Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Delmiro Gouveia: O rei dos sertões

Comprando e vendendo couro de bode, ele enriqueceu. Criou a maior fábrica de linhas do Nordeste e fez inimigos até na Inglaterra. Introduziu a luz elétrica na região e morreu sozinho, baleado na varanda de sua casa.

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, mais conhecido como Delmiro Gouveia, nasceu em Ipu, Ceará, em 5 de junho de 1863 em um Brasil que somente 25 anos depois decretaria a libertação dos escravos. Com apenas 5 anos, ficou órfão de pai. Delmiro pai morreu alvejado durante a Guerra do Paraguai, depois de se alistar no Exército brasileiro. Com a notícia, a mãe, uma pernambucana de batismo, o levou para o Recife, onde ela sobreviveu como empregada doméstica e da venda de bolos e doces. Dez anos depois, o menino viveu seu pior momento, tornando-se também órfão pelo lado materno.
Delmiro Gouveia faleceu em Pedra, Alagoas, em 10 de outubro de 1917. 
Ele foi um dos pioneiros da industrialização do país, e do aproveitamento do seu potencial hidroelétrico, tendo construído a primeira usina hidroelétrica do Brasil.



Nasceu na Fazenda Boa Vista, no município cearense de Ipu, sendo filho natural do cearense Delmiro Porfírio de Farias e da pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia. Sua família transferiu-se em 1868 para o estado de Pernambuco, onde se estabeleceu na cidade de Goiana, mudando-se para o Recife em 1872.

Com a morte de sua mãe teve que começar a trabalhar aos 15 anos de idade, em 1878, inicialmente como cobrador da Brazilian Street Railways Company no trem urbano, denominado maxambomba. Posteriormente chegou a Chefe da Estação de Caxangá, no Recife. Foi despachante em armazém de algodão.


Em 1883 foi ao interior de Pernambuco, interessado no comércio de peles de cabras e de ovelhas, que passou a negociar, tendo obtido grande sucesso. Em 1886 estabeleceu-se no ramo de couros e passou a trabalhar, por comissão, para o imigrante suéco Herman Theodor Lundgren (Casas Pernambucanas) e para outras empresas especilizadas nesse comércio, como a Levy & Cia. Trabalhava também por conta própria. Em 1896 fundou a empresa Delmiro Gouveia & Cia e passou a alijar seus concorrentes do mercado, empregando os melhores funcionários das empresas concorrentes.

Lampião nasceu para o cangaço, padre Cícero para ser “santo” e Delmiro Gouveia para o trabalho. Embora menos popular, o último personagem dessa trindade consagrada pelos nordestinos era tão poderoso que fez do próprio padim Ciço garoto-propaganda de seus produtos e teve o famoso cangaceiro no seu quadro de empregados. Quer mais?



Ele saiu da miséria absoluta para disputar com os ingleses o domínio do mercado de linhas de costura e fios de malha na América Latina, fez do couro de bode o que havia de mais chique na moda de Nova York um século antes de os brasileiros pronunciarem a palavra “fashion” e fundou o mercado que é reconhecido como o primeiro shopping center do Brasil. Seu nome era trabalho, ele fez a transição do coronelismo rural para a burguesia industrializada no Nordeste, mas ainda escandalizou a sociedade do início do século passado ao raptar e casar com uma lolita de 16 aninhos, filha de uma grande autoridade da República.

Recife - Mercado Coelho Cintra - Mercado do Derby (funcionou onde hoje fica o quartel-general da Polícia Militar. Foi inaugurado em 1898. Era uma espécie de precursor dos atuais shoppings.) Crédito da foto

Diferentemente de Cícero e Lampião, sua morte é um mistério até hoje. Quem matou Delmiro? Os concorrentes, os coronéis da oligarquia, algum pai insatisfeito com sua fama de conquistador de ninfetas? Ninguém sabe.



Principais realizações

Em 1899, inspirado pela Feira Internacional de Chicago de 1893, inaugurou no Recife o Derby, um moderno centro comercial e de lazer, que pode ser considerado o primeiro shopping center do Brasil. Esse empreendimento foi um grande sucesso e motivo de orgulho para o Recife, e chegou a atrair multidões estimadas em mais de 8 mil pessoas, até que foi deliberadamente incendiado em 2 de janeiro de 1900 pela polícia de Pernambuco, por orientação do Conselheiro Rosa e Silva, que era feroz inimigo político de Delmiro, e a mando do então governador Sigismundo Gonçalves, fiel rocista.

