Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Acopiara x Iguatú - Rixas, tricas e futricas



A briga vem de longe e não tem nenhum sentido. Não existe disputa político ou intriga familiar ou algum fato concreto que justifique tal rivalidade. A disputa entre cidades vizinhas é até normal e não é nenhuma novidade. O fato é que essa velha disputa entre Acopiara e Iguatú é histórica e recheada de fatos pitorescos. Sou natural de Acopiara, mas morei pouco tempo lá. Era muito pequeno, apenas com cinco anos, quando meu pai fugindo da seca de 58 e dos seus reflexos sociais e econômicos e das dificuldades para criar os filhos, veio morar em Fortaleza. A partir dessa mudança eu somente retornava para Acopiara durante as férias escolares. Como minha mãe era natural de Iguatú e até hoje tenho família e parentes por lá, também passava parte das férias escolares nessa cidade vizinha. Ficava dividido, mas invariavelmente passava as férias no interior. 
Iguatú ou Acopiara? Era o grande dilema. E por conta da “dupla cidadania” sofria dos dois lados. Se estivesse em Acopiara tinha que aguentar as brincadeiras e os xingamentos contra os moradores e as mazelas da cidade de Iguatú. Se ao contrário, pior ainda, pois era acopiarense nato. Não aliviavam nas brincadeiras e por vezes na humilhação dos conterrâneos e nos comentários maldosos sobre minha pequena cidade natal. Nem mesmo meus primos do Iguatú tinham qualquer compaixão. Baixavam o sarrafo, como se diz. E eu lá, sem saber para onde correr. Defendia, argumentava, justificava e de nada adiantava. Nunca levava vantagem diante da evidente desvantagem.

Em que pesem as discussões e os constrangimentos sofridos por conta dessa rivalidade, nem por isso me afastei das cidades. Ao contrário. Sonhava durante todo período letivo com as férias “nos matos”, como chamavam pejorativamente meus amigos da capital e se referindo às duas cidades. Bem, nesse caso menos mal, afinal não dava para comparar Acopiara ou Iguatú com Fortaleza. Capital é capital, e não se discute. Mas na minha visão, prioridade e vontade nem passava perto a idéia de ficar em Fortaleza durante as férias. 

Fazendo o que dentro de casa? O bom mesmo era no interior, lá nas brenhas, como se falava. E era esse o entendimento dos meus primos e demais estudantes que tiveram a mesma sina de ter que morar e estudar na capital. O sonho da liberdade total e sem qualquer compromisso com horários. Festas e mais festas, pescarias, caçadas, bebedeiras e tudo que é diversão. Jogar bola, sinuca, baralho e até pedra no telhado do vizinho. Tudo valia para passar o tempo. Até dormir de dia para virar a noite nas farras. E tudo isso durante quatro meses. É muito? Que nada. Era isso mesmo e eu ainda achava pouco. 

Naquela época, acreditem, as aulas transcorriam em períodos bem definidos assim como as sagradas férias. As férias eram gozadas em dois períodos: no meio do ano, no mês de julho e no final do ano, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Isso para quem passava por média. Para quem ficava em recuperação vinha o castigo. Perdia o mês de dezembro com aulas de reforço e provas. Um martírio para quem aguardava ansiosamente a viagem para o “paraíso” depois de quatro torturantes e intermináveis meses de aulas.

Mas retomando as históricas disputas, relembro algumas das infames brincadeiras e insultos trocados entre os moradores das cidades. Por conta da sua acidentada geografia, a maioria das ruas em Acopiara possui acentuadas subidas e descidas, as chamadas ladeiras. A turma do Iguatú aperreava dizendo que para se tomar sopa em Acopiara era necessário calçar o prato com um tijolo senão a sopa entornava. Pronto, tava feita a confusão. A turma de Acopiara devolvia dizendo que em Iguatú tinha uma vantagem, não precisava esquentar a sopa para servir. Bastava colocar a sopa na janela que ela fervia, em alusão ao calor infernal reinante na cidade. As discussões chegavam ao ridículo de comparações tipo qual era a cidade em que mais se bebia, em qual mais se brigava, qual tinha o pistoleiro mais valente e cruel, entre outras inutilidades. Isso sem falar nas tradicionais disputas de futebol, qual o melhor carnaval, onde as mulheres eram mais bonitas, onde residiam os comerciantes mais ricos e outros temas inusitados. Até uma disputa para saber qual das duas cidades tinha o homem mais feio ocorreu. Nessa briga Iguatú ganhou disparado com o incrivelmente feio e malfeito “Chico Beiçola”. Se bem que Acopiara apresentou um forte concorrente, o “Galba Zoião”. Pense num macho feio!
 


 

Do ponto de vista econômico, a briga era desigual. Iguatú sempre foi uma cidade bem maior, mais do dobro do tamanho, com varias indústrias e intenso comércio, agricultura de porte e pecuária desenvolvida. Mas a cidade tinha seus pontos fracos. Curiosamente e inexplicavelmente perambulava pelas ruas de Iguatú um grande contingente de malucos maltrapilhos. Chamava atenção nas décadas de 60/70 a incrível quantidade de doido na cidade. Que eu me recordo: Chico Siebra, Maria Doida, Neném Teixeira (lançou a moda da mini saia no sertão), Baú, Calorzinho, Zeca Peidão, Maria Leão, Turica, entre outros menos conhecidos. E nisso a turma de Acopiara não aliviava. Bastava chegar alguém de Iguatú que a vinha logo a gozação: ih, chegou mais um doido do Iguatú! E tome bate boca e xingamentos mútuos. E não raro os ânimos se exaltavam e os rivais saíam no braço.

