Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Maranguape - 160 anos




Vista da serra de Maranguape - Foto de Bekbra


Maranguape está situada no Nordeste do estado do Ceará, no sopé da serra de Maranguape, a 35 km distante de Fortaleza.




Maranguape vem do tupi-guarani maragoab e significa Vale da Batalha. O nome é uma alusão ao lendário cacique da tribo de índios que dominava a região.

Sua denominação original era Alto da Vila , depois Outra Banda e, desde 1760, Maranguape.

As origens de Maranguape retornam aos primeiros habitantes destas terras, indios de várias etnias como os: Potyguara, Pitaguary. Os quais já cultivavam mandioca, milho e sabiam da existência de minerais na região.

As terras de Maranguape receberam no ano de 1649, a visita dos neerlandeses durante a expedição em busca das minas de prata na serra da Taquara e serra de Maranguape. Na serra da Taquara, estes ainda ergueram uma base de apoio em cima da serra.



Com a saída dos holandeses do Ceará, o território de Maranguape vem a ser habitado pelos portugueses via as sesmarias. A aglomeração as margens do riacho Pirapora e a capela de Nossa Senhora da Penha, consolida-se como núcleo urbano no século XIX, com a implementação das plantações de café.

Em 1875, Maranguape recebe um grande impulso econômico com a construção e inauguração da linha férrea Estrada de Ferro de Baturité e a estação de trem. Esta funcionou até os anos de 1963, quando esta foi desativada.

Na segunda metade do século XIX, mais uma leva de portugueses iniciaram mais uma atividade econômica, a plantação da cana-de-açúcar e a produção de cachaça.



  • 1649


Maranguape, originalmente terra dos potiguaras, viu o branco chegar na expedição do holandês Mathias Beck, em 1649, e dominar sua verdejante terra durante cinco anos, quando foi expulso do Brasil.

Para a Coroa Portuguesa, aquele pedaço de Brasil não devia parecer interessante o suficiente para ser imediatamente ocupado, pois somente nos primeiros anos do século XVIII foram iniciadas as concessões de sesmarias.

Os primeiros beneficiados foram Pedro da Silva e Amaro Morais, que em 1707 tomaram posse do quinhão doado, até que outros vieram substituí-los.

Suas origens remontam aos estágios da pré-colonização, com o nome de Maragoab, conforme cartografia antiga.

Estrada de ferro de Maranguape em 1920 - Do Livro Estradas de Ferro do Ceará
  • Século XIX

O processo definitivo de povoamento das terras de Maranguape somente ocorreu no despertar do século XIX, com a chegada do português Joaquim Lopes de Abreu.

Com Abreu nasceu o núcleo original da atual cidade de Maranguape, um arruado à margem esquerda do riacho Pirapora, ao lado de uma capelinha a Nossa Senhora da Penha, erguida pelo colonizador lusitano para que os moradores das suas terras pudessem rezar.

O aglomerado recebeu o nome de Alto da Vila, hoje denominado Outra Banda. Em 1760 foi rebatizado como Maranguape.

Solar Bonifácio Câmara - Foto de Reinaldo Barroso. 

Quarto do casarão do Câmara - Foto de Reinaldo Barroso.

Vista do cômodo superior, aproveitando alto pé direito - Foto de Reinaldo Barroso.
  • 1849

As primeiras manifestações de apoio eclesial decorrem de Lei Provincial nº 485, de 4 de agosto de 1849. A primitiva capela, que teve como padroeira Nossa Senhora da Penha. situava-se à margem direita do Riacho Pirapora, no lugar posteriormente denominado de Outra Banda.

Por falta de condições físicas, a primeira capela foi demolida e, logo em seguida, foi construído um templo com estruturas mais amplas. As obras foram suspensas por motivo de desavenças entre os habitantes de Outra Banda e moradores da margem esquerda do riacho Pirapora.

A questão girava em torno do padroeiro cuja preferência se dividia entre Nossa Senhora da Penha e São Sebastião. Resultou, então, o impasse a edificação do templo dedicado a São Sebastião e o reerguimento da extinta capela em honra de Nossa Senhora da Penha, dividindo-se também o padroado.

  • 1851

Maranguape foi elevado à categoria de Vila em 17 de novembro de 1851

  •  1869
 

Em 1869, Maranguape ganhou o status de Cidade, emancipando-se de Fortaleza.