O incêndio, as dívidas com os investimentos – tanto no shopping quanto em uma usina de açúcar – e a recessão econômica imposta pela gestão Campos Sales praticamente puseram abaixo o império do self-made man do sertão. Para completar, o infortúnio no amor. Boêmio e colecionador de amantes – a lenda recifense reza que ele chegou a uma dezena fixa ao mesmo tempo –, destruiu o casamento com Anunciada nesse mesmo momento em que experimentava a decadência do patrimônio. Para completar a desgraça, Rosa e Silva ainda mandou prendê-lo, acusado de tocar fogo no próprio mercado.
Foi solto dias depois, graças a um habeas-corpus.


Após o incêndio, ateado por razões políticas no Derby, e também em virtude de ter-se apaixonado por, e depois raptado, uma filha natural de 16 anos do então governador de Pernambuco, seu arqui-inimigo político, Delmiro concluiu que sua vida corria perigo no Recife e transferiu-se, em 1903, para Pedra, em Alagoas, uma povoação perdida no coração do sertão, mas de localização estratégica para seu comércio, na Microrregião Alagoana do Sertão do São Francisco, fazendo fronteira com Pernambuco, Sergipe e Bahia, e hoje denominada Delmiro Gouveia em sua homenagem. Delmiro comprou uma fazenda em Pedra, às margens da Ferrovia Paulo Afonso, onde centralizou seu lucrativo comércio de peles e construiu currais, açude, sua residência, e prédios para abrigar um curtume.

Planejando construir ali uma fábrica de linhas de costura - que até então eram importadas da Inglaterra, as conhecidas Linhas Corrente, que monopolizavam o mercado brasileiro - e apelando para ideais nacionalistas, nativistas e cívicos então em voga, conseguiu do governo de Alagoas concessões que incluiam o direito à posse de terras devolutas, isenção de impostos para a futura fábrica, e permisssão para captar energia da cachoeira de Paulo Afonso, além de recursos governamentais para ajudar na construção de 520 quilometros de estradas ligando Pedra a outras localidades. A partir de 1912 iniciou a construção da fábrica de linhas e da Vila Operária da Pedra, com mais de 200 casas de alvenaria.  Em 26 de janeiro de 1913 inaugurou a primeira hidroelétrica do Brasil com potência de 1.500 HP na queda de Angiquinho. Em 1914 iniciou as atividades da nova fábrica sob a razão social Companhia Agro Fabril Mercantil, produzindo as linhas com nome comercial "Estrela" para o Brasil, e "Barrilejo" para o resto da América Latina. Com preços muito abaixo das "Linhas Corrente", produzidas na Inglaterra pela Machine Cotton, que até então monopolizava o mercado de linhas de costura em toda a América Latina, logo dominou o mercado brasileiro, e amplas fatias dos mercados latino americanos.

O sucesso da empresa - que em 1916 já produzia mais de 500.000 carretéis de linha por dia - chamou a atenção do conglomerado inglês Machine Cotton, que tentou por todos os meios comprar a fábrica. Por motivos políticos e questões de terras, Delmiro Gouveia entrou em conflito com vários coronéis da região, o que provavelmente, segundo a maioria dos historiadores, ocasionou seu misterioso assassinato à bala. Outros historiadores - apoiados no conceito de Direito Romano qui prodest? - a que isto serviu? a quem isto aproveitou? - incluem a Machine Cottton no rol dos suspeitos. Seus herdeiros, não resistindo às pressões da Machine Cotton, venderam a fábrica à empresa inglesa, detentora na América Latina da marca "Linhas Corrente", que mandou destruir as máquinas, demolir os prédios, e lançar os maquinários e escombros no rio São Francisco, livrando-se assim de uma incômoda concorrência.