Também me recordo das famosas brigas sobre a existência ou não de homossexuais nas cidades. Naquela época a homofobia era tolerada e não existia a onda do politicamente correto e muito menos se falava em direito de minorias. Nenhuma cidade do interior aceitava livremente as opções sexuais não convencionais e os homossexuais eram xingados e perseguidos. O simples fato de um homem usar cabelo comprido já era motivo de piadas e provocações. Imagine então se vestir de mulher e pintar as unhas. Pois não é que apareceu uma “bicha”, dessas bem escandalosas, lá em Iguatú. A dita cuja tinha o interior do estado todo para escolher, mas optou por morar justamente em Iguatú. Foi um prato cheio para a turma de Acopiara. Não faltavam piadas quanto a masculinidade dos homens do Iguatú a para completar um belo dia a “boneca” teve a coragem de ir passear em Acopiara. A cidade quase foi abaixo. A figura exótica, que atendia pelo codinome de “Sol” (abreviatura de Solange), simplesmente arrasou. Talvez por vingança, por conta das humilhações sofridas, abriu a agenda e o coração. Contou tudo e ainda por cima “entregou” uma meia dúzia de ilustres moradores iguatuenses que se diziam muito macho. A galera de Acopiara foi ao delírio. Essa história ficou atravessada na garganta dos machos iguatuenses e até hoje rende gozações. Foram inúmeras as brigas, ameaças e juras de vingança. Dizem que teve até morte por conta desse fato. Coisas de interior. Coisas do meu Ceará.


Colaboração do amigo Carlos Gurgel

Iguatú



A localidade anteriormente abrigava uma aldeia de índios Quixelôs. A região era conhecida pelo nome de Telha, fazendo menção a uma grande lagoa de mesmo nome dos arredores, quando os jesuítas chegaram à região a partir de 1707. Depois de lutas de resistências por parte dos indígenas e rendição destes, estes colaboravam com os colonizadores.
Em 1831, povoado da Telha já se tornara tão grande e próspero que foi elevado a freguesia e sua elevação à categoria de Vila ocorreu na forma de Lei nº 553, de 27 de novembro de 1851,quando foi desmembrada do município de Icó e instalada a 25 de janeiro de 1853. Sua elevação à categoria de cidade ocorreu em virtude de Lei Provincial nº 1.612, de 21 de agosto de 1874. Logo após a proclamação da República em 1889, foi nomeado o seu primeiro intendente, Cel.Celso Ferreira Lima Verde.


A primeira estação férrea de Iguatu. Acervo de Alberto Cacá

Casa do Sr. Otaviano Benevides, hoje Caixa Econômica Federal de Iguatu - Acervo de Alberto Cacá


O primeiro prefeito municipal foi nomeado em 1914, Cel. José Adolfo de Oliveira
O segundo prefeito foi Eduardo de Lavor Paes Barreto - 1915 a 1917. 
Um fato curioso na política local é que na primeira eleição para o cargo de prefeito por voto direto, em 1926, o segundo colocado assumiu o cargo a partir de 1 de dezembro. Concorreram ao cargo Dr. Manoel Carlos de Gouvêa (344 votos) e o industrial Otaviano Jaime de Alencar Benevides (542 votos), este considerado inelegível, assume o cargo Dr. Gouvêa até a data de 14 de agosto de 1928.


Iguatú - Arquivo Nirez

Estação férrea de Iguatu, prestes a ser demolida ou transformada - Acervo de Alberto Cacá


Iguatu destacou-se ao longo da história do Ceará por está ao lado da estrada das boiadas, e depois como importante centro produtor de algodão, mas o grande impulso econômico se deu com a expansão da Estrada de Ferro de Baturité até a cidade do Crato. A estação ferroviária de Iguatu foi inaugurada a 05 novembro de 1910. Isso resultou no impulso da economia local com a instalação de hotéis,usinas de beneficiamento de algodão e casas comerciais e a expansão do centro comercial. Com a estação, Iguatu tornou-se o centro econômico da região em detrimento de Icó. Somente a partir de 1910, com o fortalecimento da economia algodoeira a expansão urbana direciona-se para as proximidades da estação ferroviária.
O progresso urbano foi tão significativo tanto que em 1925, foi inaugurado o Cine-Teatro Iguatu, considerado à época como o melhor prédio do gênero no interior do Ceará.


"Carreata" de jumentos - Crédito da foto

Casario de Iguatú em 2004 - Crédito da foto



O aformoseamento urbano verificava-se já pela existência de muitos palacetes e sobrados onde residiam as famílias ricas e influentes na sociedade, principalmente nas ruas Floriano PeixotoJoão Pessoa, Epitácio Pessoa e no entorno da Praça da Matriz
Com a expansão da linha ferroviária até o município do Crato, inaugurada a 09 de novembro de 1926, Iguatu recebe um novo impulso na sua economia e nos aspectos cultural e social, pois a ferrovia permitiu a comunicação mais rápida com o Cariri, próspero e importante centro cultural, político e econômico do sul do Ceará.


