba, sustentáculo da economia cearense, deixaram de ser vendidas no exterior. Imediatamente, o presidente Matos Peixoto encaminhou a Assembléia Legislativa projeto de lei que, votado e aprovado em regime de urgência, resultou na Lei nº 2.722, de 4 de outubro de 1929, criando a Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas e instituindo um fundo especial que permitiu ao Governador concretizar diversas iniciativas úteis ao progresso do Ceará, tais como vários campos de cooperação de algodão e a fazenda de sementes no município de Quixadá.
O presidente Matos Peixoto não se descuidou da saúde pública dos cearenses, construiu e instalou o Abrigo Hospital Demóstenes de Carvalho, destinado ao atendimento aos menores carentes. Em convênio com os municípios, edificou e equipou vários postos de saúde. Em colaboração com Padre Cícero Romão Batista, dotou Juazeiro do Norte de uma enfermaria. Criou o serviço itinerante ferroviário contra a Bouba, em convênio com a Rede Viação Cearense, e o serviço de socorro aos banhistas. Reformou e ampliou o Leprosário Canafístula.
O ensino primário recebeu o incremento de cem novas escolas. E a assistência medica - escolar foi ampliada com o atendimento odontológico.
Em 22 de julho de 1929, faleceu o vice-presidente Demóstenes Alves de Carvalho, havendo sido substituído pelo professor Benedito Augusto Carvalho dos Santos.
Aproximava-se o termino do mandato de Washington Luis Pereira de Souza na Presidência da República. Como forma conciliatória, ele, que era fluminense, de Macaé, apontou para sucedê-lo o paulista Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, deputado estadual em 1909, federal em 1924 e presidente do Estado de São Paulo desde 1927, e como vice Vital Henrique Baptista Soares. Os seus opositores, o partido Libertador do Rio Grande do Sul, o partido Democrático de São Paulo, a Parahíba do Norte e tenentistas revolucionários, insatisfeitos com a oligarquia nos estados e a hegemonia dos chefes políticos paulistas e mineiros, reunidos no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, se coligaram, formando a aliança liberal e lançaram a candidatura do gaúcho Dr. Getulio Dornelles Vargas (presidente do Rio Grande do Sul e ex-ministro de Washington Luis), à presidência da república, e do parahibano Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque presidente da Parahíba), a vice-presidência. Esta decisão oposicionista foi tornada pública em memorável comício na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1929, quando Getúlio, depois de pedir o voto secreto e a direção das mesas eleitorais pela justiça togada, leu a sua plataforma:
1) anistia; 2) amparo irrestrito ao trabalhador; 3) esquecimento de ódio e prevenções.
Contrariamente a serenidade de Getúlio, a ala revolucionária de seu grupo se mostrava disposta a ir as ultimas consequências diante de uma eleição de resultados previamente conhecidos. Foi durante um desses embates acalorados entre parlamentares de facções contrarias que tombou sem vida o deputado Sousa Filho, da bancada pernambucana favorável a vitória do Dr. Júlio Prestes.
Um mês depois, chegou a Fortaleza a primeira caravana da aliança liberal, liderada pelo deputado Augusto de Lima, acolitado por Bruno Lobo, Agripino Nazaré, Alcides Carneiro e outros. Houve repressão policial. Doze dias mais tarde, uma nova comitiva liberal aportou em Fortaleza: Batista Luzardo, Paulo Duarte, Gustavo Capanema e Raul Bittencourt. Foi armado palanque não mais na Praça do Ferreira, como na vez anterior, mas no jardim residencial do professor Morais Correia, na Praça Fernandes Vieira, obstaculando a ação policial. No dia seguinte, os caravaneiros se dirigiram ao Cariri, onde demoraram até o dia 21, quando regressaram a Fortaleza, em direção ao Maranhão.
Em março de 1930, Júlio Prestes foi eleito Presidente da república.
A aliança liberal não se conformou com resultado eleitoral. Em silencio, foi tramada a revanche.
Em 26 de julho do mesmo ano, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Presidente da Parahíba do Norte, foi assassinado em Recife, Pernambuco, pelo Dr. João Dantas, acentuando-se, ainda mais o repúdio ao governo central.
Após 6 meses de confabulações e planos de ação esquematizadas para todo o país, com previsão de supostas reações em cada estado, às 17:30 de uma sexta-feira, 3 de outubro de 1930, foi deflagrada a revolução, com assaltos as unidades militares por grupos armados, altamente treinados para este fim, liderados por homens de escol e determinados ao sacrifício da própria vida pela realização de seus ideais. Em alguns estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba do Norte e Pernambuco, houve embates demorados com a perda de oficiais superiores; em outros, como Paraná, Pará, Maranhão, Piauhí e Ceará, os governantes aderiam aos revoltosos ou abandonaram seus postos.
Em 8 de outubro de1930, o presidente Matos Peixoto abandonou a presidência do Ceará, refugiando-se no navio Itanagé. O povo aclamou seu substituto o Dr. Manuel do Nascimento Fernandes Távora.
Às 17:00 do dia 24 de outubro, o presidente Washington Luis, acompanhado do cardeal Dom Sebastião Leme, desceu as escadas do Palácio do Catete (sede do governo central), seguindo ambos de automóvel para o Forte de Copacabana.
No mesmo dia, uma junta governativa constituída pelo general Augusto Tasso Fragoso, general João de Deus Mena Barreto e almirante Isaias de Noronha, assumiu os destinos do Brasil, enquanto o Dr. Getúlio Vargas se deslocava para o Rio de Janeiro.
Em 3 de novembro, o Dr. Getulio Dornelles Vargas tomou posse como chefe do governo provisório: “assumo, provisoriamente, o Governo da República como delegado da Revolução, em nome de Exército, da Marinha e do povo brasileiro”, disse.
No Distrito Federal, ex-presidente Matos Peixoto foi aprovado em concurso público para a cátedra de Direito Romano da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Concomitantemente, ensinava a mesma disciplina na escola de Direito de Niterói. A Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil deu a ele o titulo de “Professor Emérito”.
Foi eleito Deputado Federal. Aproveitando o ramo tempo ocioso, escreveu: Posse e Direitos Pessoais e Recurso Extraordinários (1935), Corpus e Animus na Posse, em direito Romano (1938), Aval e outorga Uxória (1939), A técnica Jurídica de Teixeira de Freitas (1941), Curso de Direito Romano (1943), Progresso Legislativo Pátrio: Aula de Sapiência (1953) e Em defesa de Clovis Bevilacqua (1959).
Dr. Matos Peixoto veio a falecer em 25 de janeiro de 1976 no Rio de Janeiro.