Como em Macondo, a cidade fantástica de Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel García Márquez, Delmiro assustou os matutos sertanejos com as primeiras pedras de gelo de que se tem notícia na região, depois de ligar o Nordeste na tomada ao inaugurar a primeira hidrelétrica no rio São Francisco, em 1913. O primeiro automóvel que andou por ali metendo medo em todo mundo também era seu. Inspirado em suas viagens aos Estados Unidos e à Europa, onde ia vender couro, foi um pioneiro de deixar qualquer self-made man sem fôlego: levou a jornada de oito horas para o Nordeste feudal, a primeira creche, um código de higiene, lições de ecologia, a proibição do uso de armas, as primeiras noções de irrigação... Tudo isso no meio da caatinga e do atraso do mundo que o cercava.


Frontispício da Companhia Agro Fabril Mercantil, produtora da linha Estrela, na Pedra, Alagoas. Foto Osael, Recife Crédito da foto

Mas o homem que levou a revolução industrial para o sertão estava com os dias contados. Às 21h do dia 10 de outubro de 1917, lia as notícias da guerra nos jornais, sob a lâmpada elétrica do alpendre da sua casa, quando foi alvejado por três tiros de rifle de pistoleiros. Não se sabe ao certo até hoje quem encomendou o crime. Os oligarcas incomodados com o poderio de Delmiro? Os concorrentes comerciais? “E o que se vê, em 1917, naquele tenebroso 10 de outubro, é nada menos que a morte do futuro pelas piores energias do passado”, diz o historiador Frederico Pernambucano de Mello, do Recife, um dos grandes estudiosos do assunto no país.

A ironia é que graças à luz elétrica, plantada ali por Delmiro, foi possível a emboscada noturna, o que não ocorria até então. O “rei dos sertões” morreu iluminado pela sua própria “invenção”.



Usina Agiquinho hoje Crédito da foto

Delmiro deu serviço até ao jovem Lampião

Antes de entrar para o cangaço, Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), o Lampião, ganhava a vida trabalhando para Delmiro Gouveia. Sujeito pacato, incapaz de matar uma mosca, o jovem Virgulino, entre os 17 e os 19 anos, prestava serviços como almocreve, profissional que transportava em lombo de burro mercadorias pela caatinga afora. Conduzia grandes cargas de couro de bode da Bahia e Pernambuco para a fazenda Pedra, hoje município de Delmiro Gouveia, a 300 quilômetros de Maceió. Era um serviço duro, herdado de tradição familiar, que rendia por mês pouco dinheiro, algo em torno de dois salários mínimos de hoje, e um estrago na saúde. Mas a experiência como desbravador das veredas e quebradas do interior do Nordeste seria bastante útil tempos depois, já nos anos 20 do século passado. Virgulino deixou a fama de bom menino para virar cangaceiro, ramo de vida no qual fez fortuna, como comprova o historiador Frederico Pernambucano de Mello, autor de Guerreiros do Sol, o principal livro sobre o cangaço no Brasil.Morto por pistoleiros em uma emboscada, no ano de 1917, Delmiro não viu seu ex-empregado construir fama e tornar-se um mito no sertão, o que seguramente condenaria. Na vila de Pedra, sob o seu comando, era proibido o uso de armas de fogo, mesmo que “inocentes” espingardas de chumbo para a caça de aves, ainda hoje muito comuns no sertão.



Monumento erguido no local de sua morte Crédito da foto

Cronologia


  • 1863 – Nasce Delmiro, no Distrito de Santo Izidio, que na epoca era Ipu, mas hoje e Pires Ferreira.
  • 1868 – Transferência para Pernambuco
  • 1883 – Compra e exportação de peles
  • 1886 – Ramo de couros
  • 1896 – Casa Delmiro Gouveia e Cia
  • 1898 – Construção do mercado modelo no Dérbi (Recife)
  • 1903 – Escolhe a vida da Pedra (280 km de Maceió, capital de Alagoas), atual Delmiro Gouveia.
  • 1910 – Aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso
  • 1912 – Cia Agro Fabril Mercantil e construção da Vila Operária Padrão
  • 1913 – Energia hidrelétrica da queda de Angiquinho, Cachoeira em Paulo Afonso.
  • 1914 – Fabrica Estrela de linhas para costura
  • 1917 – Morre assassinado aos 54 anos.