Maranguape é a terra natal do historiador e jurista João Capistrano de Abreu e o humorista Chico Anysio.

Maranguape possui indústrias que fazem parte do Distrito Industrial de Fortaleza e a industria de aguardente, porém a base de sua economia ainda é a agricultura e percuária, devido as terra férteis e a abundância de água.


Cascatinha Balneário & Chalés



Fundado em 1963, o Cascatinha é o mais antigo balneário de serra em atividade contínua no Estado do Ceará.



Com Parque Aquático com Toboáguas, Piscinas Naturais, Bicas e Cascatas o Cascatinha oferece lazer para toda a família em contato com a natureza. Contando também com Restaurante, Chalés para hospedagem, Ecopark, Espaço para jogos, parque infantil, Auditório para eventos climatizadol, passeios de caiaque, oferecemos aos nossos visitantes toda a infra-estrutura para day-use ou estadia de final de semana com todo o conforto e praticidade.


O Cascatinha fica a 2,2km do Centro de Maranguape no sopé da Serra.
Funciona aos Sábados, Domingos e Feriados das 09 às 17h


O Museu da cachaça



Um passeio por mais de 156 anos de história da mais tradicional bebida brasileira: a cachaça.



A entrada em formato de um tonel de madeira dá as boas-vindas ao visitante do Museu da Cachaça, que foi inaugurado em 2000 em um casarão construído no final do século 19 e conta de maneira agradável a história do surgimento da bebida brasileira e da família Telles, que produz cachaça no Ceará há mais de cinco gerações.

O Museu da Cachaça fica no Sítio Ypioca, no Municipio de Maranguape, em uma fábrica de bebidas que há 154 anos produz aguardentes.

O museu atrai turistas vindos de todo o país e do exterior, e constitui uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a cultura cearense.



O imenso tonel de 374 mil litros,
o maior do mundo, registrado 
no Guinnes Book


Lá você tem a experiencia de conhecer o processo de fabricação de um dos produtos regionais mais procurados do nordeste, a cachaça... E ainda pode visitar prédios históricos e passear nas charretes que circulam no local.




A cachaça é uma das bebidas mais tradicionais do Brasil é cultivada e apreciada neste museu, criado para contar a história e explicar o processo de confecção da bebida...

A fábrica montou o memorial em um casarão datado de 1846 com os equipamentos utilizados pela fábrica e muito tonéis de madeira para armazenamento da cachaça...


Trator com rodas de ferro

Entre as peças em exposição está uma réplica do primeiro alambique construído no local, além de um trator vindo da Inglaterra na década de 30 e um tonel de madeira com capacidade para 374 mil litros.


Engenho Manual 
representação em tamanho natural
de bonecos de cera

Hoje a área do Sítio Ypióca recebe outro nome: Y-Park Complexo Turístico Ypióca. 
Lá o visitante encontrará, além do tradicional Museu da Cachaça com curiosidades e atrações como, por exemplo, a Bodega do Zé Leite, passeio de charrete e jardineira, minifazenda, caminhadas e trilhas ecológicas, pedalinho no lago e o maior tonel de madeira do mundo, registrado, em 2002, no Livro dos Recordes. Também faz parte desse Complexo o Campo de Aventura. Rodeado por serras, o lindo espaço traz atrações como arvorismo, caiaque e a maior tirolesa do estado com mais de 200m de extensão.
Outro destaque é o restaurante de comidas típicas.

 



Apresentação de Maranguape por Chico Anysio:





x_3b806469





Créditos: Wikipédia, Murillus, www.maranguape.ce.gov.br, www.cascatinha.tur.br



domingo, 11 de setembro de 2011

Fernando da Gata - Terror de Russas II

.

Fernando Soares Pereira nunca sequer imaginou
algum dia ser bandido que a história registrou
tinha alma inquieta versava como um poeta
e queria ser cantor.

E como Russas relembra terrinha de grande universo
de tantos filhos músicos, das letras e do verso.
Fernando Soares Pereira queria iniciar a carreira
como cantor de sucesso.

Era um menino pobre, bonito e muito inteligente
esperto, muito rápido e dos outros diferentes
vivendo na pobreza a fama da riqueza
morava em sua mente.

Como queria ser um astro fez música e poesia
como cantava muito mal, só a sua mãe ouvia
dizendo: “Fernando desista dessa vida de artista.”
Repetia ela todo o dia.

