Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Plácido de Carvalho



Plácido Barbosa de Carvalho, nascido, a 17/01/1873, em Canindé, era filho de Bernardino Plácido de Carvalho e de Alexandrina Barbosa Cordeiro de Carvalho.

Do português Bernardino Plácido de Carvalho se soube, através do depoimento oral de Hélio Pinto Vieira, que era 1º. secretário da “Be
neficência Portuguesa Dous de Fevereiro” em 1872. Dele também se tem notícia que era sócio, em 1880, da firma “Plácido de Carvalho &
Cia.
”, proprietária da fábrica de cigarros “São Sebastião”, localizada na Rua da Palma (atual Rua Major Facundo), bem como de que era proprietário da loja de tecidos "Rocambole”, situada na Rua Formosa (atual Rua Barão do Rio Branco).


Já de Alexandrina Barbosa Cordeiro de Carvalho se sabe que era descendente de tradicional clã de Canindé. Plácido de Carvalho, que iniciara a vida profissional como caixeiro da firma “Barroso, Pinto & Cia.” constitui, em 13/02/1899, a firma individual “Plácido de Carvalho”, que será proprietária de uma loja de modas, situada na Rua Floriano Peixoto, no então nº 47.


Segundo propaganda, publicada no Almanaque do Ceará de 1905, a “Casa Plácido”, que se situa na Rua Major Facundo (no então nº 94), com entrada também pela Rua Formosa (na época, no nº 91), era, em 1904, um “Importante estabelecimento de fazendas, modas, novidades e artigos de alta fantasia”, bem como era especializada “em enxovais completos para batizados e casamentos”, sendo tudo, que nela era vendido, importado diretamente. Ali também é anunciado que os artigos para homens, senhoras e crianças, comercializados na “Casa Plácido”, eram recebidos diretamente do “Chic Parisiense e Fluminense”.



Na mesma propaganda, a “Casa Plácido” torna público que também vende artigos de uso doméstico: “da mais rica a mais modesta mobília, lavatórios, camas para casais, para solteiros e para crianças, tapetes para salas e entradas, esteiras, capachos, espelhos, jarros, cortinados para camas e portas, e cuspideiras”, assim como “bicicletas e tricycles para crianças e mais artigos concernentes ao gênero”.

Em 05/10/1914, é inaugurada a “Fábrica Nacional de Mosaicos e Telhas”pela firma Carvalho & Silva, pertencente a Plácido de Carvalho e Luiz Gonzaga Flávio da Silva. Esse estabelecimento industrial, situado na Rua Vinte e Quatro de Maio, permaneceria como propriedade dessa firma até 1922, quando passa a pertencer exclusivamente a Plácido de Carvalho, como se pode verificar no Almanaque do Ceará daquele ano.

Luiz Gonzaga Flávio da Silva, o outro proprietário do supracitado empreendimento, tornar-se-ia sócio do pai, o construtor Rodolpho Ferreira da Silva, numa nova fábrica de mosaicos a partir de 1926.

Em 1915, Plácido de Carvalho dá início a construção de imponente prédio, de quatro andares, na Praça do Ferreira (lado da Rua Major Facundo). Quando da construção desse prédio, ele é procurado por Luiz Severiano Ribeiro, que lhe propõe o arrendamento da sua parte térrea, onde pretendia instalar um cinema. Em 02/09/1917, era inaugurado o “Cine Theatro Majestic-Palace”, pertencente a firma “Ribeiro & Cia.”, nascida de uma sociedade de Luiz Severiano Ribeiro com Alfredo Salgado, em 1913.

Em 1920, a “Ribeiro & Cia.” arrendaria também os três andares superiores do supracitado prédio e instalaria um hotel denominado de “Majestic-Palace”. Esse hotel, que permaneceria em atividade até 1926, pertenceria a “Ribeiro & Cia.” até 1921, e, após a extinção dessa firma, nesse ano, continuaria a pertencer a firma individual “Luiz Severiano Ribeiro” até seu fechamento.