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Créditos: http://guiadoestudante.abril.com.br e Wikipédia

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Crato - O "Oásis do Sertão"


Foto do arquivo do Blog do Crato

As terras as margens do rio Jaguaribe-Mirim (e seus afluentes) e da Chapada do Araripe eram habitadas por diversas etnias indígenas, dentre elas os Kariri, Aquijiró, Guariú, Xocó, Quipapaú e tantas outras, antes da chegada das entradas e/ou missões religiosas dos portugueses, italianos, baianos, paraibanos e sergipanos. Entradas dos Sertões de Dentro e a Missão Capuchinha com a expulsão dos neerlandeses do nordeste brasileiro, os portugueses e outros brasileiros puderam adentrar e explorar melhor a terra do Siará Grande.

Acredita-se que primeira penetração no território do Cariri aconteceu durante século XVII, com a bandeira dos irmãos Lobato Lira. Desta bandeira, participaram dois religiosos: um padre secular e um frade capuchinho, que ganharam a confiança dos índios kariri e conseguiram aldeá-los. Estes exploradores subiram o leito do Jaguaribe-Mirim e instalaram nos arredores da cachoeira dos Karirys (cachoeira de Missão Velha).

Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

Tempos depois, o frei capuchinho Carlos Maria de Ferrara organizou, às margens do rio Itaitera (água que corre entre pedras), o maior e mais importante aldeamento de silvícolas na região. Este recebeu o nome de "Missão do Miranda", em homenagem a um dos chefes da tribo batizado com esse nome. Mais tarde, também aparecem as denominações "Miranda" e "Cariris Novos". A Missão do Miranda, sob a administração dos capuchinhos, prosperou, devido à fertilidade do solo e abundância de água, que possibilitaram o cultivo da cana-de-açúcar, mandioca e cereais. Manuel Carneiro da Cunha e Manuel Rodrigues Ariosto requereram, através da lei de sesmaria, a posse das terras adjacentes ao Rio Salgado, fato que culminou na elevação da missão a povoação.

Foto do arquivo do Blog do Crato

A primeira manifestação de apoio eclesiástico aconteceu em terras doadas pelo capitão-mor Domingos Álvares de Matos e sua mulher, Maria Ferreira da Silva. Essa doação localizava-se, inicialmente, em terras encravadas a dois quilômetros a sudeste da povoação, transferindo-se, em data posterior, para a margem direita do rio Granjeiro. Os trabalhos da primitiva Igreja, dedicada a Nossa Senhora da Penha de França, tiveram início em 1745, tendo como responsável, o frei Carlos Maria de Ferrara e seu companheiro frei Fidélis de Sigmaringa. Em 1762, foi criada a Paróquia, na aldeia do Miranda, sob a invocação de Nossa Senhora da Penha.

Foto do arquivo do Blog do Crato

A edificação desse primitivo templo revela o atraso de sua época, considerando sua estrutura como as paredes de taipa, piso de barro batido e coberta de palhas, tendo ainda os caibros e ripas trançados de cipós. A permanência desses religiosos, no que se chamou de Missão do Miranda, estendeu-se por espaço de dez anos.

Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

A freguesia criou-se por provisão de março do ano de 1762 e inaugurou-se a 4 de janeiro de 1768, tendo como seu primeiro vigário o padre Manuel Teixeira de Morais. Com o desgaste do tempo, a estrutura física entra em deterioração, situação que levou o padre Antônio Lopes de Macedo Júnior, pároco da Freguesia de Nossa Senhora da Penha, a endereçar requerimento à Junta do Real Erário, solicitando fundos necessários à construção da capela-mor ou igreja matriz. Atendido o seu pedido, iniciaram-se os trabalhos cuja conclusão data de 1817, constando os atos inaugurais de 3 de maio do mesmo ano.

Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

A povoação de Miranda elevou-se à categoria de vila em 16 de dezembro de 1762, tendo sido instalada em 21 de junho de 1764 como Vila Real do Crato, no século XVIII, constituindo um dos mais importantes núcleos de povoamento na época colonial no interior do Nordeste. Foi tornada cidade pela Lei Provincial nº 628, de 17 de outubro de 1853.

Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

O topônimo Crato vem do latim curatus, que significa padre ou designação de lugares com condições de tornar-se paróquia, podendo ser uma alusão a:

- A vila portuguesa de Crato, no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo;
- Curato de São Fidélis de Sigiarina, que corrompeu-se depois para Curato de São Fidélis, Cutato, Crato.

Já o topônimo Mirada é uma alusão ao um dos chefes da tribo do Kariri, batizado com esse nome.

