Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

.

domingo, 23 de outubro de 2016

Camocim - Início de um grande caminho



"O ancoradouro, denominado pelos nativos de Camocim, constou do levantamento cartográfico com o nome de Rio da Cruz ou Foz do rio Coreaú, no percurso extensivo ao atual Município de Granja.
Pero Coelho de Souza aos 19 de outubro de 1604 aportou no Ancoradouro do Rio da Cruz, sendo essas as primeiras referências que datam, quando cartograficamente identificou-se a nomenclatura costeira, a começar de Tutóia no Maranhão aos limites finais entre Ceará e Rio Grande do Norte, quando Pero partiu no dia seguinte rumo a Ibiapaba.


Em 1656, esteve em visita o Padre Antônio Vieira à Ibiapaba, e o Governador do Maranhão autorizou a construção de Forte em Camocim, na suposição de que os Índios Tabajaras não recebessem pacificamente o ilustre visitante. O Forte não passou de simples projeto. O novo aldeamento do Rio Cruz, instalado no extremo-sul da foz do Coreaú, se presume tenha sido no final da extensão Granja – Camocim, pois, no começo do Século XVII, o padre Ascenço Gago havia instalado várias tribos, retiradas da Missão da Tabainha, na foz do rio. A povoação dominada por índios Tremembés sofria assédios, por embarcações em tráfego querendo pousada. Assim nasceu Camocim que tem na Toponímia a seguinte tradução indígena: “Comucim = Buraco para enterrar mortos”.


Nascida no berço de Granja, Camocim que já tinha sido “Povoado Rio da Cruz” foi elevada à categoria de Vila por força da lei nº. 1.786 de 23 de dezembro de 1778, com o nome de Barra do Camocim, cuja instalação se deu em 8 de janeiro de 1783. Foram os estudos da Construção da Estrada de Ferro de Sobral em 1878 que motivou o desmembramento de Camocim da jurisdição de Granja, por conta da lei nº. 1.849 de 29 de setembro de 1879.



A primitiva capela, dedicada ao Bom Jesus dos Navegantes, teve início de obras em 1880, obedecendo a planta e orientação do engenheiro José Privat, responsável pela construção da Ferrovia Camocim - Sobral.
Com a EFS em pleno funcionamento com cargas e transporte de passageiros, numa perfeita conexão com a próspera cidade de Sobral desde 1882, o Presidente da Província cearense Henrique Francisco D'ávila, após a visita Ilustre do Conde D'eu (esposo da Princesa Isabel) e que esteve em Camocim, autorizou segundo a lei nº. 2.162, que aos 17 de agosto de 1889 Camocim se transformasse em Município.
Camocim que, teve todo o seu atrativo econômico concomitante com Aracati, tinha portos melhores do que Fortaleza.
Camocim, bem como os municípios vizinhos em direção à Sobral, e que eram servidos por ferrovia, foram bruscamente interrompidos com a erradicação de seu trem, assunto este que o leitor pode observar no Volume 01 no capítulo que fala sobre a Rede de Viação Cearense.
Mas o que é bonito deve ser conservado e, Camocim com a ilha do amor, e suas belas praias sobrevive tanto do turismo histórico e ecológico bem como da indústria e comércio.
Lá é a terra de Euclides Pinto Martins e de tantos ilustres; é só visitar e temos muitas histórias para se ouvir, e do trem nem falar, pois, o racional torna-se emotivo."

Assis Lima

terça-feira, 5 de julho de 2016

A Província do Ceará à época do 'Senador dos Bois'


Resultados da Seca de 1877... 
 

Contabilizando uma perda de mais de 52.000 irmãos cearenses, a terrível seca de 1877 dizimara também parte do rebanho bovino de nosso povo, inclusive, também, o do Senador Francisco de Paula Pessoa, o 'Senador dos bois'.