É oportuno lembrar que a “Ribeiro & Cia.” também instalou salões de bilhar, nesse referido prédio, a partir de 1917, como já fizera, em 1916, no “Cine Riche”.


A parceria de Plácido de Carvalho com Luiz Severiano Ribeiro, que teve início com o arrendamento do prédio do “Majestic” pelo segundo empresário, iria se repetir por duas vezes mais: quando ele constrói o prédio do “Cine Moderno”, também localizado na Praça do Ferreira, e o aluga para Ribeiro, que inaugura o seu cinema, ali instalado, em 07/09/1921, e, quando adquire, por volta de 1933, o prédio do “Cine Luz”, localizado na Praça da Estação e pertencente a “Empresa Cine Luz Ltda.”, e o arrenda para Luiz Severiano, que o reinaugura em 27/06/1933. 


O Cine Luz surgiu em 28 de março de 1931, na Rua General Sampaio 526, esquina com Castro e Silva, na Praça Castro Carreira (da Estação) numa dependência da antiga Fábrica Proença, com o filme “A dama escarlate”, da Columbia Pictures. Pertencia a Bernardino Proença Filho e José Bezerra da Silva. A Foto é de janeiro de 1943, quando estava em cartaz - 'Blackout - Nas Sombras da Noite' (Contraband - Blackout), produção inglesa, de 1940, dirigida por Michael Powell, com Valerie Hobson e Conrad Veidt. O filme foi lançado no circuito Ribeiro no dia 3 de janeiro de 1943. 

Durante a primeira Guerra Mundial, Plácido de Carvalho se casa, em Paris, com Maria Pierina Rossi, nascida em Milão (Itália), em 11/01/1889. Dessa união, não nasceriam descendentes.


Com a chegada de Pierina, ao Ceará, em 1917, o casal passou a residir na Rua Princesa Isabel. Somente em 1920, com a conclusão da construção do “Palacete Plácido de Carvalho”, mudar-se-ia ele para o Outeiro.

Conforme declaração, de 15/06/1921, arquivada na Junta Comercial do Estado do Ceará, a firma “Plácido de Carvalho” declara que atua no “gênero de comércio de fazendas e armarinho”, que se situa na Rua Major Facundo, nº 160, e que o “capital empregado no negócio” é de 200 contos de réis.
Não conseguimos identificar em que ano a “Casa Plácido” sai de atividade. No entanto, a última vez em que ela é arrolada, entre os estabelecimentos comerciais que atuam, em Fortaleza, no “ramo de modas e confecções”, no Almanaque do Ceará, data de 1925.

Com base na Lei nº 2266, de 03/09/1925, que concedia, pelo prazo de 15 anos, isenção de décimas e todos os impostos estaduais, a quem construísse vilas operárias com 100 casas ou mais, o Presidente do Estado, José Moreira da Rocha, elabora a Lei nº 2352, de 14/11/1925, que concede, a Plácido de Carvalho, isenção, por 15 anos, de impostos estaduais, menos os de consumo, para uma Fábrica de Fiação e Tecelagem que ele vier a construir em Fortaleza.

Essa isenção seria relativa à fábrica e seus produtos, ao prédio, no caso de ser próprio e para esse fim especialmente construído, ao escritório e armazéns de depósito dos produtos da fábrica, às casas de moradia de gerentes, mestres e contramestres, bem como à vila operária
destinada à residência dos operários da fábrica.

Possivelmente para beneficiar Plácido de Carvalho, o Presidente Moreira da Rocha, elaborou a Lei nº 2354, também de 14/11/1925, pela qual é concedida isenção, por 20 anos, de impostos estaduais, sobre a construção e exploração de um grande hotel em Fortaleza.
Tal hotel deveria conter, pelo menos, 40 aposentos higiênicos e confortáveis, devendo o edifício obedecer a uma arquitetura moderna.
Essa isenção começaria a vigorar desde o dia de inauguração do hotel, cuja construção deveria ter início dentro do prazo de 24 meses, a contar da data de publicação da referida lei.