Matéria – Santana Júnior 



BIBLIOGRAFIA

ARAGÃO, R. Batista, Historia do ceará: síntese Didática. Vol. I Fortaleza: imprensa oficial do Ceará,1987.
BARROSO, José Parsifal, Uma história da política do Ceará (1889-1954). Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil S.A, 1984.
Estado do Ceará, terra cearense, Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1925.
GIRÃO, Raimundo, Pequena historia do ceará, Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971.
PINTO, Luis, Synthese histórica da Parahyba(1501-1938). João Pessoa, imprensa oficial da Paraíba, 1938.
TÁVORA, Juarez (Marechal). Uma vida e muitas lutas: Memórias-1- de planície a borda do altiplano vol. I. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Biblioteca do exercito- editora e livraria José Olympio Editora, 1973.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Raízes do Coronelismo no Brasil e a revolução de 30




A pedido de Padre Cícero Romão Batista, primeiro Prefeito de Juazeiro do Norte (na verdade ele foi intendente-nomeado), reúnem-se nesta cidade, em outubro de 1911, chefes políticos de 17 Municípios do Ceará, para instituírem o que ficaria conhecido como o “Pacto dos Coronéis”.
Visava o referido pacto além de outros objetivos os de dar sustentação política no estado ao homem considerado o “dono do Ceará”, Antonio Pinto Nogueira Acióli.

Desse encontro resultou o episódio conhecido como sedição de Juazeiro, quando os Jagunços de Floro Bartolomeu (Braço Militar de Padre Cícero), invadem Fortaleza em 14 de março de 1914 e derrubam o Presidente do Estado, instituído pela política das Salvações, Coronel Marcos Franco Rabelo.

Fora justamente para fazer contra-ponto ao poder dos “Coronéis”, principalmente no Nordeste (e habilmente usados pelo senador gaúcho Pinheiro Machado), que o Presidente Hermes da Fonseca instituiu a “Política das Salvações”, que consistia na troca de comando nos estados, de velhos oligarcas por indicados pelo Presidente.