Igreja N.S. Perpétuo Socorro - Crédito da foto

Praça da entrada leste de Iguatú - Crédito da foto



No município de Iguatu são inauguradas quatro estações de trem (Sussuaruna, Iguatu, Juguaribe Mirim e Alencar), as quais consolidaram a base econômica do município. A estação foi o terminal da linha da EF Baturité até agosto de 1916, quando ela foi prolongada até Cedro, e no ano seguinte, até Lavras. Por isso, os habitantes de Lavras, mais ao sul, tinham de ir até Iguatu para embarcarem. Hoje é uma das estações operacionais da CFN, atual concessionária do trecho. 


Passarela de pedestres - Crédito da foto


Segundo Assis Lima, o prédio sofreu grande reforma em meados dos anos 1970, perdendo suas características originais.
Em 2009, a cidade viu o fim de uma das indústrias de beneficiamento do algodão (CIDAO), que certamente alimentaram os trens para Fortaleza, que transportavam o algodão e o óleo ali produzidos. Foi demolida para dar lugar a uma Universidade (é criado o Campus Avançado de Iguatu da Universidade Regional do Cariri). Seus trilhos e até vagões que existiam até novembro em seus depósitos foram sucateados. 
Em uma notícia do início de 2009, a afirmação de que o material ferroviário seria mantido ali: "Dentro do projeto feito pelo Dr. Campelo, está a idéia de deixar a linha férrea que passa dentro da área e dois vagões de trem estacionados dentro da CIDAO como forma histórica de preservação da memória das antigas edificações".


Ponte de chegada da cidade - Crédito da foto


Numa região onde os missionários católicos tentaram envangelizar os nativos, os índios, as primeiras manifestações de apoio eclesial provêm desse trabalho. Em 1746 iniciaram-se as obras da primitiva capela, orago que se dedicou a Nossa Senhora Santana, sendo concluída em 1775 e tendo como subordinante a Paróquia de São Mateus (Jucás). A freguesia, desmembrada da jurisdição anterior, provém do Decreto Provincial de 11 de outubro de 1831 e assentou-se em área central constante de 200x400 braças. Consta como seu primeiro vigário, no período compreendido entre 1832 e 1844, o padre Vicente José Ferreira.
No dia 28 de janeiro de 1961, o Papa João XXIII editou a bula "In apostolicis muneris" criando a Diocese de Iguatu. Sendo seu primeiro Bispo D. José Mauro Ramalho de Alarcon e Santiago, empossado a 4 de fevereiro de 1962.




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Fonte: Wikipédia

Acopiara


Prefeitura de Acopiara - Crédito da foto

O povoamento da Região compreendida nos limites atual do município de Acopiara começou no século XVIII com a concessão em 4 de julho de 1719, de uma sesmaria pelo Capitão-Mor Salvador Alves da Silva, ao Alferes Antonio Vieira Pita, sua petição foi feita pelo Escrivão das Datas, Manoel de Miranda, Salvador Alves da Silva, "Cavalheiro professo da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, Capitão Mayor da Capitania do Ceará Grande", que achou por bem conceder todas as terras pedidas, com todas as suas águas, campos, matas, testados logradouros e animais úteis que se acharam dentro daquelas terras.

Após a concessão feita pelo Capitão-mor Salvador Alves da Silva ao Alferes Antonio Vieira Pitta, foram chegando os primeiros povos como da família Pereira da Silva, para habitarem Acopiara. Por se tratar de excelentes terras de ribeira, foram as primeiras famílias afluindo à zona e fixando-se visando as melhores propriedades, através de uma agricultura bastante compensadora.



Teatro de Acopiara - Crédito da foto

No entanto, a família Pereira da Silva, tendo em vista algumas partes do solo ser pedregoso denominaram a localidade de "OS LAGES", passando ser o nome daquele povoado que ali fora fundado.

Com a inauguração da Estação Ferroviária Rede Viação Cearense, em 10 de julho de 1910, Lages passou a ter um maior desenvolvimento superando logo os núcleos de Bom Sucesso e São José, que mais adiante vieram se chamar respectivamente Trussu e Quincoê. Através de Ato Administrativo do Brasil, em 1911, o Distrito de Lages figurava ligado ao Município de Iguatu. Através do recenseamento Geral de 1920, Lages foi desmembrada de Iguatu e elevada a categoria de município em 28 de setembro de 1921, através da Lei Nº 1.875, onde governou Celso de Oliveira Castro até 3 de outubro de 1930, o primeiro Prefeito.



Rio Quincoê - Crédito da foto

Sua instalação se deu em 14 de janeiro de 1922, ficando o Município constituído de três Distritos: Lages, Quincoê e Trussu, recebendo os dois últimos esses nomes porque por ali passava os riachos que deram origem ao nome.



Igreja matriz de Acopiara - Crédito da foto

Com a criação do Município, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira, o 1º Bispo do Crato, criou a Paróquia de Lages, isto acontecendo em meados do mês de outubro de 1921. Com a sua fundação a Paróquia era ligada ao Bispo do Crato, e recebeu como Padroeira Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sendo nomeado o Primeiro Vigário Padre Leopoldo Rolim. A Igreja Matriz representa um dos mais belos templos do Interior do Estado, ainda naquela época, o seu teto era coberto por uma pintura retratando o céu, com as nuvens e estrelas.