Sua denominação original era Missão do Miranda, depois Missão dos Cariris Novos, Aldeia do Brejo Grande e Vila Real do Crato e, desde 1842, Crato.


Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

Século XIX: influências de Pernambuco 

No século XIX, já habitavam na vila do Crato famílias que enviavam seus filhos para estudar em Recife, capital da província de Pernambuco. Foi por lá que muitos entraram em contato com os ideais de independência e adoção do regime republicano no país. Assim, José Martiniano de Alencar, subdiácono e estudante do Seminário de Olinda, deflagrou o movimento republicano no conservador Vale do Cariri, a ter o Crato como palco principal. Repercutindo os ideais da Revolução Pernambucana de 1817, Martiniano "proclama" a independência do Brasil no púlpito da matriz da cidade em 3 de maio de 1817. Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, católico e monarquista, pôs fim ao intento republicano. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Recebem a anistia pela autoridade real posteriormente.

Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

Em 1824 eclode em Pernambuco a Confederação do Equador. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe mais uma vez adere ao movimento e é aclamado pelos rebeldes Presidente da Província do Ceará. Em 31 de outubro de 1825 morre em combate com forças contrárias ao movimento. Após tais acontecimentos, em Crato, assim como no Cariri, muitos se dividem entre monarquistas e republicanos. Entre os primeiros estava Joaquim Pinto Madeira, chefe político da Vila de Jardim e Capitão de Ordença que prendera os revolucionários, entre eles Tristão Gonçalves de Alencar Araripe . Com a renúncia de D. Pedro I, inimigos do monarquista aproveitam para se vingar e Pinto Madeira em sua defesa arma dois mil jagunços com a ajuda do vigário de Jardim, padre Antônio Manuel de Sousa. Invadem o Crato em 1832 para derrotar os inimigos políticos. Apesar de vitoriosos no começo, Pinto Madeira e Antônio Manuel sofrem reveses e, finalmente presos, são enviados ao Recife e Maranhão. Retorna ao Crato em 1834 e é condenado a forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face do réu ter alegado sua patente militar de Coronel. Tanto Tristão Gonçalves quanto Pinto Madeira dão nome a rua e bairro, respectivamente, na cidade nos dias de hoje. 

Acervo de Lucia Maria de Oliveira Castro P. Tavares. Fotografias doadas pelo Padre Lauro Gonçalves Pita

Segunda metade do século XIX: Criação da Diocese, Caldeirão e outras mudanças 

No início do século XX, a cidade dividiu com o recém criado município de Juazeiro do Norte a liderança política do vale do Cariri. Joaseiro, como era conhecido, era uma localidade pertencente à Crato e seu processo de autonomia política seria encabeçado por, entre outros, padre Cícero Romão Batista. Em 20 de outubro de 1914, é criada a Diocese de Crato pelo papa Bento XV através da Bula "Catholicae Ecclesiae". A Igreja Católica foi responsável pelo progresso material e social de Crato inicialmente, pois aí fundou o Seminário menor de São José (primeiro do Interior cearense), a pioneira cooperativa de crédito (Banco do Cariri), escolas, hospitais e a Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri fundada no ano de 1986. Ainda em 1914, Crato foi palco de confrontos da Sedição de Juazeiro, levante que levaria à deposição do Governador Marcos Franco Rabelo.


Açude dos Gonçalves - IBGE

Em 1926, o Crato ligou-se a Fortaleza, através da inauguração da estação de trem do Crato, o ponto final da extensão da Estrada de Ferro de Baturité, que teve início a partir de 1910. Durante a seca de 1932, o Crato é um dos locais onde é instalado pelo governo estadual um dos Campos de Concentração no Ceará ou mais conhecido como os Currais do Governo. Os flagelados da seca que procuravam a ajuda do padre Cícero foram então alojados no sítio da localidade de Buriti. O campo do concentração do Crato foi um episódio marcante na História do Ceará. 

Babaçual na cidade do Crato - IBGE

Com o fim de canudos, o beato José Lourenço Gomes da Silva vem morar em Crato e, com o aval do Padre Cícero, funda a irmandade da Santa Cruz do Deserto. A primeira base desta comunidade localizava-se no Sítio Baixa Dantas. Em 1926 a irmandade sai deste sítio e vai para o Caldeirão dos Jesuítas. O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, um experimento sócio-religioso que incomodou as principais forças regionais da época, teve o seu fim em 1937 e entrou para a História do Ceará como um massacre no qual, pela primeira vez História do Brasil, aviões foram usados como objetos de arma.

