Assim como no blog Fortaleza Nobre, vou focar no resgate do passado do nosso Ceará.
Agora, não será só Fortaleza, mas todas as cidades do nosso estado serão visitadas! Embarque você também, vamos viajar rumo ao passado!

O nome Ceará significa, literalmente, canto da Jandaia. Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.

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domingo, 29 de julho de 2012

José de Alencar - O querido Cazuza




José Martiniano de Alencar nasceu em Messejana (na época Mecejana), no dia 1º de maio de 1829.

Filho do padre e ilustre senador do império, José Martiniano Pereira de Alencar, irmão do diplomata Leonel Martiniano de Alencar (Barão de Alencar), e pai de Augusto Cochrane de Alencar. José de Alencar nasceu
de uma união ilícita e particular do padre com a prima Ana Josefina de Alencar. Quando criança e adolescente, era tratado em família por Cazuza, mais tarde, adulto, ficou conhecido nacionalmente como José de Alencar, um dos maiores escritores românticos do Brasil.
Foi casado com Georgiana Cochrane*, filha de um médico inglês, teve seis filhos (Augusto, Clarisse, Ceci, Elisa, Mário e Adélia). Para eles, deixou a propriedade em Fortaleza. Para a literatura nacional, o olhar encapelado e indagador..


Quando José de Alencar nasceu, Mecejana era um município vizinho a Fortaleza. A família transferiu-se para a capital do Império do Brasil, Rio de Janeiro, pois José Martiniano Pereira de Alencar, assumiu o cargo de senador do Rio de Janeiro em 1830 e José de Alencar, então com onze anos, foi matriculado no Colégio de Instrução Elementar. Em 1844, matriculou-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo, começando o curso de Direito em 1846. Fundou, na época, a revista Ensaios Literários, onde publicou o artigo 'Questões de estilo'. Formou-se em direito, em 1850, e, em 1854, estreou como folhetinista no Correio Mercantil. Em 1856 publica o primeiro romance, Cinco Minutos, seguido de A Viuvinha em 1857. Mas é com O Guarani em (1857) que alcançará notoriedade. Estes romances foram publicados todos em jornais e só depois em livros.



183 anos sem José de Alencar

O Brasil tem que cara? No princípio eram índios, depois brancos colonizadores, que além da força bruta e de outra língua, trouxeram negros escravos. Da mistura, surgiram caboclos, mulatos, cafuzos e pardos. Hoje somos também nortistas e sulistas; urbanóides e matutos; descendentes, radicados, assentados: brasileiros, enfim.

Se com o tempo esse mosaico revelou alguma forma, foram necessárias mãos que ordenassem suas peças. Entre as mais notórias destacaram-se as do escritor cearense José de Alencar. De pena em punho, Alencar escreveu obras importantes como “O Guarani”, “Iracema”, “O Gaúcho”, “O Sertanejo” e várias outras que não apenas consolidaram a estética romântica no Brasil, mas, em última análise, contribuíram significativamente para a construção de uma identidade nacional.




Tomando para si a ambiciosa tarefa de desenhar um amplo panorama da realidade no Brasil, o escritor resgatou de forma pioneira temas e motivos locais, desde costumes da sociedade burguesa do Rio de Janeiro (onde morou boa parte da vida) até cenários e personagens indianistas e regionais, descritos com vocabulário e sintaxe típicos do país, em oposição ao estilo lusitano vigente na época.

Nascido em um sítio em Messejana, em 01 de maio de 1829, José Martiniano de Alencar foi fruto da união proibida entre seu pai homônimo (então padre e deputado pela província do Ceará) e a prima deste, Ana Josefina de Alencar - “por fragilidade humana", como o próprio declarou no testamento. Dos oito filhos, foi o primogênito, apelidado de Cazuza (que significa “moleque”). Depois dos primeiros anos da infância, mudou-se definitivamente com a família para o Rio de Janeiro, onde Alencar, o pai, assumiu posição no Senado. Em 1944, o jovem transfere-se para São Paulo, para cursar a Faculdade de Direito daquele Estado. Introvertido, mantinha-se alheio à rotina boêmia vivida pelos colegas do curso preparatório, entre eles um que também ficaria famoso: Álvares de Azevedo.




O escritor José de Alencar consolidou a estética romântica no Brasil e contribuiu significativamente para a construção de uma identidade nacional




Tinha 17 anos incompletos quando matriculou-se na Faculdade, já ostentando a característica barba cerrada, que acentuava ainda mais seu semblante taciturno. Na Academia, conheceu clássicos da literatura mundial e seus autores, entre filósofos, poetas, romancistas e tratadistas da retórica e da política. Devora tudo com a avidez dos grandes, consolidando uma base de conhecimentos fundamental para sua trajetória literária - está sempre conciliada com a prática jurídica, a qual nunca abandonou.


Em 1847 o pai Senador, muito doente, voltou ao Ceará, assistido pelo filho. Na ocasião, o jovem Alencar conheceu os primeiros sintomas da tuberculose, mazela que o acompanharia por 30 anos. O reencontro com a terra natal trouxe recordações de infância e fixou perenemente na memória do escritor a paisagem local. É esse cenário nordestino que aparece em um de seus romances mais importantes: Iracema. A estréia na literatura ocorreu pelas vias do jornalismo, quando se inicia como folhetinista no Correio Mercantil. Às crônicas seguiram-se suas primeiras obras: Cinco Minutos (1856) e A Viuvinha (1857) - ambos romances urbanos. Mas é com O Guarani , também lançado em 1857, que José de Alencar alcança notoriedade definitiva.