Praça em Acopiara - Crédito da foto

Depois de ser Lages, passou a se chamar Afonso Pena em 1933, que era uma homenagem ao estadista brasileiro de origem mineira, em 30 de dezembro de 1943, através do Decreto Lei Nº 1.114, "Lages" passou a ser Acopiara, palavra Tupi, que significa o que cultiva a terra, o lavrador ou o agricultor, nome que preserva até hoje, e depois de ter vários filhos ilustres como prefeitos desta terra, mas a seca ainda castiga a boa gente desta terra fazendo com que muitas pessoas deixem sua terra natal e procurem outros centros, abandonando o lugar onde, certamente, já tiveram vários momentos felizes com suas famílias.

Como em muitas cidades do interior do Ceará, Acopiara tem em sua produção agrícola, a maior fonte de renda, muito embora, pode-se verificar que a agricultura se apresente ainda na sua maioria como de subsistência de pequenos produtores. Destaque para o ramo aviário, que nos últimos anos cresceu, sendo um dos maiores da região tendo bastante visibilidade através da grande expansão da granja Herbster.



Cachoeira Montemo - Crédito da foto

Destaca-se em Acopiara, no ramo industrial, a Empresa Antonio Rufino e Cia Ltda., que explora o ramo Algodoeiro. Acopiara, na década de 70, foi o segundo produtor de algodão do Estado do Ceará, mas as constantes secas, bem como a inserção do bicudo em suas lavouras, contribuíram para que sua produção fosse bastante reduzida. Destacam-se ainda no ramo industrial, as indústrias de Sabão e a refinaria de óleo de propriedade do espolio de Francisco Alves Sobrinho. Acopiara também dispõe de boa estrutura no ramo de cerâmicas, com boa produção de tijolos e telhas. No setor comercial, existe boa variedade de lojas de vestuário, do comercio mercantil de Alimentos e de lojas de eletrodomésticos, com destaque para a Empresa MOVELETRO, que se expandiu por toda a região.


Cidade de Acopiara - Crédito da foto

O Protagonismo do Coronel Chico Guilherme no Desenvolvimento de Acopiara


Francisco Guilherme Holanda Lima, mais conhecido por Chico Guilherme, nasceu em 15 de março de 1890, no sítio Salva Vidas na cidade de Quixeramobim no Estado do Ceará. Filho de Antonio Guilherme Holanda, um nobre empresário holandês que veio para o Brasil em um navio negreiro e ao aportar no Recife em Pernambuco seguiu para o Ceará e escolheu a cidade de Quixeramobim, onde fixou residência tornando proprietário da Fazenda Salva Vidas, onde conheceu sua esposa a senhora Teodelina Gomes Lima, dessa união nasceram 18 filhos, dentre eles Francisco Guilherme Holanda Lima. (O Vovô Chico Guilherme).

Em 1910, ao completar 20 anos, Chico Guilherme, com o mesmo espírito empreendedor do pai, desembarcou de trem em Lajes, hoje Acopiara, e comprou bastantes terrenos, tempos depois em um leilão na comarca de Iguatu “arrematou todo o terreno chamado Lajes” (ou seja, podemos dizer que Ele foi dono de Acopiara). Em um desses terrenos construiu e abriu a primeira loja de tecidos do então povoado com o nome Casa São Francisco, tornando-se assim o primeiro empresário do local, loja essa que ficava na rua conhecida antigamente como Beco do aperto, onde funcionou o Mercantil de seu Alcebíades, hoje Rua Manoel Ferreira Lima, lado sul do atual Mercado Central.

Em 23 de setembro de 1911, Francisco Guilherme Holanda Lima, casou-se com a senhora Almerinda Gurgel Valente, que após o casamento passou a assinar o nome Almerinda Gurgel de Lima, depois ficou conhecida carinhosamente como D. Neném, “Tia Neném” e Vovó Neném.


Almerinda era filha de Henrique Gurgel do Amaral Valente, o “vovô do Rio” e Joana Gondim Valente. Dessa união nasceram 14 filhos: Teodelina, Antônio Guilherme, Pedro Guilherme, Adelaide, José Guilherme, Maria, Rosmarie, Madalena, Terezinha, Luiz Guilherme, Francisco Guilherme (I), Francisco Guilherme (II), Joana (Janete) e Raimundo Guilherme. (este ultimo, meu pai).

Com o espírito empreendedor, Chico Guilherme abriu a primeira indústria de compra, venda e beneficiamento de algodão, a Usina São Francisco, localizava-se na Rua Santo Dumont com Cazuzinha Marques. Que mais tarde se transformou na Exportadora Cearense, vendida ao seu cunhado Francisco Gurgel Valente e depois vendida ao saudoso Chico Sobrinho – Pai do atual Prefeito Antônio Almeida Neto, que se chamava Usina de Algodão e Óleo São Francisco, e hoje, no novo local da referida usina, funciona uma Fabrica de Sabão e a Usina Ric Bil.

Com os negócios prosperando, vovô Chico, tornou-se proprietário de várias fazendas de gado, plantio de algodão e outras lavouras, escolhendo, dentre elas, o sítio Catanduva como ultima morada, e imediatamente como empresário e fazendeiro recebeu o título de Coronel.

No desejo de ver o progresso chegar a esta cidade o então Coronel Chico Guilherme entregou seus terrenos (de mão beijada) com gratuidade e estratégica para que a cidade se desenvolvesse de forma harmoniosa, simpática e acolhedora.