Babaçual na cidade do Crato - IBGE

O município, atualmente, mantém um padrão de vida significativo se comparado com algumas cidades não muito distantes da região do Cariri. Seu último e atual bispo, o ítalo-brasileiro Dom Fernando Panico, deu início ao processo de reabilitação do Padre Cícero, abrindo, assim, uma possibilidade para que o sacerdote seja oficialmente beatificado e, futuramente, canonizado pela Igreja Católica. 

Babaçual na cidade do Crato - IBGE

Economia

A economia local é baseada na agricultura de feijão, milho, mandioca, arroz, monocultura de algodão, cana-de-açúcar, castanha de caju, hortaliças, banana, abacate e diversas frutas. Na pecuária extensiva destaca-se criação de bovinos, ovinos, caprinos, suínos e de aves. O extrativismo vegetal também estimula a economia local com a extração de madeiras diversas para lenha e construção de cercas, uso em padarias e fabricação de carvão vegetal; atividades com babaçu, oiticica e carnaúba.

O artesanato, também é uma outra fonte de renda, de redes e bordados é bastante difundido no município. A mineração gera fonte de renda através da extração de rochas ornamentais, rochas para cantaria, brita, fachadas e usos diversos na construção civil. Bem com a extração da areia, argila (utilizada no fábrico de telhas e tijolos) e de rocha calcária (calcinada para obtenção de cal e gipsita). A piscicultura desenvolve-se nos córregos e açudes. Registram-se ainda nas terras do Crato a ocorrência de gipsita, utilizado na fabricação de cimento Portland, gesso e na correção de solos salinos, e chumbo. No parque industrial do Crato localizam-se 95 indústrias.



Babaçual na cidade do Crato - IBGE

A cidade do Crato em termos econômicos, constitui-se numa cidade com expressiva importância regional. Destacando-se pela tradicional função de comercialização de produtos rurais, provenientes do desenvolvimento da agricultura no sopé dos vales irrigados da região do Cariri. Nesta área, destaca-se a famosa Expocrato, feira agropecuária que inclui também shows com bandas e cantores famosos e atrai milhares de visitantes à cidade todo mês de julho. A cidade também comercializa produtos industriais (alumínio, calçados, cerâmica, aguardente) para os demais centros urbanos do Ceará.

A cidade conta com seis agências bancárias e, conforme o IBGE, o PIB da cidade era de 343 642 000 reais em 2004. A principal atividade econômica da cidade é o setor de comércio, cerâmica vermelha e serviços, que, segundo dados de 2002, é responsável por 68,8% do PIB municipal. Ainda pelos mesmos dados, a indústria responde por 27,6% do PIB e o setor agropecuário, embora bastante destacado na cidade graças à famosa feira agropecuária da Expocrato, é responsável por apenas 3,6%. Em 2005 o PIB de Crato foi R$ 116.122.000 maior que no ano anterior, totalizando o valor de R$ 459 764 000. O setor de comércio e serviços continua a ser o maior empregador da cidade, a verificar-se a presença de lojas de rede regional e nacional. Exite uma parcela significativa da população dedicada à prestação de serviços.



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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jericoacoara - Uma das 10 mais belas praias do mundo


Um lugar onde o sol escalda, o vento refrescante não dá trégua e andar descalço é uma premissa. Erguida entre dunas, recortada por poucas ruelas cobertas de areia - sem nenhum asfalto - e com um mar verde que atrai a qualquer hora do dia, o vilarejo de Jericoacoara é um oásis para quem quer descansar à beira-mar. Parece até que é de propósito que a natureza o mantém assim, tão escondidinho no litoral oeste do Ceará.