"A história da secas no Ceará,ou melhor,no Nordeste brasileiro,é uma triste expressão de sofrimentos,inenarráveis,de grandes prejuízos materiais e morais,de fatos e circunstâncias que transcedem a capacidade dominadora do homem civilizado..."

Thomaz Pompeu Sobrinho em seu Livro História das Secas,(pág.7,pars 1-5).


Tendo servido de residência do Governo do Ceará em Sobral (1840,por conta da passagem do Pe. José Martiniano de Alencar por Sobral), a construção da casa do 'senador dos bois' é uma história à parte... Construída entre 1831 a 1833, na Rua da Vitória, hoje Av.Dom José, e que veio à se chamar Rua Senador Paula, (alusão ao seu mais ilustre morador), fora adquirida por Dom José Tupinambá da Frota em 1916, quando serviu de palácio episcopal até 1934. Em 1925 o Bispo-Conde procedera uma reforma, o prédio tinha apenas um pavimento, quando é acrescido mais dois e mirante, para em 1934 ser doado às Filhas de Santana para colégio feminino,o Colégio Santana, mantendo seus traços arquitetônicos e finalidade até hoje. A mudança do comerciante Francisco de Paula Pessoa para Sobral fora apressada pela morte de Pessoa Anta,seu irmão,1825.

Colégio Santana. Crédito: Herlon Leão

Caso Pessoa Anta.

João de Andrade Pessoa,conhecido como Pessoa Anta, nome de rua na capital. Nela faleceu em 1825,(fuzilado no hoje Passeio Público junto ao sobralense Pe.Mororó por participar no levante Confederação do Equador, ordens diretas do Imperador Pedro I), irmão do Senador Francisco de Paula Pessoa.

A Alcunha 'Senador dos Bois'.
O rico e influente político granjense era esnobe, "frequentava com desenvoltura os salões do primeiro império, jogando cartas na casa do sogro do Duque de Caxias".

Herbert Rocha, em O Lado esquerdo do Rio. Editora Hucitec, Sobral 2003.(pág.122, pars 19-21).

Hugo Vitor Guimarães em seu Deputados Provinciais e estaduais do Ceará diz que, certa vez, para procurar uma ficha caída no assoalho, acendera no bico de gás uma nota de 500 réis; mas o apelido de 'senador dos bois' ganhou dos adversários políticos, não por seu vasto rebanho, riqueza ou influência política, mas por sua pouca instrução.

Vida Política.
Presidente da Câmara Municipal de Sobral (é bom lembrarmos que a figura do prefeito só veio a aparecer com a implantação da república,1889), portanto era a autoridade maior da Vila;vice-presidente da Província e Senador no segundo império, (tomou posse à 2 de dezembro de 1849, permanecendo até 1964, abandonando a vida política para cuidar da saúde).

Descendência Política.
O Senador Francisco de Paula Pessoa deixou uma descendência nobre, tendo um dos filhos - Dr. Vicente Alves de Paula Pessoa assumido cadeira no senado federal, mas o 'bastão' ele passou para um genro - Dr. Antônio Joaquim Rodrigues Júnior, o Conselheiro Rodrigues Júnior.

Morte do Senador.
Em 1879, 16 de julho, falecera em Sobral, em casa que construíra (hoje Colégio Santana), Francisco de Paula Pessoa, o 'senador dos bois';fora sepultado na Igreja Matriz da 'Terra de dom José', ao pé de uma das torres de sustentação do Templo Católico, tendo escrito com letras de ouro, sua biografia, nos anais da História de Sobral e do Ceará.

Bibliografia: ROCHA,Herbert.O Lado Esquerdo do Rio.Editora Hucitec São Paulo-Sobral,2003. AMARAL,Alberto.Para a História de sobral,Rio de Janeiro 1953 COSTA,Lustosa da.O Senador dos Bois.Edições UVA,Sobral. SOBRINHO,Thomaz Pompeu.História da Secas.Coleção Mossoroense,1982.

Texto maravilhoso de Santana Júnior