Doou um de seus terrenos para a construção da residência do primeiro Juiz de Direito de Lajes o senhor Quintinho Cunha. Foi o Juiz Quintino Cunha quem sugeriu ao vovô Chico a dar à filha que nascera em 1923, o nome de Rosmarie, hoje viva e aqui presente, mãe da Dra. Rosa – 1ª Dama do Município de Acopiara. Por isso a tia Rosmarie foi escolhida para receber, representando seu pai Francisco Guilherme Holanda Lima, essa tão justa comenda.



Doou o terreno para a construção da Praça da Matriz, da Igreja Matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Casa Paroquial, do Centro Social, do Cemitério.

Doou ainda os terrenos para a construção dos Correios, da Teleceará, do Clube Social de Acopiara, do Prédio da Associação Comercial, Hoje ONG Raízes, da Praça dos Leões, hoje o Pólo de Lazer.

Doou também o prédio para a construção da Coletoria Municipal, Hoje Secretaria Municipal de Administração e Finanças, doou terreno para a construção do Grupo Escolar Pe. João Antônio...

...Doou terrenos ainda para construções de vários prédios comerciais na Rua Marechal Deodoro, dentre outras ruas, e ainda doou terrenos para construções de várias casas residências na Avenida Cazuzinha Marques, onde esta era conhecida, na sua época, como “Rua dos Guilhermes”, pois, era nessa Avenida que ficava a residência oficial do casal, precisamente a mansão de nº. 160, que foi demolida e hoje funciona o Mercantil Albuquerque.

Por fim, meus caros empresários e familiares aqui presentes, Francisco Guilherme Holanda Lima, não exerceu mandato político, TALVEZ SEJA POR ISSO, QUE ATÉ A PRESENTE DATA NÃO TEM NADA EM ACOPIARA COM O NOME DELE! Mas Ele foi a “alma viva” do progresso de Acopiara. Era conservador, mas não reacionário. Fidalgo, cordato, educado, fino, nobre nas atitudes. Dizer que pertencia à nobreza é uma injustiça, se tomarmos o conceito europeu e clássico de nobreza. Era burguês, sim, mas não era arrogante nem prepotente. Era manso. Não era culto, mas ético, educado, empreendedor, cidadão informado e atualizado com o mundo que o cercava, digo, até, a frente do seu tempo.

“Impossível é andar em Acopiara sem que não tenha de pisar em terra dada, de mão beijada, à comunidade pelo Coronel Chico Guilherme!” (Waldir Sombra).

Idalmi Pinho Guilherme



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Fonte: http://www.acopiara.ce.gov.br e http://www.informegeracao.com

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rodolfo Teófilo - Um grande filantropo cearense de alma e coração



Médico sanitarista, intelectual, industrial e divulgador científico nascido em Salvador, Estado da Bahia, de extremo espírito público e inventivo, inventor da cajuína¹, não só do produto, como também do nome. Cedo ficou órfão, tendo de trabalhar como caixeiro e suportar humilhações, veio para o Ceará com apenas 15 dias de idade. Formou-se em Farmácia pela Faculdade de Medicina da Bahia, empreendeu uma batalha pessoal contra a varíola, lutando contra o medo da vacina, sem recursos, em tempo de seca, fome, da migração em massa e em péssimas condições de higiene. Sem apoio do poder público, enfrentou praticamente sozinho, em duas oportunidades, epidemias de varíola que vitimou milhares de pessoas em Fortaleza e interior do Ceará, no final do século XIX e início do século XX. Montado em um cavalo, cuidou sozinho da vacinação em massa pelos bairros pobres de Fortaleza durante os três primeiros anos do século XX. A cólera vitimou quase um terço dos seis mil habitantes de Maranguape, cidade nas cercanias de Fortaleza (1862) e no final da década seguinte (1878), a varíola matou um quinto da população da capital cearense. Vacinou próximo de duas mil pessoas (1902), não sendo registrado nenhum caso de varíola na capital cearense naquele ano. Obstinado ainda encontrou tempo para escrever 28 livros, aderir à causa abolicionista e militante na Padaria Espiritual, uma espécie de agremiação literária que, pelo comportamento irreverente de seus membros, antecipou o modernismo no Brasil. Faleceu em Fortaleza em 2 de julho de 1932 aos 79 anos.



Filho do Dr. Marcos José Teófilo, médico, e de D. Antônia Josefina Sarmento Teófilo. Nasceu em Salvador (BA), a 6 de maio de 1853, e faleceu em Fortaleza, no dia 2 de julho de 1932. Foi romancista, contista, naturalista, historiador e político. Passou quase toda sua vida no Ceará exercendo atividades de escritor e cientista, merecendo por isso ser considerado cearense, como era seu desejo. 

Pobre e órfão, foi educado pelo Barão de Aratanha que o matriculou no Ateneu Cearense, contudo, deixou os estudos para ser caixeiro viajante. Formado farmacêutico, em 1875, pela Faculdade de Medicina da Bahia, estabeleceu-se no Ceará, desenvolvendo logo o pendor para o cientificismo característico na sua obra. Diplomado, dirigiu uma farmácia em Pacatuba, depois na capital. Foi mais tarde professor de ciências naturais na Escola Normal e membro de diversas sociedades culturais. Sua obra ficou marcada pelo exagero em que é mostrada a seca no nordeste e os tipos flagelados caracterizados com excesso.