Na década de 30, dos 1800, o então ministro da Justiça, Padre Diogo Antônio Feijó criou a “Guarda Nacional”; para manter a ordem no país, defender o latifúndio e a monarquia escravista. Formada principalmente por membros da elite agrária, tendo sua maior patente de comando a de “Coronel”. Devido o preço das patentes vendidas pelo governo ser muito alto, só os grandes fazendeiros podiam comprar, e consequentemente ser considerados, “Coronéis”.

Isso aumentou o poder dos latifundiários brasileiros, pois lhes dava o direito de ter sob seu comando uma força militar particular. Estava formada assim a base para o coronelismo no Brasil, evidenciado sobremaneira no Nordeste e principalmente durante a República Velha, (1889 – 1930).

 

Crédito da fotomontagem: Educacimba

Em consequência das humilhações dos “Coronéis” imposta ao povo nordestino, alguns migraram para lugares como Belo Monte, mais conhecido como Arraial de Canudos, que em 1893 reunem-se, em volta de Antônio Conselheiro, milhares de nordestinos enfrentando a fúria da recém proclamada República, e a desconfiança da Igreja Católica, (sendo posteriormente dizimados por forças da União), ou se juntavam a bandos armados como os de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, imortalizado no filme de Ariano Suassuna, o Auto da Compadecida).

Grandes e pequenos latifundiários (donos de terras improdutivas), os “Coronéis” foram auxílio indispensável à manutenção de poder pelas oligarquias, locais, estaduais e federais, quando eles mesmos não se confundiam com tais. Comprometiam-se com a eleição de determinado candidato, usando para angariar favores e vantagens os votos de seu “curral eleitoral”, (os chamados “Votos de Cabresto”, pois os eleitores votavam em quem o seu chefe, o Coronel, mandava, ou assinava a cédula de votação sem saber às vezes nem em quem estava votando).

Quanto ao voto, na primeira constituição brasileira outorgada, (ou imposta ao povo), em março de 1824 estipulava que o voto seria censitário, ou seja, para votar ou ser candidato o cidadão deveria ter determinada renda anual.

Exemplo:

Para votar o “cidadão” teria de ter renda anual de cem mil reis.
Para ser Deputado Federal a renda estipulada era de Quatrocentos mil reis.
Para ser Senador a quantia estipulada era de Oitocentos mil reis.

Já na primeira constituição republicana ficou estabelecido que o voto não mais seria censitário, passando a ser universal. Todo “cidadão” maior de 21 anos podia votar, (excluindo-se mulheres, analfabetos, mendigos...).

Mas, o voto ainda não era secreto, podendo ser, como era ,manipulado pelos “Coronéis”.

Em luta pela hegemonia política do estado da Paraíba encontrava-se o então Presidente do Estado, sobrinho do ex-Presidente da República Epitácio Pessoa, Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, ao grupo do “Coronel” Pereira Lima, chefe político da Cidade de São José de Princesa. Fato que confirmava o poder dos “coronéis” no sertão do Nordeste e que culminou tragicamente, em 26 de Julho de 1930, no Recife com a morte do Advogado e Presidente do Estado Dr. João Pessoa. Assassinado na confeitaria Glória pelo também advogado simpatizante do “Coronel” Pereira Lima, Dr. João Dantas.

Foi o assassinato de Dr. João Pessoa o estopim da “Revolução de 30”, a qual completa 82 anos, marco divisor na história política do Brasil...

Santana Junior

"Na campanha política de 2012, (prefeitos e vereadores), muito tem se falado de "coronéis", principalmente acusações mútuas entre a maior "oligarquia"do estado hoje: Família Ferreira Gomes e a Prefeita de Fortaleza, Luiziane Lins. Mas, como começou no Brasil a história do coronelismo? Porque foi tão marcante ao ponto de se traçarem paralelos até hoje? Esse é um artigo de autoria nossa, espero que os meus diletos amigos gostem. Dedicatória especial ao Adriano Duarte e a Leila Nobre (Fortaleza Nobre).



Agradeço ao amigo Santana Júnior, texto maravilhoso!



domingo, 2 de setembro de 2012

Uruburetama



Por se tratar de uma cidade histórica, Uruburetama apresenta nas histórias contadas por antigos, diversos mistérios. Um desses mistérios relata uma peste que assolou a cidade provavelmente no fim do século XIX ou começo do século XX, não sabendo-se ainda a data precisa. Conta-se da morte de milhares tendo o antigo cemitério não comportado tantos corpos. Esses corpos tiveram de ser enterrados numa vala comum em algum lugar da Serra do Junqueira, nos arredores da sede municipal, não sabendo-se a localização precisa dessa vala. Relata-se que foi dessa época a realocação dos corpos do antigo cemitério, ao redor da Igreja de São João de Uruburetama, para o atual cemitério, após os moradores perceberem a necessidade de um novo cemitério.