E quando era noite no silêncio do seu universo
quando todos dormiam ele fazia música e verso
música bonita sim, mas como cantava ruim
desistiu do ingresso.

Mentiram pra ele que outra mãe lhe tinha parido
enjeitado a uma senhora com três dias de nascido
jogando bola um dia soube de tudo na escola
o que tinha acontecido.

Com o seu pai Chaga da Gata revoltado
e mãe Fátima Paz que lhe tinha registrado
pais verdadeiros da vida por outra mãe pretendida
Fernando jamais foi adotado.

Com cinco anos de idade deu o seu primeiro tiro
quase matando um morador pras bandas do retiro
por causa de uma rolinha correu na horinha
para casa num suspiro.

Quando chegou a casa todos estavam sabendo
sua mãe deu-lhe uma surra e ele no choro prometeu:
De arma, mãe” - enquanto chorava. - “Mãe
já estou esquecendo
.”

Promessa que nunca cumpriu tendo em sua guarda
o manejar da arma no início com espingarda
começou o seu jogo brincando com arma de fogo
querendo um dia ser guarda.

Sonhava com o Exército mas antes de ser soldado
já queria ser Sargento um outro sonho formado
tendo a sua primeira prisão no Distrito de Redenção
por furto em flagrante autuado.

Logo conseguiu uma farda de algum destacamento
passou por Sargento do Exército com seu talento
pegou também esse apelido e ficou conhecido
em Russas por Sargento.

Em Russas sua terra natal conheceu seu primeiro amor
a bonita Zeneide que passava cheirando a flor
foi quando certo dia ela na maior da covardia
sem mais nem menos lhe deixou.

Fernando da Gata sofreu a sua maior decepção
a primeira de sua vida naquela grande paixão
quando com outro ela fugiu, logo partiu
quase todo o seu coração.

Com 13 anos de idade para Fortaleza se mudou
morando com o seu tio na Capital estudou
e como um menino normal terminou o ginasial
trabalhando como encanador.

Na sua vida de estudante não ia à escola à toa
isso alegava a sua mãe com tanta nota boa
queria vê-lo um senhor com um anel de doutor
um homem de bem uma boa pessoa.

Ganhar muito dinheiro era o que tinha em mente
na sua grande ambição de ser um homem decente
a sua mãe queria ajudar e da pobreza retirar
aquela pobre gente.

Partiu para São Paulo com 17 anos de idade
trabalhou e conheceu aquela imensidade
mas veio o recrutamento naquele mesmo momento
voltou para a sua cidade.

Fernando voltou para Russas como anjo que não erra
sendo logo convocado para servir o Tiro de Guerra
por incrível que pareça raspou logo a cabeça
como os soldados da terra.

Ficou muito contente e foi logo se apresentar
para o exame médico com o cabelo de militar
para a sua maior decepção decretaram a sua prisão
sem o seu sonho se realizar.

Apenas por suspeita de furto naquela delegacia
fizeram investigação que nada mais dizia
sendo preso por suspeita, desta prisão feita
começou a sua agonia.

Daí por diante muito triste a sua vida mudou tudo
silencioso pelos cantos como um solitário mudo
já não era mais o mesmo toda noite vagava a esmo
matutando algo absurdo

Fátima Paz de tão cansada, tristonha, quase morta
preocupada como o filho e sua idéia proposta
não permitindo que ela fechasse nenhuma janela
nem também nenhuma porta.

Assim ficava Fernando acordado a noite inteira
pensando em alguma coisa da sua triste carreira
assim como um sonho de todo jovem tristonho
que pensa alguma besteira.

Fernando Soares Pereira vulgo Fernando da Gata
começou a carreira como bandido que não mata
para viver sempre fugindo e a justiça pedindo
uma sentença exata.

Alcunha Fernando da Gata era que o desgraçado
corria por cima dos muros e em qualquer telhado
com a agilidade de um gato fugia dentro do mato
com o corpo todo fechado.

A alcunha surgir também de uma maneira cruel
quando ainda criança quase diante do coronel
matou friamente uma gata o tal Fernando da Gata
lá dentro do quartel.

Fernando da Gata tinha uma oração muito forte
que lhe fazia mistérios de uma incrível sorte
São Francisco do Canindé era o santo de sua fé
que lhe protegia da morte.