Depois de assistir o descaso da administração pública frente à grande epidemia de varíola de 1878 no Ceará, Rodolfo Marcos Teófilo decide iniciar uma campanha de vacinação contra a doença. Aprendeu a fabricar a vacina e, em 1901, usando para isso seus próprios recursos financeiros, passou a vacinar o povo com ajuda de sua mulher e um criado. Os únicos limites à sua filantropia foram a falta de recursos e infra-estrutura, problemas que tentou contornar criando uma pequena industria, cujos lucros foram utilizados para a construção de seu instituto vacínico – “Vacinogênio Rodolpho Teophilo”. Conforme seus próprios relatos, andava pelos subúrbios, de casa em casa, de palhoça em palhoça, vacinando as pessoas. Somente mais tarde criaria a Liga Cearense Contra a Varíola, contando então com voluntários em praticamente todo o interior do estado na luta contra a doença².


Um homem contra um poderoso vírus - O Poder e a Peste

Rodolfo Teófilo teve como um dos principais feitos em vida ter combatido a varíola praticamente sozinho, percorrendo a periferia, convencendo as pessoas a se vacinarem de casa em casa.


 
Morro do Moinho - Rodolfo Teófilo vacinando a população contra a varíola - Arquivo Nirez

O pai de Rodolfo Teófilo, Dr. Marcos José Teófilo, que residia em Aracati, foi chamado com urgência pelo governo da capital para fazer parte de uma comissão de combate a febre amarela, cuja epidemia se alastrava no ano de 1852. Em um jornal da época, o médico José Lourenço afirmou que a peste teria acometido 8 dos 15 mil habitantes da cidade, atingindo tanto a periferia quanto a parte nobre da cidade.

A comissão seria formada por ele e pelos únicos dois médicos que existiam então em Fortaleza, justamente o Dr. José Lourenço e Dr. Castro Carreiro, que era homeopata, e foi mais tarde senador do império. A área que Marcos José ficou responsável foi a que ia de Maranguape a Baturité, enquanto os outros dois ficaram com a capital e seus arredores e o litoral, respectivamente, enquanto o restante do interior ficou à míngua.

Até então existiam duas teorias para explicar o contágio pela doença. A primeira atribuía sua transmissão a um ‘’veneno invisível e contagioso’’, recomendando por isso o isolamento dos doentes. Já a outra teoria dizia que a doença era causada pelos ‘’miasmas’’, substâncias que pairavam no ar e eram resultado de matérias orgânicas animais e vegetais em putrefação. Recomendava, assim, o aterramento de pântanos, mangues e fios de água a céu aberto.

O Dr. Marcos José via sentido nas duas hipóteses, principalmente na segunda, pois havia observado que o número de casos da doença eram bem maior no período chuvoso. Ele não conseguiu, porém, convencer o Presidente da província de sua tese, que, por aproximação, estava correta. Somente em 1881, o cientista cubano Carlos J. Finlay descobriu que a transmissão da febre amarela se dava por meio da picada do mosquito Aedes Aegypti, que coloca seus ovos em água parada. A tese, porém, foi desacreditada, tendo sido comprovado somente em 1901, por cientistas americanos.


Finalmente, em 6 de maio de 1853, nascia, em Salvador, Rodolfo Teófilo. Os pais levaram-lhe para nascer na capital baiana pelas melhores condições de assistência que oferecia ao parto, já que a cidade possuía a essa altura a melhor Escola de Medicina do país. Além disso, foi lá que Marcos José se formou, tendo, portanto inúmeros colegas que poderiam lhe prestar assistência, pois a saúde de Josefina era frágil. Passado pouco mais de um mês do nascimento de seu primogênito, eles já estavam de volta ao Ceará.

Josefina, entretanto, acabou falecendo em 1857, de causa desconhecida. Deixou o primogênito Rodolfo órfão, além de duas meninas, Flora e Florisbela. Marcos José casou pouco tempo depois com a cunhada Guilhermina, que lhe deu mais três filhos: Afonso, Júlia e Laura.

Em seu romance Violação, Rodolfo dá pistas de uma possível quinta irmã. Ele narra o episódio de um nascimento em uma família atingida pela epidemia de cólera, o qual Lira Neto julga possivelmente ser autobiográfico.


 

Em 1862, durante a epidemia da doença em Fortaleza, todos na casa do futuro farmacêutico caíram doentes. Até mesmo Guilhermina, que estava grávida e acabou entrando em trabalho de parto ainda acometida pelo cólera. Rodolfo era o único que não tinha ficado doente, e teve que cuidar sozinho de toda a família. Sua pequena irmã, entretanto, acabou falecendo pouco depois de nascer e ele, aos nove anos, teve que cuidar do enterro da menina. No livro Violação, o escritor Rodolfo Teófilo narra as agruras pelas quais o menino passou, tendo que atravessar a cidade deserta por causa da epidemia e encontrar os montes de cadáveres se aglomerando no cemitério da cidade, porque o número gigantesco de mortes diárias não dava mais tempo para as devidas cerimônias.

O restante da família sobreviveu à peste, mas seu pai acabou falecendo dois anos depois, em 1864. Rodolfo, aos onze anos de idade, foi estudar como aluno interno no Atheneu Cearense, sendo bancado pelo marido da tia Maria do Carmo Teófilo, o senhor José Antônio da Costa e Silva.

Ele ganha destaque na turma, e aos treze anos começa a dar aulas no colégio em troca de uma bolsa de estudos. Nesse período foi colega de Capistrano de Abreu, do qual se aproximou bastante, além de ter sido contemporâneo de Domingos Olímpio, Paula Ney e Rocha Lima.