Ao passo que o índio Peri encarna o arquétipo do herói romântico - incorruptível, bom, belo e justo -, sua possível união amorosa com a jovem branca Cecília, sugerida ao final do livro, representa a miscigenação fundadora de toda a sociedade brasileira. Mas não é preciso ir tão longe para explicar o sucesso de público da obra. Antes de mais nada, trata-se de uma história de amor, permeada de aventura e transcorrida em cenário selvagem e exótico. Ao lado dos romances “Iracema” (a virgem dos lábios de mel que inspirou duas esculturas em Fortaleza) e “Ubirajara”, “O Guarani” responde pela inaugura da temática indianista na produção de Alencar.


Os romances alencarinos podem ser divididos ainda em outras três grandes temáticas: Urbano, que continuou sendo explorado em obras como “Lucíola”, “Senhora” e “Diva”; Histórico, no qual se encaixam trabalhos como “As Minas de Prata” e “A Guerra dos Mascates”; e Regionalista, com “O Gaúcho”, “O Sertanejo” e outros. Escreveu ainda algumas peças de teatro. Simultaneamente à carreira literária, Alencar permaneceu atuante no jornalismo e, posteriormente, na política - áreas em que se destacou pela personalidade polêmica (nesta última, porém, do lado Conservador, ao contrário de seu pai).


Crítico implacável da censura e defensor ferrenho de uma cultura nacional, não poupou sequer Dom Pedro II. Em um episódio famoso, Alencar ataca duramente a abordagem à temática indianista feita no poema épico “A Confederação dos Tamoios”, de Gonçalves de Magalhães, que lança mão de um personagem índio para tecer loas à dinastia monárquica portuguesa. O lançamento do livro havia sido integralmente apoiado pelo Imperador, que por tabela não escapou às alfinetadas de Alencar.

A rixa perdurou durante toda a vida política de Alencar, iniciada em 1861 (quando foi eleito Deputado Geral pelo Ceará, reelegendo-se outras três vezes). Chegou ao cargo de Ministro da Justiça (1868) e só não foi Senador, no ano seguinte, porque teve o nome vetado por Pedro II. Na biografia “O Inimigo do Rei”, escrita pelo jornalista Lira Neto, uma passagem deixa clara a dimensão da querela. Por ocasião da morte** de Alencar, em 1877, vítima de tuberculose, o monarca chega a soltar algumas palavras elogiosas ao talento do escritor, porém sem perder a provocação final: “mas ele era também um homenzinho bem malcriado!”.

Muito embora não haja maior atestado de credibilidade moral do que o insulto do próprio Imperador, mais certeiras foram as palavras do colega Machado de Assis, citando uma passagem de “Iracema”: “(...) a posteridade é aquela jandaia que não deixa o coqueiro, e que ao contrário da que emudeceu na novela, repete e repetirá o nome da linda tabajara e do seu imortal autor. Nem tudo passa sobre a terra”.


*A vida amorosa



Aos 25 anos, Alencar apaixonou-se pela jovem Chiquinha Nogueira da Gama, herdeira de uma das grandes fortunas da época. Mas o interesse da moça era outro: um rapaz carioca também muito rico. Desprezado, custou muito ao altivo Alencar recuperar-se do orgulho ferido. Somente aos 35 anos ele iria experimentar, na vida real, a plenitude amorosa que tão bem soube inventar para o final de muitos dos seus romances. Desta vez, paixão correspondida, namoro e casamento rápidos. A moça era Georgiana Cochrane, filha de um rico inglês. Conheceram-se no bairro da Tijuca, para onde o escritor se retirara a fim de se recuperar de uma das crises de tuberculose. Casaram-se em 20 de junho de 1864. Muitos críticos vêem no romance Sonhos d'ouro, de 1872, algumas passagens que consideram inspiradas na felicidade conjugal que Alencar parece ter experimentado ao lado de Georgiana.


**A Morte


Em 1876, Alencar leiloou tudo o que tinha e foi com Georgiana e os seis filhos para a Europa, em busca de tratamento para sua saúde precária. Tinha programado uma estada de dois anos. Durante oito meses visitou a Inglaterra, a França e Portugal. Seu estado de saúde se agravou e, muito mais cedo do que esperava, voltou ao Brasil.

A pesar de tudo, ainda havia tempo para atacar D. Pedro II. Alencar editou alguns números do semanário 'O Protesto' durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 1877. Nesse jornal, o escritor deixou vazar todo o seu antigo ressentimento pelo imperador, que não o havia indicado para o Senado em 1869.

Mas nem só de desavenças vivia o periódico. Foi nele que Alencar iniciou a publicação do romance Exhomem - em que se mostraria contrário ao celibato clerical, assunto muito discutido na época. Escondido sob o pseudônimo Synerius, o escritor faz questão de explicar o título do romance Exhomem: "Literalmente exprime o que já foi homem".

Alencar não teve tempo de passar do quinto capítulo da obra que lhe teria garantido o lugar de primeiro escritor do Realismo brasileiro. Em 12 de dezembro de 1877, morre no Rio de Janeiro, aos 48 anos, sucumbido pela tuberculose (doença que o acompanhara por cerca de 30 anos). Ao saber de sua morte, o imperador D. Pedro II teria se manifestado assim: "Era um homenzinho teimoso''. Mais sábias seriam as palavras de Machado de Assis, ao escrever seis anos depois: "... José de Alencar escreveu as páginas que todos lemos, e que há de ler a geração futura. O futuro não se engana'' .


Créditos: Diário do Nordeste, Culturabrasil.pro.br e Jornal da Poesia

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