Astucioso na sabedoria e impiedoso na arrogância
sábio nos grandes cercos ingênuo na ignorância
na malícia de um falcão fugia de qualquer prisão
e de qualquer vigilância.

Fernando da Gata era um filme, era um sonho
dizem que nunca morreu que era um demônio
deixando tanta gente mal-assombrada de repente
e um pai de lar tristonho.

Fernando da Gata foi um ladrão, um assassino
talvez um mero estuprador que desde menino
nunca pensou nisso para tal compromisso
com o seu próprio destino.

Não devia ter sido morto para servir de estudo
cada ser humano trás dentro de si um escudo
de vidro ou de prata, um dar a vida e o outro mata
o seu destino em tudo.

Muitas mães de famílias não esquecem a data
das façanhas daquele bandido que a história retrata:
Isso não é verdade é um sonho tem parte com o demônio
esse Fernando da Gata
.”

Como dizia Lúcio Flávio: “Bandido é pra ser bandido
ladrão é pra ser ladrão.
” Somente um homem perdido
que não atingiu o seu ideal tornar-se marginal
por nada não ter conseguido.

Fernando da Gata invadia qualquer residência
e telefonava ao dono avisando com incrível paciência
a hora que chegaria e não passaria daquele dia
podia de logo ter ciência.

Como o mágico penetrava de tal jeito
que a surpresa e a espera do ludibriador sujeito
na invasão do domicílio fazia sem nenhum auxílio
e deixava o roubo e o estupro feito.

E fora os estupros os furtos e os assaltos
era o destino de um bandido que pensava nos altos
fugir da polícia na mais rápida perícia
por cima dos muros, pelos matos e asfaltos.

Fernando da Gata queria abarcar aquela carreira
e ser Sargento do Exército da armada brasileira
mas como se tornou um ladrão o destino por razão
mudou a sua vida inteira.

Daí tinha mais que ser um famigerado bandido
roubando, estuprando e sempre perseguido
como se pisa na fama não se tira o pé da lá lama
o destino maldito está escolhido.

Estupros e mais estupros na cidade de Jaguaruana
aterrorizou o povo de uma maneira insana
mesmo com a sua astúcia na cidade de Russas
foi mais uma vez em cana.

Fugindo, sempre fugindo por tetos e colunas
quando preso em Russas e também em Baraúnas
jogou gasolina no teto e como uma ave ferina
voou pelo telhado feito uma graúna.

Preso Fernando da Gata ninguém lhe tinha dó
atendendo a solicitação do nosso Juízo maior
de Russas para ser transferido o perigoso bandido
para a prisão de Mossoró.

De lá escreveu para a mãe Fátima Paz que forte
gostava tanto do filho lamentando a sua sorte:
Com toda franqueza foi em legítima defesa
aquelas três mortes
.”

Mas a versão da polícia não deixou nada a duvidar
que Fernando da Gata matou mesmo pra roubar
esse já era o seu time e mais algum crime
não poderia evitar.

Poucos meses depois, assim, sem nenhuma zoada
com um grampo de cabelo de sua nova namorada
de uma maneira suava fabricou uma chave
e fugiu de madrugada.

Abriu o cadeado da cela deixando o povo surpreso
e desse momento em diante nunca mais foi preso
fugindo furibundo a quase todo segundo
deixou o povo brasileiro teso.

Com a perseguição policial e fotografia em todo canto
suas vítimas aumentavam com o maior espanto
e muitas boas famílias, hoje têm as suas filhas
cobertas de nódoas e de pranto.

Existe uma história que quero que o leitor ouça
que a mãe do Fernando da Gata disse com toda força:
“100 mulheres estupradas essa história está errada
meu filho estuprava moça.”

Fernando da Gata sempre cartas escrevia
para a mãe e telefonava quase três vezes por dia
sem nunca contar nada a mãe sossegada
era o que ela mais desejaria.

Nunca confessou um crime nem a mãe lhe perguntava
se a mãe gostava dele, ele mais da mãe gostava
talvez até com medo guardava tudo em segredo
que outro bandido não guardava.

Fernando da Gata tinha um espírito forte
era um menino peralta que desafiava a morte
ouço muita gente dizer: “Fernando ainda vai aparecer
rezando a desfazer a sua sorte
.”