Chamou-se inicialmente Serra dos Corvos, Arraial, São João da Uruburetama, São João do Arraial e Arraial. Suas origens, pelo menos no que se refere ao período inteiramente indígena, remontam ao início do Século XVII, consignando-se as primeiras referências em janeiro de 1607, quando por essa montanha erma transitaram os padres Francisco Pinto e Luiz Figueira. Seriam as terras, segundo refere o padre Figueira, aquelas nas quais deveriam estar reunidas todas as pragas do Brasil. Em termos de colonização  essas origens se modificam, passando a oferecer referências cujos registros datam do Século XVIII.


O município situa-se na antiga sesmaria concedida ao capitão-mor Bento Coelho de Morais, em 19 de novembro de 1720.
Essas terras foram doadas ao padre Estevão Velho Cabral de Melo para patrimônio sacerdotal por Manuel Pereira Pinto, tenente-coronel, que as recebera de herança do capitão-mor Bento Coelho de Morais, seu sogro.
Em 1761, surgiu, pela primeira vez, o topônimo "Sítio Arraial", num documento em que o padre Estevão revertia as terras aos seus doadores, reservando para si apenas um quarto de légua.
Em 1878, os padres João Francisco Dias Nogueira e José Tomaz de Albuquerque concluíram a atual igreja matriz graças a doações do povo.
Em 1º de agosto de 1890, pelo Decreto 34, o povoado foi elevado a vila com o topônimo de São João do Arraial. Porém, no ano seguinte, por termo judicial, o município foi extinto e anexado aos municípios de São Francisco (atual Itapajé) e Itapipoca.
Em 28 de julho de 1899, através da Lei 526, o município foi restaurado com a denominação de São João de Uruburetama.
A vila foi elevada à categoria de cidade com a denominação de Arraial em 1931, em virtude do Decreto Estadual 262, de 28 de julho de 1931. No entanto, essa denominação foi substituída pela de Uruburetama em 1938. Na época, o município compunha-se dos distritos: Uruburetama (sede), Curu (atual São Luís do Curu), Natavidade (Cemoaba), Riachuelo (atual Umirim) e Tururu, todos independentes atualmente.
Atualmente o município compõe-se dos distritos da Sede, Santa Luzia, Itacolomy, Retiro, Severino, Canto Escuro, Bananal e Tamboatá.


Os primeiros indícios de evolução política provêm da criação do Distrito da Paz, evento que tem apoio a Lei nº 1.277, de 18 de setembro de 1869, a primitiva denominação. Havia como advento da Lei nº 1.362, de 5 de setembro de 1874, transferindo-a para a jurisdição de São Francisco (Itapajé). Em Lei nº 1.771, de 19 de novembro de 1879, dá-se o retorno do juizado para o Termo de Imperatriz. Retorna ao Termo de São Francisco, conforme Dec-Lei nº 17, de 11 de abril de 1890, criando-se no ano seguinte o próprio Termo Judiciário (1891).
A elevação do povoado a categoria de Vila provêm do Dec-Lei nº 34, de 1º de agosto de 1890, tendo sido instalado a 19  do mesmo mês e ano.

Igreja Matriz  - Gustavo Elienay

Igreja Matriz em Uruburetama - Foto de Fco Edson Mendonça

As primeiras manifestações de apoio eclesial provêm de documento firmado por Pedro José do Monte, datado de 23 de junho de 1824, doando de suas terras trezentas braças em quadro, para construção da capela, cujo orago teria como padroeiro São João Batista. Esse primitivo nicho permaneceu inalterado, pelo menos até que a 31 de agosto de 1843, por decisão do padre Luiz Antônio da Rocha Lima, vigário da Freguesia de São Bento de Amontada, concede-se licença a Manuel Barbosa para angariar donativos em benefício da construção de nova capela. Essa Segunda capela, cuja finalidade seria reconstruir o primitivo templo, adaptando-o igualmente ao assentamento da Igreja-Matriz, logrou-se alcançar o sucesso programado.

Sua população, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010, é de 19 765 pessoas.

"Uruburetama" é uma palavra tupi que significa "terra dos urubus", através da junção dos termos uru'bu ("urubu") e retama ("terra").


Fontes: http://www.ceara.com.br e Wikipédia