Aos quinze anos, entretanto, sobrecarregado por ter que ensinar e estudar ao mesmo tempo, seu rendimento cai e acaba sendo reprovado no exame para a última série. O tio cansa de lhe sustentar e força-lhe a interromper os estudos para ir trabalhar no estabelecimento comercial de José Francisco da Silva Albano, futuro Barão de Aratanha.

Rodolfo trabalhava o dia todo, e durante o primeiro ano não recebeu salário algum, apenas um lugar para comer e para dormir. Nessa época de apaixonou pela filha do presidente da província, informação novamente tirada de um de seus romances, O Caixeiro, o qual também se acredita autobiográfico. O romance nunca chegou a se concretizar.


  

Enquanto isso ele começou a estudar no período da noite com o Dr. Arcelino Queiroz, um dos donos do Colégio Praxedes & Queiroz, se preparando com sacrifício para prestar exames para alguma Universidade.

No ano de 1869, cai enfermo e volta a morar com a família. Se recupera Recupera-se em Pacatuba, na casa de um amigo da família que futuramente ainda lhe ajudaria muito, o Dr. Henrique Gonçalves da Justa. Ao voltar para o trabalho de caixeiro, começa a produzir, sozinho, nos fundos da loja, um tipo de tinta para marcar sacas de algodão. O produto faz sucesso, desbancando o único concorrente da cidade, e Rodolfo consegue juntar alguns trocados.

Com esse dinheiro e mais uma subvenção de quinhentos mil reis anuais, conseguida com a Assembléia Provincial através do amigo Henrique da Justa, foi para Recife prestar o exame de línguas para adentrar o curso de Farmácia na Faculdade de Medicina de Salvador. O ano era 1871. Enquanto se prepara para a prova, trabalha como amanuense no Hospital Militar de Recife. Foi só quando foi se matricular na faculdade, já na Bahia, que descobriu que não era cearense de nascença, mas sim baiano. Isso porque em sua certidão de nascimento não constava local de nascimento. Ao ouvir o nome de Marcos José enquanto Rodolfo preenchia seu cadastro de filiação, um antigo professor da instituição se surpreendeu e lhe deu as boas vindas, contando finalmente a história de seu nascimento. Apesar disso, posteriormente, em seu livro de memórias posterior, Rodolfo Teófilo escreveu ‘’Sou cearense porque quero’’.

Foi na faculdade que teve contato com as teorias positivistas, as quais viam a miscigenação do povo brasileiro como a principal causa de nossos problemas sociais e de saúde pública, ou seja, das epidemias e casos de demência à criminalidade.

Formado farmacêutico, retorna ao Ceará em 1877. Primeiramente se instala em uma das principais ruas de 
Pacatuba, mas logo se muda para Fortaleza, abrindo uma farmácia na Rua da Palma, hoje Major Facundo, nº 80 com o apoio de Henrique da Justa.

Com os negócios progredindo, se casou com Raimunda Cabral³, e passou a se destacar na província cearense pelos seus dons de cientista e sanitarista, essencialmente quanto a epidemia da varíola e da cobra cascavel. 


Nessa época, por causa de uma grande seca, a cidade começa a se apinhar de retirantes. Conta-se que dos 130 mil habitantes à época, 110 mil eram retirantes. Abrigados parcamente em barracos e galpões, tem-se as condições insalubres necessárias para a proliferação dos mais variados tipos de doença.

 

Contratado pelo governo para fornecer medicamentos para mais essa peste, Rodolfo Teófilo percorria pessoalmente os alojamentos dos retirantes para medicar os sertanejos. Quando às doenças que já existiam se somou a varíola, porém, o caos foi completo. A população mais humilde não confiava na vacinação, acreditavam que se tratava de ‘’coisa do cão’’. Apesar de tudo, tinham até certa razão na desconfiança, porque a vacina, trazida do Rio de Janeiro, constantemente causava graves efeitos colaterais, como úlceras de caráter silfílico e tumores.

Em outubro de 1878 foram registrados 5 mil casos de varíola na cidade, com 590 óbitos. Em novembro, o número chegou a 40 mil, com 9.721 mortos segundo a contagem oficial. O dia 10 de dezembro foi o mais dramático de toda a peste, com o registro de 1004 cadáveres terem chegado ao Cemitério da Lagoa Funda, episódio conhecido como ‘’noite dos mil mortos’’. De setembro a dezembro foram registradas no mesmo cemitério a chegada de 24.889 mortos.


Obras

Sua experiência com a seca, fome e sendo sanitarista, Rodolfo Teófilo expõe em suas obras literárias e muitas vezes não foi compreendido pelo que pôs em seus escritos, sendo descritivo demais nas mazelas que a população estava sofrendo. Contudo, vale salientar que era uma característica da época, escola do Naturalismo, entrar em mínimos detalhes naturais e patológicos, como também a influência que o autor teve de sua formação acadêmica.