Dizem até que não morreu porque um soldado apontou
um revólver para a cara dele e o gatilho apertou
e Fernando sorrindo calmo foi logo saindo
e a arma não disparou.
Certa vez numa estrada encontrou uma velha senhora
e inteligente perguntou: “Se surgisse nessa hora
aqui nessa mata o bandido Fernando da Gata
o que faria agora?


“Eu acho que morreria ou não estava mais aqui
aquele é o pior bandido e jamais eu conheci
um assassino ladrão, calculista sem compaixão
ouvi falar dele no Aracati.

Não confie nele meu senhor é um bicho que viveu
muitas histórias estranhas e a polícia já lhe prendeu
e ele escapou pela mata.” - “Eu sou Fernando da Gata
Fernando da Gata sou eu
.

A senhora não se assuste que não vou fazer nada
pode seguir o seu caminho com a alma sossegada
sou como qualquer homem mas a desgraça faz o nome
nesta vida desgraçada.”

Mas outra história parece ser bem real:
Se senhora encontrasse” - disse a uma pobre tal.
O Fernando da Gata o que faria?” – Na hora exata
respondeu. “Nada, ele nunca me fez mal.”

Sorrindo Fernando da Gata respondeu à pobrezinha
no seu modo estranho da inteligência que tinha
disse: “Vá embora.” Ela foi à mesma hora.
Você é uma das minhas.”

Seu nome foi se espalhando atemorizando o sertão
por onde passava atormentava a população
e os esquadrões de polícia com toda sua perícia
não conseguiam a sua prisão.

De todos os policiais disse aquele mais experiente:
Fernando da Gata é um sujeito inteligente
tendo a prisão efetuada no cerco da caçada
e ele foge da gente
.”

Fernando da Gata era durante o interrogatório
um indivíduo consciente no seu contraditório
tinha o ponto de vista do mais inteligente calculista
no seu falatório.

Fernando da Gata era um facínora de malícia
orgulhoso e astuto não respeitava nenhuma milícia
com apenas um grampo abria qualquer algema
e entregava-a a polícia.

Fernando da Gata ameaçava do juiz ao delegado
ameaçava, telefonava, mandava bilhete e recado
que ele como ladrão ia invadir tal mansão
deixando o General Assis desmoralizado.

Fernando da Gata furou todo o cerco policial
no Ceará, São Paulo e Minas Gerais onde o marginal
por castigo foi furado por um mendigo
que usava um punhal.

No Ceará quando a polícia caçava em bando
o perigoso bandido no Aracati cercando
noutro itinerário com os chinelos ao contrário
despistava o Fernando.

Para o Fernando da Gata fizeram samba enredo
filme, poesia, literatura de cordel e folguedo
embora temido para muitos tornou-se querido
até pela polícia que dele tinha medo.

Fernando da Gata o mais famoso bandido do país
embora deixando muita gente infeliz
demais seu rosto estampava em todos os jornais
zombando do Estado e do juiz.

Todo o milionário deste imenso país temia a invasão
do Fernando da Gata o perigoso ladrão
um comerciante matou a filha pensando ser o meliante
que invadia a sua mansão.

Fernando Soares Pereira não queria ser ladrão
queria ser artista, gravar um disco e cantar na televisão
querendo ser militar uma farda passou a usar
como Sargento da nação.

Fernando da Gata - Fernando Soares Pereira
em Santa Rita de Sapucaí morto pela polícia mineira
foi enterrado quatro vez a última no nosso Estado
em Russas, num ataúde de madeira.

O bandido Fernando da Gata assim foi enterrado
no cemitério de Russas e no seu mais visitado
túmulo promessas e graças afirmam alguns
russanos já terem alcançado.

Airton Maranhão
Advogado e escritor 
Membro da Academia Russana de Cultura e Arte – ARCA




Fonte: Tv Russas

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fernando da Gata - Terror de Russas



Assim como Lampião, outro sujeito periclitante, menos famoso, mas igualmente elevado a mito foi o bandido Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”, que aterrorizou em Russas, no Vale do Jaguaribe. Nos anos 1960-70, seguiu para São Paulo, onde trabalhou como pedreiro, mas fez assaltos, roubos e estuprou mulheres jovens.