Jeri é um lugar fora do comum comparado com o mundo moderno das grandes cidades, com tempos corridos, engarrafamentos e filas... As ruas são cobertas de areia e as praias extendem-se por quilômetros sem interferências visuais... Tudo tem um toque mais lento e mais descontraído. Até cerca de 20 anos atrás, Jeri era apenas uma simples vila de pescadores isolada do mundo, visitada somente por viajantes aventureiros. Não havia estradas, eletricidade, telefone, televisão, jornais e pouco se usava dinheiro. O comércio era feito através de troca de produtos, como peixe por arroz, e assim por diante. Mas todo isso não quer dizer que você vai ter que se privar do conforto e luxo. Quase tudo que desejar, você pode ter em Jeri; desde massagens a jantares deliciosos, de bares tranquilos a casas com música ao vivo, tem de tudo para todos. A cidade ficou famosa por ser uma das praias mais belas e longas do mundo, cercada por dunas e lagoas de água doce – levando pessoas de todo o mundo a suas margens. Em 1984, uma lei federel declarou Jericoacoara área de proteção ambiental¹ e em 2002 a área alcançou o status máximo em termos de proteção ambiental, sendo nomeada Parque Nacional*. Devido às restrições à construção e leis de proteção ambiental, Jericoacoara tem crescido de uma forma positiva. Empresários enganjados em proteger a beleza e a simplicidade de Jeri, criaram pousadas pequenas e aconchegantes que oferecem charme e sofisticação sem grandiosidade ou extravagâncias.



Jericoacoara é considerada uma das praias mais exuberantes do planeta, então, preocupações devem ser deixadas de lado, dando importância primeiramente ao que a natureza criou durante muitos anos para seu bel-prazer.
Não há dúvida que a beleza de Jeri é muito diversa, não é por acaso que os passeios de buggy e quadriciclos são os mais procurados pelo turista. Lagoas imersas entre enormes dunas, praias virgens, esculturas naturais nas rochas do Serrote rodeiam esta mágica vila.
Lembre-se Jericoacoara é um Parque Nacional onde a ecologia tem um significado muito valioso entre os moradores.




Através dos anos a vila tem se adequado às exigências de quem visita Jeri, a estrutura turística é uma das mais importantes do estado do Ceará, conta com mais de 90 pousadas e hotéis além de uma gastronomia internacional com mais de 40 restaurantes de especialidades diversas: italiana, francesa, regional entre outras.
Outro destaque importante de Jericoacoara é o esporte, escolas de windsurf, kitesurf, capoeira, sandboard, vem sendo um dos atrativos mais importantes da região. As características geográficas de Jeri e Preá proporcionam todo o necessário para a aprendizagem como assim também prática e competência destas modalidades.
Campeonatos de windsurf e kitesurf são periodicamente organizados em Jericoacoara pelas melhores organizações do Brasil e do mundo.




Um dos ícones mais importantes de Jeri é a pedra furada, formação rochosa esculpida pelo mar por milhares de anos. O interessante da Pedra Furada é também o caminho que leva você até lá e a energia que paira no ar. Para os mais místicos o lugar tem uma energia diferente dos demais locais. Para garantir a preservação do local, O parque Nacional de Jericoacoara ganhou 400 hectares de terra, totalizando 8.850 ha, incluindo, assim, o manguezal do Rio Guriú, reduto dos cavalos marinhos, além de algumas dunas fixas e tabuleiros cobertos por vegetação nativa.
A conservação do local é o que faz de Jericoacoara um lugar exclusivo. Jericoacoara fica a 313km de Fortaleza, com acesso pelas BR's 222 e 402, passando pelas CE's 085, 422, 354, 402 e 179. Tatajuba também é um ponto obrigatório localizado a 72 km da vila.




*Parque  Nacional de Jericoacoara 

Compreende uma área de 6.295,00 hectares . O IBAMA é o órgão que tem como objetivo proteger e preservar amostras dos ecossistemas costeiros, assegurar a preservação de seus recursos naturais e proporcionar oportunidades controladas para uso público, educação e pesquisa científica.

O Parque Nacional de Jericoacoara foi criado em fevereiro de 2002 a partir da recategorização parcial da Área de Proteção Ambiental de Jericoacoara, estabelecida pelo Decreto nº 90379 de 29 de Outubro de 1984, nos municípios de Jijoca de Jericoacoara e Cruz, no estado do Ceará.


O clima da região é caracterizado como quente e úmido, com temperaturas médias oscilando entre 22° C e 35 °C e com o período de seca variando de 5 a 6 meses.
Em uma visão geral do Parque se tem a sensação de um ecossistema extremamente vulnerável e composto por diversos paisagens como Serrote, Restinga, Dunas, Lagoas, Tabuleiro, Manguezal, Gramados Halofíticos e praias, além de 38 famílias de aves no local, sendo que várias espécies são raras ou estão ameaçadas de extinção.