1878 - Compêndio de Botânica Elementar, Rio de Janeiro;
1884 - História da Sêca no Ceará, 1877-1880, Fortaleza;
1890 - A Fome4, romance, Pôrto;
1888 - Monografia da Mucunã, Fortaleza;
1889 - Ciências Naturais em Contos, Fortaleza;
(?) Campesinas, poesias, Fortaleza;
1895 - Os Brilhantes, romance, Fortaleza, dois volumes;
1897 - Maria Ritta, romance, Fortaleza;
1899 - Paroara, romance, Ed. Louis C. cholowieçki, Fortaleza;
1898 - Botânica Elementar (Com Garcia Redondo), São Paulo;
1899 - Violação, novela;
1905 e 1910 - Varíola e Vacinação no Ceará, compêndio;
1905 - Violência;
1910 - O Cunduru, coletânea;
1912 - Memórias de um engrossador, Lisboa;
1913 - Telesias, versos;
1913 - Lyra Rústica, versos;
1914 - Libertação do Ceará;
1922 - O Reino de Kiato, romance, São Paulo, Monteiro Lobato & Co;
1922 - A Sedição de Juazeiro;
1922 - Sêca de 1915;
1922 - Sêca de 1919;
1924 - Os Meus Zoilos, artigos;
1927 - O Caixeiro;
1931 - Coberta de Tacos, artigos


Fatos Históricos

 13 de março de 1925 - O escritor Rodolfo Teófilo no artigo ‘A carestia da vida’, publicado no ‘Correio do Ceará’, profliga a Criminosa exportação de gêneros alimentícios.
19 de outubro de 1931 - Iniciando uma Semana Antí-Alcoólica, o vespertino ‘Correio do Ceará’ anuncia que vai publicar, da próxima edição em diante, uma série de artigos do escritor Rodolfo Teófilo. 

 21 de julho de 1932 - Falece, aos 76 anos e em Fortaleza, D. Flora Teófilo, irmã do escritor Rodolfo Teófilo, falecido no dia 2 do corrente. 

 06 de maio de 1953 - As entidades culturais do Estado comemoram a passagem do 1.° centenário do nascimento do escritor Rodolfo Teófilo, destacando-se entre as solenidades realizadas a sessão magna na Casa de Juvenal Galeno.


¹Em 1928 a revista Fanfarra exibia uma caricatura de Teófilo perfilado junto a várias de suas obras e uma garrafa de cajuína, acompanhada da seguinte legenda: “Mestre Rodolfo afamado e valente publicista que hoje faz o apostolado da campanha anti-alcoolista. Se lhe permitisse o fado seu Rodolfo intemerato transformaria esse estado no feliz Reino de Kiato”.

²Por causa disso, foi perseguido durante o governo de Antônio Pinto Nogueira Accioli, do qual era opositor, acusado de desmoralizar a autoridade que estava totalmente alheia ao sofrimento do povo cearense. Rodolfo Teófilo foi humilhado nos jornais e demitido do Liceu do Ceará.

Nos anos seguintes à sua demissão do Liceu (1905), Rodolfo Teófilo teve uma queda nos rendimentos e provavelmente passou por algum tipo de privação financeira, afinal continuava às suas próprias expensas as atividades de produção da vacina. Tal situação teria feito que ele voltasse a investir com mais afinco em suas atividades de industrial.

Entre os anos de 1905 e 1910 ele aumentaria consideravelmente a quantidade de reclames comerciais envolvendo seus produtos, anunciando-os nas páginas do Jornal do Ceará, onde divulgava também seus livros. O periódico anunciava vários de seus preparos farmacêuticos como “xarope anti-reumático”, “peitoral de angico”, “vinho de jurubeba”, “nervino Teófilo”, o “elixir de Santo Inácio”, além da famosa criação, a “cajuína”.

Tomou parte dos movimentos literários do Ceará, tendo pertencido, desde 1894, à Padaria Espiritual, entidade de fins literários e artísticos que se fundara em Fortaleza, dois anos antes, com o nome de "padeiro" Marcos Serrano.

Rodolfo no centro da foto

Foi membro fundador da Academia Cearense de Letras. É considerado um dos principais expoentes da literatura regional-naturalista do Brasil e um dos maiores nomes da literatura do Ceará. Em sua homenagem, o Centro Acadêmico de Farmácia da Universidade Federal do Ceará tem o seu nome.

³D. Raimunda Cabral Teófilo, esposa do escritor Rodolfo Teófilo, faleceu no dia 24 de dezembro de 1928.

4Seu romance de estréia e o primeiro romance cearense publicado em forma de livro, pois até então os romances eram publicados através de folhetins. Era uma história sobre uma das piores secas da história do Ceará (1877-1879), descrevendo a fome e a sede que os retirantes passavam, a morte das pessoas e também a exploração delas pelos aproveitadores da seca. A Fome foi um livro essencialmente de protesto contra a seca, a fome e o descaso das autoridades. Perseverante em tudo que começava, foi um abnegado lutador e não desistia das coisas e também não era de se calar diante das injustiças e dos descasos das autoridades públicas do Ceará. Por isso, em muitas vezes, não foi bem visto por alguns poderosos e sofreu injustas perseguições, principalmente por parte da Oligarquia dos Acioly.

Também por causa de suas aventuras amorosas foi descriminado pela sociedade da capital alencarina, principalmente devido ao seu envolvimento com uma mulher casada. Faleceu em Fortaleza, aos 79 anos.

     

Rodolfo Teófilo também virou nome de bairro em Fortaleza:


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 Fonte: Seara Wiki, Wikipédia, Batalhas da Memória: A escrita militante de Rodolfo Teófilo de Isac Ferreira do Vale Neto, http://www.dec.ufcg.edu.br e Portal da história do Ceará