Limoeiro do Norte. A fé não costumava falhar para um bandido tão ligeiro quanto gato. Agia mais pela esperteza que pela truculência. Desonrou moça de família, roubou, assaltou na região jaguaribana, e dizia que a Polícia não ficava com ele na cadeia por duas noites. É Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”, que virou notícia nacional. O homem era caçado pelos quatro cantos da cidade. Quando ainda estava em Russas, os boatos eram de que Fernando da Gata nunca ficava preso. Até ia, levado pela Polícia, mas como num passe de mágica sumia. A história é repassada em Russas para as novas gerações: quando ia preso, Fernando da Gata fazia uma oração, juntava as mãos ou algo parecido, e desaparecia, para indignação da Polícia.

Para fazê-lo se render, policiais prendiam a mãe ou a esposa do meliante, que se entregava na cadeia, onde, conta-se, não passava um dia enjaulado. Quando era preso virava atração pública. A Polícia o exibia na sacada do prédio onde funcionava a cadeia pública e hoje é o Batalhão de Polícia Militar. A multidão se juntava na frente do prédio, para conferir se ele realmente estava preso.

Batalhão Militar de Russas onde Fernando da Gata era exibido da sacada à população - Foto de Ricardo Torres

Fernando da Gata foi baleado por policiais em Santa Rita do Sapucaí (MG). O corpo foi trazido de avião para Fortaleza e recebido por diversos curiosos, sendo sepultado em Russas – ainda hoje o túmulo é visitado por curiosos. O seu sepultamento foi noticiado pela televisão e acompanhado pela Rádio Progresso de Russas, que anunciava as caravanas em paus-de-arara para assistir ao seu sepultamento. Pessoas dormiram no portão do cemitério para ver o seu enterro. Os boatos do sumiço de Fernando da Gata foram além de sua morte. Ainda hoje comenta-se que ele esteja vivo, e até teria voltado para a cidade natal jaguaribana.

O ator José Dumont viveu Fernando da Gata na minissérie

Outros dizem que o sumiço, mediante orações e “palavras mágicas” revelavam seu traço sobrenatural. Homem de fé e poder, segundo legitimado não pela ciência, mas pelo dito e não-dito popular. A história de Fernando da Gata, o jovem que, aos 21 anos, usava nome falso para entrar nas mansões e roubar objetos valiosos e atacar as moças bonitas, foi narrada na teledramaturgia, numa minissérie da TV Globo que levava seu nome e tinha, no papel do bandido, o ator José Dumont. Escrita pelo então diretor do Globo Repórter, Fernando Pacheco, foi exibida em fevereiro de 1983.