¹Área de Proteção Ambiental Jericoacoara

Compreende 91 hectares e tem como objetivo harmonizar, proteger seus recursos naturais e melhorar a qualidade de vida do homem, constituindo-se em instrumentos essenciais para a proteção da biodiversidade do local. 


Alcançar o paraíso requer certa determinação

Os 300 quilômetros que separam Jeri (é assim que todos a chamam) da capital Fortaleza podem ser percorridos em um veículo 4x4 em cerca de quatro horas. Ou, mais recentemente, de ônibus: são cinco horas até a cidade de Jijoca de Jericoacoara e mais uma corcoveando pelas estradas de areia a bordo de um veículo adaptado (no jargão popular, jardineira) até a pequenina vila. Mas o périplo, independentemente do transporte escolhido, valerá cada minuto.

Como nos últimos anos o turismo se tornou a principal atividade deste antigo vilarejo de pescadores, visitantes são tratados como reis. Na larga faixa de areia da praia principal, confortáveis espreguiçadeiras os aguardam desde o amanhecer, em frente aos bares e restaurantes que ali estão para servir os tradicionais aperitivos de frutos do mar. O mais concorrido deles é o ClubVentos, um lugar multilíngue, onde italianos, ingleses e outros estrangeiros são maioria.




Depois que descobriram Jeri no mapa do Brasil (com a ajuda do Washington Post, que em 1994 elegeu a praia como uma das dez mais belas do mundo), os gringos não a deixaram mais. Ao menos os adeptos do windsurfe, kitesurfe e stand up surfe, nova modalidade em que a pessoa fica de pé sobre uma prancha e navega com o auxílio de um remo.

O local é visto como um dos melhores do mundo para a prática destas atividades graças aos poderosos ventos alísios, que são capazes de criar ondas onde elas não existem. Por causa disso, a alta temporada lá difere dos outros destinos praianos: começa em julho e vai até dezembro.




Beleza esculpida

Um dos principais cartões-postais do destino também fica escondido. Para ver a Pedra Furada, um arco natural de quase 5 metros de altura, é preciso aproveitar a maré baixa. Há como chegar lá a pé - caminhando uma hora pelas areias e debaixo de sol fortíssimo - ou de bugue, que vai até bem perto dela. Se puder, marque sua viagem entre junho e agosto, que é quando o sol se "encaixa" perfeitamente na pedra ao entardecer.

Você vai precisar de pelo menos mais um pôr do sol em Jeri para comprovar que ele é um dos mais incríveis do País. Segundo os nativos, é raro o dia em que o astro some antes de alcançar o mar. Feito que turistas e locais apreciam (e aplaudem) cotidianamente lá do alto da Duna do Pôr do Sol, na praia principal.

Pitoresco

Poucos minutos seriam suficientes para percorrer as ruelas forradas de areia - que, acredite, ficam mais charmosas pela ausência de iluminação pública -, não fossem as lojinhas e restaurantes que alongam o trajeto dos visitantes. Tem artesanato, crochê e jóias refinadas. Há ainda restaurantes italianos (muitos estrangeiros trocam a condição de turista pela de morador e chef de cozinha), deliciosos menus à base de frutos do mar e casas de tapioca e açaí.



Quer esticar até mais tarde? Também pode. A agenda noturna de Jeri é movida a samba, rock e forró, e turistas e locais festejam juntos. Antes de voltar ao hotel, todos vão à Padaria Santo Antônio, que só funciona das 2 às 7 horas, atendendo os baladeiros com caprichados pães recheados com queijo, banana ou coco. Delícias para fechar a noite.

Fotos antigas de Jeri

Foto de 1986
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Igreja de Jeri há 10 anos atrás

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Rua Principal
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O Café Brasil
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O Mama na Égua
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Foto de 1984
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Foto de 1987
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Foto de 1990
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Foto de 1996 com o exato momento que os raios do sol aparecem na Pedra Furada
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Foto de 1987
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Foto de 1990
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Anos 90
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O Bar do Louco
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Beco do Forró
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Rua das Dunas
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Rua do Forró
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Rua do Forró
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Fotos da Comunidade Jeri Antigamente de Irene Flory


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