Em 1927, Plácido de Carvalho manda demolir o “Sobrado do Comendador Machado” e, no seu local, dá início a construção do “Excelsior Hotel”, que será inaugurado em 31/12/1931.
Coincidentemente, no ano que tem início a construção do “Excelsior Hotel”, Fortaleza passaria a dispor, a partir de 17/07, de um moderno hotel, o “Palace Hotel”, situado no Passeio Público e pertencente a Éfren Gondim. O “Palace Hotel” se situava no prédio onde
funcionou o “Hotel de France”, que passou por uma reforma após ter sido adquirido, por 80 contos de réis, por José Gentil Alves de Carvalho, dos herdeiros de Dário Teles de Menezes conforme Raimundo Girão.

Segundo propaganda, no Àlbum de Fortaleza de 1931, o “Excelsior Hotel” era “servido por elevadores Otis”, tinha “apartamentos, para famílias e cavalheiros, com dormitórios, sala de visita, banheiro e telefone”, todos dotados de “água corrente e mobiliário de 1ª classe”. Dispunha também de “especial cozinha à brasileira e estrangeira, restaurant à La carte, american bar, vasto terraço para dancing, banquete, recepções etc., a 50m de altura, salão de barbearia e manicure e central telefônica ligada a todos os aposentos”.


Plácido Barbosa de Carvalho faleceria a 04/06/1935, no “Excelsior Hotel”, após padecer, por seis meses de grave enfermidade (O Povo, de 05/06/1935).
Em edição de 08/06/1935, o jornal O Povo traz notícias sobre o testamento deixado por Plácido. Segundo a matéria ali publicada, ele teria deixado para Natali Rossi, seu cunhado, 50 contos de réis; para José Lucas da Silva (construtor), 10 contos; para José Borges dos Santos, três contos; e, para Francisco Lopes (gerente da fábrica de mosaicos), 15 contos.
Para sua irmã, Maria das Mercedes Fernandes Vieira, foi deixada uma pensão vitalícia de 600$000 e partes do prédio da Rua Barão do Rio Branco, nº 810, onde ela já possuía partes.
Para seus sobrinhos-netos, filhos de sua sobrinha e afilhada Denise Vieira Paiva, filha de Maria das Mercedes e Afonso Fernandes Vieira, e casada com o Tenente Gonçalo Paiva, coube os prédios da “Farmácia Oswaldo Cruz”, do “Cine Moderno”, bem como o prédio situado, atualmente, no cruzamento das ruas Alberto Nepomuceno com Rufino de Alencar (que deveriam permanecer inalienáveis e impenhoráveis) e mais 60 contos de réis, destinados à construção de um prédio na cidade do Rio de Janeiro.

Para Zaira Andersen, filha de Pierina e sua enteada, deixou Plácido de Carvalho o “Palacete Iracema” (também conhecido como “Sobrado do Pastor”), localizado na Praça do Ferreira, e um prédio situado na Praia de Iracema (ambos os imóveis gravados com as cláusulas de inalienabilidade e impenhorabilidade).

Para Maria Pierina Rossi de Carvalho, sua esposa, além de joias e dinheiro, tocou todos os outros bens móveis e imóveis de sua propriedade, como os prédios do “Cine Majestic” e do “Excelsior Hotel”. No caso dos bens imóveis, todos deveriam atender as condições de não
alienação e não penhorabilidade.

Deixou Plácido, ainda, para a Santa Casa de Misericórdia, 100 contos de réis; para o Asilo de Alienados, 100 contos; para o Colégio da Imaculada Conceição, 100 contos; para o Instituto de Proteção à Infância, 50 contos, e, para a Escola Pio X, 50 contos. O legado deixado para estas instituições estava sob a forma de títulos da dívida pública da União, valendo, cada um, 1:000$000, (todos gravados com as cláusulas de inalienabilidade e impenhorabilidade).

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Leia sobre o Palácio do Plácido AQUI


Crédito: Plácido de Carvalho e Luiz Severiano Ribeiro: 
“uma dupla de cinema”
Carlos Negreiros Viana



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