A Verdadeira história do bandido

Russas nunca gerou um individuo de mais alto grau de quociente de inteligência e imaginação excessivamente projetadas pelo seu próprio idealismo criminoso, como Chagas da Gata e Fátima Paz, ao tornarem vulto, o famoso bandido Fernando da Gata, Francisco Soares Pereira. Menino pobre, bonito, inteligente, esperto, rápido, educado, diferente dos outros, cresceu na infância, calmo, sem traumas, maus-tratos e violência, no desejo de ser cantor sem pensar em ser bandido. Mas, o seu maior sonho era ser soldado do exército. Por conta desse sonho, aos 13 anos de idade, partiu para Fortaleza e trabalhou com o seu tio. Estudou e terminou o ginasial, mesmo no ofício de encanador. Aos 17 anos, partiu para São Paulo, trabalhou e conheceu aquela imensidade. Quando veio o recrutamento voltou para Russas e convocado para servir o Tiro de Guerra, raspou logo a cabeça como soldado, e ao se apresentar com cabelo de militar, fizeram uma investigação e ele foi preso. Prisão essa que findou o sonho de ser sargento do exército e começou o seu tormento. Fernando da Gata só tinha na sua ficha policial um crime de furto com a sua primeira prisão no distrito de Redenção, quando fora autuado em flagrante delito. Mas, para distanciar do fantasma de menino pobre, Fernando, com aplicação em tudo que fazia, sua ambição era ganhar muito dinheiro para tirar a sua mãe da pobreza. Por conta dessa extrema generosidade, na pretensão de ser militar, conseguiu uma farda e se passando por sargento do exército, em Russas, pegou mais um apelido, o de sargento. Embora considerado o mais célebre dos estupradores, Fernando da Gata foi um bandido romântico, escrevia cartas para a mãe e mandava flores para a namorada, a desaprovar qualquer negação de Deus, com a oração de São Francisco do Canindé que lhe dava sorte e protegia a vida. Com as cem mulheres estupradas com um sorriso no rosto, nem mesmo no disfarce da face do mal, e no pesadelo dos ataques, nunca demonstrou ódio do terror e do espanto como prática de assassinos tenebrosos que estupram e matam por prazer. Desconhecia as crueldades dos bizarro, loucos, cruéis e assustadores monstros que desfilaram mundo afora nas galerias dos serial Killers. Como os que matam quem mais ama, que planejam fantasias sexuais, estupram, torturam, estrangulam e retalham as suas vítimas. A imprensa simplesmente escrupulosamente sobre o perigoso bandido dava notícias de análises e impactos de crimes absurdos e violentos, de forma atroz e odiosa a pintar como Michelangelo, as terríveis cenas do inferno com as façanhas e a famigerada alcunha de Fernando da Gata, muito embora que esse apelido infernal e duvidoso, terrivelmente bizarro de Fernando da Gata, tenha surgido por uma extrema brutalidade, de quando criança, perante ao comandante do quartel de Russas, ao fulminar friamente uma gata ao jogá-la na parede. A outra pelo estigma do destino de que como um fantasma o desgraçado corria por cima dos muros e dos telhados com agilidade dos felinos. E a última, particularmente, por o seu genitor chamar-se Chagas da Gata. E a sua avó conhecida como a velha gata. Para quem era considerado como um bandido perigoso, nunca cometeu nenhum crime violento, homicídio ou assalto a mão armada, mas deixou o país perplexo com os furtos e os estupros.  Um dos caso de maior repercussão na trajetória do maníaco, foi quando em Minas Gerais, o empresário Jair Siqueira, atirou e matou sua filha adolescente, pensando ser o estuprador Fernando da Gata, que invadira a sua residência. Com as histórias de que Fernando da Gata estuprou mais de cem mulheres, o que renegou a sua própria mãe: “100 mulheres estupradas, essa história está errada, meu filho estuprava moça.” Embora que Fernando da Gata tenha estuprado somente moça. Nunca se ouviu dizer que ele tivesse drogado, espancado ou assassinado uma delas. Nem cometido crime de rapto, corrupção de menores ou lesão corporal. Pois por muitos policiais e pelas próprias mulheres estupradas, todos afirmaram que ele era um rapaz, calmo, educado, meigo e muito afável, embora considerado um dos maiores criminosos de todos os tempos. E de tanto vivificarem o bandido, fizeram samba enredo, filme, poesia, literatura de cordel, embora temido, para muitos tornou-se querido até pela polícia que dele tinha medo. Fernando da Gata não nasceu em nenhum mundo-cão, nem fora a besta humana que pintaram, não teve parceiro, nunca usou arma, droga e nem álcool, nem apresentava distúrbio psíquico. Apenas no triunfalismo dos mistérios e invocações demoníacas, Fernando da Gata, sabia ler o destino nos olhos dos gatos, ao ponto de se tornar invisível diante dos policiais e dos cães que quando o farejam voltavam espavoridos.  Assim como o homem tentou descobrir o elixir da eterna juventude e o segredo da invisibilidade, Fernando da Gata considerado um dos bandidos mais astucioso e inteligente que esse país conheceu, no uso da extrema manifestação sobrenatural desaparecia diante dos olhos da polícia sem deixar  rastro. Assim como furou vários cercos policial, no Ceará, São Paulo e Minas Gerais. Assim, como nas inúmeras perseguições, com helicóptero, cães treinados e centenas de policiais experientes. Principalmente com a fuga cinematográfica da cadeia de Mosoró, pondo fogo no teto do xadrez e com o grampo de cabelo de sua namorada abriu o cadeado da cela, fugiu e nunca mais foi preso. Ele entrava nas casas, pedia para a mulher fazer comida, descansava, estuprava e depois ligava para a policia e sumia. Era um facínora de malícia, orgulhoso e astuto. Ameaçava juiz e delegado, telefonava, mandava bilhete e recado que ia estuprar, escalava o muro e invadia as casas com maior tranqüilidade deixando o General Assis Bezerra desmoralizado. Fernando da Gata, Francisco Soares Pereira, morto pela polícia mineira foi enterrado quatro vezes, a última no cemitério de Russas.

Airton Maranhão



Fonte: Diário do Nordeste, Tv Russas